Netbooks: Entendendo os modelos do Eee PC

Netbooks: Entendendo os modelos do Eee PC

Em 2005 a Intel anunciou o Classmate, que acabou se tornando o antecessor direto dos netbooks atuais. A idéia do Classmate era oferecer um notebook de baixo custo para uso em escolas de primeiro e segundo grau, construído usando componentes da Intel.

O Classmate propriamente dito nunca chegou a ser produzido em volume, o que fez com que o preço de venda ficasse bem acima dos US$ 200 propostos e ele acabasse sendo usado apenas em alguns projetos piloto em escolas (com resultados variados). Entretanto, a decisão de permitir que os fabricantes desenvolvessem versões modificadas acabou se revelando decisiva, dando origem aos inúmeros de modelos de netbooks que invadiram o mercado.

O primeiro deles foi o Eee PC 701, que todos conhecemos. Ele surgiu como uma versão “de consumo” do Classmate, um mini-notebook de baixo custo (inicialmente se falava em um preço final abaixo dos US$ 200), leve e fácil de transportar.

Embora tenha chegado ao mercado com um atraso de mais de 3 meses e bem mais caro que o esperado, o Eee PC acabou se tornando um sucesso instantâneo. A versão original utilizava uma versão customizada do Xandros Linux, que oferecia uma interface simplificada, com acesso fácil às funções:

eee_html_m6ad977ba

O SDD era dividido em duas partições, com uma maior, de 2.6 GB, reservada à imagem do sistema e outra de apenas 1.4 GB para arquivos e configurações. as duas partições eram montadas usando o UnionFS, que permitia que todas as alterações fossem salvas diretamente na partição de dados, sem modificar os arquivos na partição principal. A vantagem desse sistema era que você podia reverter o sistema ao estado original em caso de problemas (bastava pressionar F9 na tela de boot e usar o “Restore Factory Settings”), eliminando a necessidade de reinstalar o sistema em caso de problemas.

Embora o sistema fosse fácil de usar e a idéia do sistema de restauração fosse muito boa, o índice de rejeição foi relativamente alto (como seria de se esperar, já já que muitos precisavam rodar aplicativos Windows diversos, ou simplesmente não gostavam da interface), o que levou ao aparecimento de versões com o Windows XP.

Assim como no Classmate, o Eee era baseado no Celeron ULV, que era o processador de baixo consumo mais barato dentro da linha da Intel. Ele era ultrapassado mesmo para os padrões da época, baseado no core Dothan e ainda produzido usando a técnica de 0.09 micron, mas oferecia um desempenho razoável (em grande parte devido ao cache L2 de 512 KB).

Pouco depois, foi lançado o Eee PC 900, que manteve o mesmo formato básico, mas se tornou um pouco maior, acomodando uma tela de 8.9″ de 1024×600 e um touchpad mais confortável, que corrigiram duas das principais limitações do Eee original.

Outra mudança foi a inclusão de um segundo SSD de 8 GB (na versão com o Windows XP) ou 16 GB (na versão com Linux, complementando o SSD primário de 4 GB. A divisão permitiu que a Asus utilizasse chips de memória Flash mais lentos (porém mais baratos) no segundo SSD, reduzindo os custos.

Este segundo SSD é instalado no slot Express Mini dentro do compartimento do módulo de memória, o que permite que ele seja substituído. Entretanto, como SSDs nesse formato são muito raros, é mais comum usar um cartão de memória.

Assim como em um HD com duas partições, a idéia era que o SSD de 4 GB fosse usado para instalar o sistema e o outro fosse usado exclusivamente para armazenar arquivos, tarefa onde a baixa velocidade de gravação não atrapalhasse muito.

Outra diferença entre os dois modelos era o clock do processador. Ambos eram baseados no mesmo Celeron ULV de 900 MHz, mas no Eee 701 ele era underclocado para 630 MHz (devido ao dissipador subdimensionado), o que comprometia o desempenho. É possível fazer “overclock” do Celeron no Eee 701, aumentando ligeiramente a frequência, mas o aumento na dissipação faz com que ele se torne instável.

O primeiro modelo da Asus com o Atom foi o Eee 900A, um modelo idêntico ao 900, mudando apenas o processador, com o Celeron dando lugar ao Atom N270. Ele foi rapidamente sucedido pelo Eee 901, que manteve o mesmo formato básico do 900, incluindo a mesma tela de 8.9″ e o mesmo teclado, mas passou a utilizar um design bem diferente (os mesmos traços que deram origem à série 1000, mas em um formato menor) e um acabamento sensivelmente melhorado:

eee_html_m4fb1748c

A bateria de 4 células usada nos modelos anteriores deu lugar a uma de 6 células o que, combinado com a redução no consumo do processador, elevou a autonomia para a casa das 5 horas. Outra mudança foi a troca da placa wireless B/G com chipset Atheros por uma B/G/N baseada no Ralink RT2860.

O maior problema com a mudança no formato foi o aumento no peso (que foi de 990 gramas no Eee 900 para 1.14 kg) e o ligeiro aumento no tamanho, características que foram acentuadas nos modelos seguintes.

Assim como o 900, o Eee 901 foi lançado em duas versões, uma com Linux e um SSD de 20 GB (4 + 16 GB) e outra com o XP e um SSD secundário menor, totalizando apenas 12 GB (4 + 8 GB). As duas versões eram vendidas pelo mesmo preço (a diferença no custo do SSD correspondia aproximadamente ao custo da licença do Windows), o que fez com que a versão Linux fosse de longe a mais vendida.

Entretanto, esta foi a última versão na qual a Asus fez algo similar. Vendo que perderia terreno, a Microsoft fez uma proposta irrecusável, baixando o custo das licenças para um valor não especificado e fazendo algumas concessões adicionais. A Asus continuou oferecendo versões dos modelos subsequentes do Eee com Linux, mas elas passaram a custar o mesmo preço das com Windows.

O Eee 901 acabou tendo vida curta, pois foi rapidamente substituído pelos modelos da série 1000, que incluem uma tela de 10″ (1024×600) e um teclado bem mais confortável, com 92% do tamanho de um teclado regular.

Alguns se queixaram do aumento no tamanho, mas no geral a recepção aos novos modelos foi boa, o que incentivou outros fabricantes a lançarem modelos com telas de 10″:

eee_html_m285419b8

Curiosamente, o Eee 900 e o 701 continuaram sendo vendidos por mais tempo, já que eram mais baratos. O 701 chegou a ser vendido no Brasil por menos de 700 reais, acabando por cumprir (embora com atraso) a função de mini-notebook de baixo custo.

A configuração dos modelos da série 1000 continua sendo a mesma, com o Atom N270 e o 945GSM, 1 GB de RAM, rede wireless B/G/N, leitor de cartões e a tradicional webcam. Entretanto, o peso aumentou para 1.33 kg no Eee 1000 original (com SSD) e em seguida para 1.45 kg nos modelos com HD mecânico, fazendo com que eles se tornassem os netbooks mais pesados do mercado.

Por outro lado, a bateria de seis células (de 4.400 a 6600 mAh, de acordo com o modelo) oferece de 4 a 6 horas de uso moderado, uma das melhores marcas não apenas entre os netbooks, mas entre os portáteis em geral.

O número de variações dentro da série é suficiente para deixar qualquer um com o cabelo em pé, por isso vamos a uma lista rápida:

Eee 1000: O modelo original, vem com 40 GB de memória Flash (um SSD de 8 GB para o sistema e outro de 32 GB para arquivos) e Linux pré-instalado. Ele saiu rapidamente de circulação, por ser muito caro.

Eee 1000H: A versão com HD mecânico (80 GB) e Windows pré-instalado. Foi lançado juntamente com o 1000 e também foi logo substituído pelos modelos seguintes.

Eee 1000HA: Versão com HD de 160 GB. Uma pequena desvantagem em relação ao 1000H é que ele utiliza uma placa wireless B/G, sem suporte ao 802.11n.

Eee 1000HD: É uma versão de baixo custo, que utiliza o Celeron 900 no lugar do Atom e um HD de apenas 80 GB. O desempenho não é tão diferente, mas a autonomia da bateria é reduzida em quase 30%. A Asus lançou também uma versão com tela de 8.9″, o 904HD.

Eee 1000HE: Esta é uma versão levemente aprimorada, que utiliza o Atom N280 (1.66 GHz), um teclado redesenhado, com teclas similares às usadas nos MacBooks e em alguns modelos da Sony e uma bateria de 8700 mAh, que oferece cerca de 8 horas de uso moderado (as especificações falam em 9.5 horas, mas como sempre a autonomia em situações reais de uso é sempre menor).

A série 1000 foi sucedida pelo 1002HA, um modelo mais caro, cujo principal diferencial é o design. O plástico dos modelos anteriores foi substituído por um case de alumínio anodizado, com detalhes em cromo. Ele é quase do mesmo tamanho que o Eee 1000HA, mas é mais leve (com, 1.2 kg) e mais fino, sem o “calombo” da bateria, que foi movida para um compartimento interno:

eee_html_m77976e21

Entretanto, a redução teve um preço. Em vez de utilizar uma bateria Li-Ion de 6 células de 7.2V e 5800 mAh, como a encontrada no Eee 900, a Asus optou por utilizar uma Li-poly de duas células, com apenas 4200 mAh, o que corresponde a uma redução de quase 28% na capacidade.

Como em outros netbooks, o Eee 1002HA utiliza um HD mecânico de 2.5″ e único módulo de memória DDR2. Ele vem com 1 GB de fábrica e você pode atualizá-lo para até 2 GB, substituindo o módulo. Entretanto, os 2 GB só serão úteis ao rodar Linux ou o Vista/Windows 7, já que o XP Home que vem pré-instalado limita o uso de memória a apenas 1 GB, como parte das restrições artificiais impostas pela Microsoft.

Como de praxe, é possível encontrar lojas que já o vendem com o módulo de 2 GB, o que acaba sendo um upgrade aconselhável, considerando o pequeno acréscimo no custo.

A tela é um LCD de 10″ com iluminação por LEDs, que mantém os tradicionais 1024×600 mas é levemente menor que o usado nos modelos da série 1000, que utilizam telas de 10.2″. Diferente de outros notebooks, ela utiliza acabamento fosco, que é uma característica positiva nesse caso, já que elimina as reflexões.

Telas com acabamento glossy são interessantes em notebooks maiores, onde você pode ficar com a tela mais na vertical, evitando as luzes do ambiente, mas não são tão interessantes nos netbooks, onde você olha a tela em um ângulo mais longe do ideal.

O 1002 HA é também um dos primeiros modelos da série a incluir um transmissor Bluetooth 2.1 integrado (um Azureware AW-BT253), eliminando a necessidade de usar um transmissor externo. Pode parecer estranho que com tantas opções de transmissores USB baratos a maioria dos portáteis ainda venham sem Bluetooth, mas na verdade é que os transmissores Bluetooth internos são ainda bem mais caros, devido ao baixo volume de produção, chegando a custar mais de 10 dólares para os fabricantes.

Isso criou um ciclo vicioso, em que os fabricantes ficam receosos em adicionar o transmissor interno, com medo de que o aumento no preço prejudique as vendas e os compradores acabam preferindo os transmissores USB, que por serem produzidos aos milhões, são bem mais baratos.

Outro detalhe com relação aos transmissores bluetooth internos é que eles substituem o módulo do modem discado, que é ainda usado em alguns modelos (surpreendentemente, o acesso discado é ainda uma modalidade de acesso muito popular nos EUA, onde a AOL é ainda bastante popular). Existem módulos que incorporam ambas as funções, mas eles são ainda mais caros e por isso pouco usados.

Mantendo a confusão em torno dos modelos criada pela Asus, existem duas versões diferentes do 1002 HA. A mais antiga é baseada no Atom N270 e utiliza um teclado similar ao do Eee 1000 HA, enquanto a série mais recente é baseada no Atom N280 (o que garante um desempenho levemente superior) e utiliza um teclado com teclas rasas, similar ao usado no MacBook e em alguns modelos da Sony.

Concluindo, temos o 1008HA, outro modelo desenvolvido com foco no design. Ele tem um visual claramente inspirado no MacBook Air, é é um dos modelos mais leves da safra atual, com 1.13 kg. A configuração básica é a mesma dos demais modelos, com o Atom N280 e o 945GME, combinados com um HD de 160 GB, wireless B/G/N e 1 GB de memória DDR2. Ele também utiliza a mesma tela de 10″ e um teclado bastante similar aos modelos anteriores:

eee_html_6dac8917

O ponto fraco (além do custo) é a bateria, uma Li-poly não-removível de apenas 2.900 mAh, que não resiste a três horas de uso intensivo.

Tanto o 1002HA quanto o 1008HA vêm com o Windows XP pré-instalado. Existem versões com Linux, mas elas são produzidas em pequeno volume e custam o mesmo valor. Entretanto, diferente do que tínhamos na época do Eee 701, é muito simples instalar o Ubuntu 9.04 ou outras distribuições atuais.

Com exceção de algumas das teclas de atalho e do botão para alterar os perfis de gerenciamento de energia, tudo funciona diretamente, incluindo a rede wireless, o gerenciamento de energia do processador (o clock é reduzido para 1.0 GHz nos momentos de inatividade), a aceleração 3D e o Bluetooth. O multitapping do touchpad também funciona, com um toque de três dedos por exemplo, você obtém um clique com o botão direito.

Além de instalar sistema no HD0 (substituindo o Windows ou em dual-boot com ele), é possível também instalar o sistema em uma cartão de memória SD, sem modificar o conteúdo do HD. Nesse caso, basta escolher o cartão durante a instalação e configurar o BIOS para ar boot através dele.

Sobre o Autor

Redes Sociais:

Deixe seu comentário

X