Um dos produtos de maior sucesso da Adobe é o Flash, queira ou não. A larga adoção dele nos vários anos em que os desktops reinavam sem concorrentes para acesso à web reflete bem o poder da ferramenta. Conceitos como ser “bom” ou “ruim” são bastante subjetivos. Mesmo com tantos problemas de estabilidade, desempenho e até segurança, muitos provedores de conteúdo acabam dependendo do Flash para entregar material aos usuários na web, sejam animações ou vídeos – isso não dá para negar.
Para vídeos a substituição do Flash no cliente é bem mais fácil do que para animações, em que o HTML 5 ainda engatinha (e a Adobe sabe que terá que aproveitar a onda – mais aqui).
O maior obstáculo na história do Flash foi a Apple com seus iCoisa (iPod touch, iPhone e iPad). A Apple sempre recusou o Flash. Para ver vídeos é necessário entregar o vídeo de forma que o player do sistema possa tocá-lo, uma versão mobile do Quicktime. A Adobe tentou muitas vezes convencer a Apple, mas deu a guerra como perdida, não tem como.
Em plataformas mais liberais, como o Android, o Flash tem passe livre. Mas isso não garante a satisfação dos usuários: geralmente o Flash é lento, consome muito processamento – reduzindo a duração da bateria – e seus problemas afetam a experiência na maioria dos smartphones, fazendo com que ele seja “odiado” por muita gente.
Bem, seja como for, a Adobe mostrou mais uma vez que está preparada para perder a guerra com o lançamento do Flash Media Server 4.5.
Se ela não pode rodar Flash no cliente então continuará rodando no servidor, porém entregando conteúdo compatível com o iOS.
A nova versão do Flash Media Server entregará vídeos via HTTP Dynamic Streaming ou HTTP Live Streaming, possibilitando que os mesmos rodem no iOS como um vídeo nativo, mas usando o Flash Player nos desktops e em outros dispositivos compatíveis.
Você pode questionar o motivo pelo qual os provedores de conteúdo não usam logo o HTML 5 ou simplesmente fornecem um link direto para o arquivo. O maior problema é que essa forma não oferece proteção. O Flash e o Silverlight garantem aos produtores de conteúdo que seus vídeos originais não serão capturados e disponibilizados sem proteção posteriormente, sendo uma medida de combate à pirataria.
É claro que qualquer um pode fazer um screencast e capturar a transferência assim como se grava vídeos da TV ou músicas do rádio, mas a qualidade em geral não será a mesma do arquivo original.
Apenas para lembrar: isso é basicamente para vídeos entregues pelo Flash Media Server, não qualquer coisa em Flash. Joguinhos ou animações em Flash, players personalizados, etc, nada disso rodará no iOS.