Apesar das promoções, parcelamentos e da queda geral nos preços dos PCs no varejo, montar um PC é ainda um bom negócio se você sabe o que está fazendo e quer um PC com componentes de boa qualidade, sem falar na liberdade de reforçar qualquer componente que faça a diferença pra você (armazenamento, desempenho 3D, memória, processamento, etc.) sem pagar tão mais caro por isso.

Outro argumento é que os processadores, memórias e outros componentes estão lentamente atingindo a maturidade e passando a evoluir mais devagar do que tínhamos a uma década atrás. Isso faz com que cada vez mais gente adie os upgrades, ficando com o mesmo PC por dois, três, ou até quatro anos, muito diferente dos upgrades anuais que eram comuns antigamente. Com isso, escolher cuidadosamente os componentes do PC acaba sendo ainda mais importante, já que ele provavelmente vai acabar te acompanhando por um bom tempo.
Vamos então a algumas sugestões de componentes para quem está montando um micro no final de junho de 2009:
Processador
O processador é quase sempre o melhor lugar para economizar ao montar um micro. Explico: mesmo os processadores mais baratos da safra atual oferecem um desempenho mais do que suficiente para tarefas do dia a dia e, mesmo nos jogos, o desempenho é quase sempre limitado pela placa 3D, e não pelo processador.
Naturalmente, se você resolver jogar a 800×600, um Pentium E ou um Athlon X2 podem limitar o FPS muito antes de uma GeForce 9600, por exemplo, mas ao jogar a 1280×800 ou 1024×768 (como quase todo mundo hoje em dia), o trabalho pesado recai sobre a placa 3D.
Outro argumento a favor dos processadores value é o overclock, que permite obter um “upgrade grátis”, equiparando o desempenho ao de processadores muito mais caros, sem precisar colocar a mão no bolso.
Dentro da linha da Intel, uma das melhores opções é ainda o bom e velho Pentium E5200 de 0.045 micron, que já custa perto da faixa dos R$ 200. As duas principais desvantagens dele em relação aos Core 2 Duo são o cache de apenas 2MB e o uso de bus de apenas 800 MHz.
O cache é realmente uma pena, já que reduz o desempenho em até 10% se comparado ao de um C2D do mesmo clock, mas o bus de 800 é na verdade um fator positivo, pois permite que você faça um overclock de 33% praticamente sem riscos, simplesmente trocando o cooler boxed anêmico por qualquer coisa um pouco melhor e aumentando a frequência do FSB de 200 para 266 MHz (1066 MHz efetivos) no setup.
O E5200 oferece uma margem de overclock muito grande, o que é praticamente um passe livre para usar o processador na frequência que quiser. Você pode atingir facilmente os 3.4 GHz usando um cooler modesto e um pequeno aumento na tensão (ou chegar perto dos 4.0 GHz com medidas um pouco mais extremas). Ele é realmente um processadorzinho bastante valente.
Para quem não pretende fazer overclock, outra opção dentro da linha Intel seria o Core 2 Duo E8400, de 3.00GHz. Ele possui um cache L2 compartilhado de 6 MB e utiliza bus de 1333 MHz, o que garante um desempenho por clock sutilmente superior ao dos modelos anteriores. O grande problema é que ele custa quase R$ 600, ou seja, quase três vezes mais caro que o E5200.
Comparando ambos à frequência default, o E8400 é quase 33% mais rápido e oferece a vantagem de oferecer suporte ao Intel VT. Entretanto, quando levamos o fator overclock em consideração, a diferença entre os dois é muito pequena, já que sendo baseados na mesma técnica de fabricação, ambos são capazes de atingir frequências similares.
De fato, o E5200 leva vantagem em termos de overclock, já que ele utiliza um multiplicador de 12.5x (o que permite aumentar a frequência sem precisa esticar tanto a frequência do FSB), enquanto o E8400 usa multiplicador de apenas 9x.
Dentro da linha da AMD, uma opção na mesma faixa de preço (do E8400) seria o Phenom II X2 550 Black Edition de 3.1 GHz. Ele é um processador dual-core, com 1 MB de L2 (512 KB por núcleo) e um cache L3 compartilhado de 6 MB. Basicamente, ele é um Phenom II quad-core com dois dos núcleos desativados , que pode ser usado tanto em conjunto com placas AM3 (e memórias DDR3) quanto em placas AM2+ (DDR2).
Uma vantagem secundária é que sendo um integrante da série Black Edition, ele tem o multiplicador destravado, o que facilita os overclocks. Como ele foi lançado agora em junho, é ainda quase impossível encontrá-lo no Brasil, mas no exterior ele custa apenas US$ 100, o que deve colocá-lo na faixa dos 400 reais ao chegar por aqui.
Outra opção um pouco mais barata é o Athlon II X2 250 (3.0 GHz), que é também um processador AM3 dual-core de 0.045 micron, mas que se diferencia do Phenom II X2 por utilizar um cache L2 de 2 MB (1 MB por núcleo), sem cache L3.
Placa-mãe
Uma sugestão de placa-mãe é a Gigabyte GA-EP45-UD3L, sobre a qual falei rapidamente em maio. Ela é uma placa baseada no P45, que oferece uma opção bastante completa de ajustes no setup e uma construção bastante sólida, com capacitores de estado sólido e os demais ítens do Ultra Durable 3. Ela pode trabalhar em conjunto com qualquer processador LGA 775, do Celeron ao Core 2 quad, o que deixa margem para upgrades futuros conforme os preços caírem.
Apesar dos recursos, ela é uma das placas mais baratas com o P45, custando na faixa dos 400 a 450 reais. Você pode economizar alguns trocados comprando uma GA-P35-DS3 (que custa na faixa dos 350 reais), mas seria uma economia questionável, já que ela é baseada em uma plataforma mais antiga.
O P45 é o pico evolutivo dentro da plataforma LGA775, servindo como uma opção bastante madura. Alguem poderia argumentar que com os Core i7 no horizonte, seria mais prudente esperar, em vez de investir em uma plataforma que está prestes a se tornar obsoleta.
A resposta é que isso depende do ponto de vista. Hoje em dia, você gastaria pelo menos R$ 1600 para comprar um Core i7-920 (2.66 GHz) mais a placa-mãe, o que é quase o triplo do preço que pagaria pelo E5200 e a EP45-UD3L. Vai demorar quase um ano até que a plataforma i7 (processadores e placas) caiam para um patamar de preço similar ao que temos hoje na plataforma LGA 775, e muita coisa pode mudar até lá. Sem dúvidas, não seria um bom momento para pagar 900 reais em um Core 2 Quad Q9550, mas os processadores LGA 775 mais baratos ainda são uma escolha segura.
Assim como outras placas baseadas no P35 e no P45, a EP45-UD3L oferece suporte oficial ao bus de 1333 MHz usado pelo E8400 e também aos processadores Core 2 Quad, o que deixa as portas abertas para um upgrade futuro. Com a introdução dos Core i7 e Core i5 baseados no Lynnfield, os processadores Core 2 Quad tendem a cair rapidamente de preço e eventualmente serem descontinuados, o que abre a possibilidade de comprar um a preço de banana lá pelo final de 2010.
Memória
A diferença de preço entre os módulos de 1 e 2 GB já é inferior a 30 reais, por isso não faz mais sentido comprar dois módulos de 1 GB, já que você comprar dois módulos de 2 GB gastando pouca coisa a mais.
Usar um único módulo de 2 GB seria uma opção para quem realmente precisa economizar, mas nesse caso perderíamos o dual-channel, o que teria um certo impacto sobre o desempenho (sobretudo em PCs com placa de vídeo onboard, onde o barramento da memória é compartilhado entre o processador e o chipset de vídeo). Comprar um módulo de 2 GB agora e deixar para comprar outro depois também não é exatamente uma boa idéia, pois os preços dos módulos DDR2 atingiram um ponto muito baixo e tendem a subir nos próximos meses, conforme os módulos DDR3 ganharem a cena e os DDR2 começarem a sair de produção.
Atualmente, o ponto ideal do ponto de vista do custo-benefício é usar dois módulos de 2 GB em dual-channel, totalizando os 4 GB. Você pode então escolher entre usar um sistema de 64 bits e realmente aproveitar os 4 GB, ou continuar usando a versão de 32 bits, sacrificando nesse caso a maior parte do último GB (leia os detalhes sobre o limite dos 3 GB no: https://www.hardware.com.br/livros/hardware/limites-enderecamento-memoria.html).
Uma boa opção de módulos são os Kingston ValueRAM PC2-6400 (DDR2, 800MHz, CL6), que custam a partir de 105 reais, de acordo com a loja.
Antigamente, os módulos da Kingston custavam substancialmente mais caros, mas com a concorrência acirrada entre os fabricantes de memória as diferenças caíram. A linha ValueRAM é justamente a mais barata dentro da linha da Kingston, por isso não espere tempos de latência muito baixos. A principal vantagem deles é a questão do controle de qualidade e a garantia vitalícia.
Pesquisando um pouco, você encontrará também alguns kits DDR2-800 a preços bem acessíveis, muitas vezes apenas alguns poucos reais mais caro. O principal motivo é que a demanda por kits DDR2-800 saíram de moda com o aumento na oferta dos módulos DDR2-1066 e dos módulos DDR3. Com isso, os fabricantes acabaram sendo obrigados a vender o final dos estoques nos “mercados emergentes”, incluindo aí o Brasil.
Estes kits normalmente não são uma boa escolha, já que são muito mais caros e a diferença de desempenho não compensa. Entretanto, quando a diferença é pequena eles acabam sendo um bom negócio, já que são construídos com chips selecionados (capazes de trabalhar com latências ligeiramente inferiores às dos módulos genéricos) e você ganha de brinde um dissipador que pode ser bastante útil ao esticar a frequência dos módulos no overclock.
Fonte
Se você tem 300 reais para gastar, pode fazer uma compra segura, levando para casa uma Zalman 460W ZM460B-APS (R$ 350) ou uma Corsair 450W CMPSU-450VX (R$ 300), ambas fontes silenciosas, que trabalham com um bom nível de eficiência e possuem uma qualidade de construção muito boa, que podem lhe acompanhar por vários upgrades.
O grande problema é que caímos sempre na questão do preço. Ao verem que fontes boas custam tão caro, a resposta da maioria é simplesmente voltar para as fontes de “550 watts” de 50 reais da Wisecase (ou similares) que, bem, não são exatamente uma opção segura.
Duas fontes “meio-termo” seriam SevenTeam 450W ST-450P-CG (R$ 200) e a Huntkey 350W Green Star – LW-6350HG (R$ 100) ambas possuem seus problemas, mas são bem melhores que as genéricas.
A ST-450P-CG tem como contra-indicação a baixa eficiência (na faixa dos 68%), o que representa um pequeno adicional mensal na conta de luz ao longo da via útil do PC. Ela também não é muito silenciosa, mas a qualidade da construção é ainda boa.
A LW-6350HG é a fonte mais barata dentro da linha da Hunkey, que serva como uma opção às fontes genéricas para quem não pode gastar mais de 100 reais na fonte. Ela trabalha com uma taxa de eficiência na faixa dos 80% trabalhando com 50% da capacidade (os 85% das especificações são uma estatística um pouco otimista) e tem uma qualidade de construção aceitável, considerando o preço.
A grande observação é que assim como outros modelos da linha Green Star da Hunkey, a fonte realmente explode quando a capacidade de fornecimento é ultrapassada, por isso não é prudente utilizá-la em configurações que consomem mais de 250 watts, mantendo uma boa margem de segurança.
Ela é suficiente para sustentar o E5200 com o overclock de 33%, com um ou dois HDs, 4 GB de RAM e uma GeForce 9600 GT ou outra placa 3D mediana. Entretanto, se você pretende fazer um overclock maior, usar um processador quad-core ou espetar uma placa 3D mais parruda, seria aconselhável ir para um modelo que ofereça 450 watts reais, para que a fonte continue trabalhando dentro de um nível confortável de utilização.
Fontes de maior capacidade são necessárias em casos mais extremos, como ao usar duas (ou três 🙂 GeForce GTS 250 em SLI, ou ao tentar usar um Core 2 Quad em overclock para 4.0 GHz, mas em situações normais, uma fonte de 1000 watts acaba sendo apenas um desperdício de dinheiro. Elas são apenas mais um modismo para atender os fetiches de alguns.
Placa 3D
Com poucas exceções, todas as placas de vídeo baseadas no mesmo chipset e com o mesmo tipo de memória apresentam um desempenho muito similar, independente do fabricante. Isso acontece por que quase todos baseiam as placas nos projetos de referência disponibilizados pela nVidia e ATI, variando apenas o tipo de memória e a frequência.
Dentro dos preços atuais (no Brasil), as duas melhores opções para quem quer um bom desempenho sem gastar muito seriam as GeForce 9600 GT e as Radeon 4650.
Uma boa opção de GeForce 9600 GT é a ECS N9600GT-512MX (512MB GDDR3 256-bit), que é um dos modelos mais baratos, custando a partir de R$ 350. Existem também variações com 1 GB de RAM, mas elas não são boas escolhas, pois são mais caras e praticamente não existe ganho de desempenho, salvo alguns poucos casos específicos.
Se você estiver usando um sistema de 32 bits, o 1 GB de memória acaba sendo uma desvantagem, pois ocupa endereços adicionais no Virtual Address Space, reduzindo a quantidade de memória RAM vista pelo sistema. Basicamente, 512 MB a mais de memória na placa de vídeo significam 512 MB a menos de RAM disponível para o sistema.
As Radeon 4650 perdem em um confronto direto com as 9600 GT, mas são em compensação bem mais baratas, custando a partir de R$ 200. Uma boa opção é a Sapphire 100253HDMI (DDR2, 512 MB, 128 bits) que custa na faixa dos 220 a 240 reais.
Assim como no caso das 9600, você encontrará variações com 1 GB de RAM, que simplesmente não oferecem nenhuma vantagem tangível, já que a 4650 tem menos poder de processamento e um barramento mais estreito com a memória.
O grande problema com as placas da ATI de uma forma geral é a baixa qualidade dos drivers para Linux (o suporte é especialmente ruim no caso das placas mais recentes, que em muitas distribuições só funcionam em conjunto com o driver VESA), o que praticamente as desqualifica como opções caso você pretenda usar o sistema.
Se você é um jogador mais inveterado, pode obter um desempenho bem superior usando uma Radeon 4850 ou uma GeForce GTS 250, mas elas já estão em uma outra categoria de preço, já invadindo a faixa dos 600 a 800 reais.
Se, por outro lado, você quer apenas uma placa de vídeo que ofereça um bom desempenho 2D e um bom suporte a dois monitores, então qualquer placa da nVidia com suporte ao TwinView atende bem. Mesmo uma 6200 TC vinda do micro antigo (ou de segunda mão) vai dar conta do trabalho.
O desempenho em 3D da 6200 não é muito diferente da oferecida por uma Intel GMA3100 (o chipset de vídeo integrado ao chipset G31), mas pelo menos ela ela oferece suporte nativo a dois monitores e um desempenho suficiente para uso geral, mostrando que se você não joga, não existe muita necessidade de investir em uma placa mais cara.
Como diz o título, estas são apenas algumas sugestões de compra, uma lista que está longe de ser completa. Poste também suas sugestões nos compentários.