Ontem (6), o Google recebeu uma multa recorde do governo da França pelo valor de US$ 170 milhões, quase R$ 1 bilhão (R$ 967.8) devido às práticas da empresa que dificultam a rejeição de cookies no mecanismo de busca.
Caso você não faça ideia do que são os cookies, a gente te explica. Cookies não são biscoitos que o Google oferece, mas, sim, pequenos arquivos de dados que armazenam as informações sobre sua atividade online.
Esses pequenos arquivos são usados pelo Google e por outras empresas para manter seus usuários logados e registrar suas preferências de uso.
Contudo, o artigo 82 da Lei de Proteção de Dados do governo da França adverte que os usuários possuem o direito de rejeitar o rastreamento via cookies durante suas atividades online.
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Além disso, as empresas são responsáveis por criar mecanismos de escolha de rastreio via cookies que possam ser facilmente utilizados pelos usuários.
Em um comunicado publicado ontem (6), o órgão responsável pela proteção de dados do governo da França, a CNIL (Comissão Nacional de Informática e Liberdade), afirmou que o mecanismo de busca do Google, bem como o YouTube, subsidiária do Google, impuseram dificuldades aos usuários franceses para rejeitar cookies. Em contrapartida, a opção de aceitar os cookies é bem fácil.
Com isso, temos mais um capítulo da caça às bruxas por parte das autoridades europeias. Neste caso, as bruxas são as grandes empresas de tecnologia, como Amazon, Google e Facebook, que já receberam multas anteriormente por questões similares.
Além do Google, Facebook também foi multado pelo governo da França
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Em um segundo comunicado, a CNIL revelou que, além do Google, o Meta, empresa-mãe do Facebook, foi multada em US$ 68 milhões (R$ 386,8 milhões). A justificativa da multa foi a mesma: dificultar a rejeição de cookies de rastreio.
Além disso, de acordo com a CNIL, ambas as empresas facilitam a opção de aceitar o rastreamento através de cookies com “apenas um clique”. Por outro lado, a opção de rejeitar é mais complicada.
Agora, Google e Facebook têm três meses para alterar a forma como os seus cookies operam ou serão passíveis de multas diárias no valor de US$133 mil (R$ 644,5 mil)
Outra relação entre Google e Facebook, é o fato de ambas as sedes das empresas serem na Irlanda. Portanto, de acordo com as regras do GDPR, somente a agência regulatória do país em que uma empresa está sediada pode tomar providências cabíveis.
Neste caso, assim como o do WhatsApp, em setembro de 2020, a função fica a cargo da Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC), já que ambas as empresas estão legalmente sediadas em Dublin, capital da Irlanda.
União Europeia versus Big Tech: uma batalha que está apenas começando
Desde quando entrou em vigor, em 2018, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados a União Europeia, ou GDPR, passou a incomodar as gigantes da indústria de tecnologia.
Em setembro de 2020, WhatsApp e Facebook receberam multas equivalentes a R$ 1,5 bilhão devido às políticas de privacidade do app de mensagens instantâneas. Antes disso, em julho, a Amazon foi multada pelo mesmo motivo, com o valor recorde de R$ 5 bilhões.
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- Amazon terá que pagar multa de US$ 888 milhões por vazamento de dados
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No entanto, em relação aos cookies, as multas foram mais brandas. Em dezembro de 2020, a CNIL multou a Amazon e o Google por R$ 255 milhões e R$ 655 milhões, respectivamente, com base em violações nas diretrizes do GDPR em relação ao uso de cookies.
A batalha entre a UE e as grandes empresas de tecnologia é marcada por aplicações de multas e investigações sobre privacidade e monopólio. No entanto, as empresas discordam dos métodos supracitados.
Sobre a multa desta semana, um representante do Google disse ao site Politico que “as pessoas confiam no respeito que a empresa tem pelos seus direitos à privacidade”.
“Nós compreendemos a nossa responsabilidade de proteger tal confiança e estamos comprometidos a realizar mudanças, bem como trabalhar com a CNIL tendo essa decisão [multa] em vista”, finalizou o porta-voz do Google.
O Meta também comentou a decisão, através de um porta-voz, mas de maneira menos complacente que o Google. A empresa de Zuckerberg afirmou estar avaliando a decisão do órgão francês.
“Nossos controles de consentimento de cookies oferecem às pessoas um maior controle sobre seus dados, incluindo um novo menu de configurações no Facebook e no Instagram, onde os usuários podem revisar e gerenciar suas decisões a qualquer momento, e iremos continuar a desenvolver e aprimorar esses controles”, finalizou o Meta.
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