Procon multa lojas por vender iPhone sem carregador

Desde que a Apple decidiu comercializar os iPhones sem os carregadores que a empresa enfrenta processos por parte do Procon. Por exemplo, em agosto o órgão multou a Maçã em R$ 12 milhões justamente por vender os iPhones sem o acessório para carregamento. Porém, a Apple não é o único alvo do Procon.

O Procon de Uberaba, em parceria com o Procon-MG, resolveu fiscalizar algumas lojas de produtos eletrônicos. Das 10 lojas visitadas, 9 foram multadas por venderem o iPhone sem o carregador na caixa. As multas foram de até R$ 20 mil.

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O maior rigor do Procon nas fiscalizações se deve ao número elevado de reclamações que o órgão vem recebendo desde maio. No entanto, essa não é a primeira vez que a Justiça brasileira entra em conflito com a Apple a respeito dessa decisão.

Aqui mesmo no Hardware.com.br nós já publicamos algumas notícias com decisões desfavoráveis à Apple. Por exemplo, em setembro o Ministério da Justiça proibiu a venda de iPhone sem carregador no Brasil. A marca recorreu da decisão. E em outubro a Apple foi novamente multada pelo mesmo motivo, dessa vez no valor de R$ 100 milhões, pela 18ª Vara Cível de São Paulo.

Em todos os casos citados acima, as multas foram aplicadas diretamente à Apple. Na ação do Procon de Uberaba, as multas foram aplicadas às lojas que vendem os iPhones. Daí surge a pergunta: será que esse tipo de ação é justa? Afinal de contas, os comerciantes não tem nada a ver com as decisões da Apple de incluir ou não um carregador.

Procon pode multar as lojas por causa de uma decisão da Apple?

Procon tem legitimidade para fiscalizar e multar lojistas

Eu, no lugar dos donos dessas lojas mineiras, ficaria com muita raiva do Procon. Qual a culpa que o comerciante tem das decisões de uma empresa bilionária cuja sede nem é localizada no Brasil?

Porém, de acordo com o advogado especializado em direito do consumidor, Bruno Boris, o Procon possui sim legitimidade para determinar que as lojas interrompam a comercialização dos iPhones (e de qualquer outro produto que não esteja em conformidade com as leis brasileiras).

Victor Hugo Pereira Gonçalves, presidente do Instituto Sigilo, compartilha da mesma opinião: “O Procon tem como atuar e punir quem revende [o iPhone] em nome da Apple. Então, o Procon pode multar, sim, as lojas, porque estão agindo com responsabilidade solidária à própria Apple”.

Segundo o Procon-MG, a venda do iPhone sem o acessório para carregamento se enquadra em “venda casada”. Afinal de contas, para utilizar o aparelho é necessário ter um carregador. O órgão também enquadra a prática em outras tipificações previstas em lei, tais como:

  • Venda de produto incompleto ou despido de funcionalidade essencial;
  • Recusa da venda de produto completo mediante discriminação contra o consumidor;
  • Transferência de responsabilidade a terceiros.

O que os lojistas devem fazer?

A Apple não envia o carregador na caixa desde 2020, com o lançamento do iPhone 12. Porém, algumas pessoas ainda são pegas de surpresa. Por isso, o papel do revendedor é informar o cliente antes da compra que o produto não possui carregador. Afinal de contas, a inclusão do carregador na caixa sempre foi uma prática comum e inquestionável no mercado.

Portanto, no caso dos aparelhos que fogem dessa regra (a Apple não é a única, vale a pena lembrar), o lojista deve informar o cliente de maneira clara. Bruno Boris complementou:

Particularmente até entendo que a Apple possa vender o aparelho sem o carregador, com algum desconto ao consumidor, por exemplo, deixando à escolha dele a opção de adquirir o produto com ou sem o carregador. Todavia, pelas decisões administrativas e judiciais, essa comunicação clara ao consumidor e aos órgãos de proteção e defesa do consumidor parece ter sido insuficiente ou apresentado algum ruído.”

É importante salientar, também, que foram emitidas liminares autorizando a comercialização dos iPhones sem carregador pelas revendedoras. Portanto, por mais que o Procon tenha legitimidade para fiscalizar e multar, os lojistas devem procurar seus direitos na justiça.

Fonte: Mobile Time

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 26/10/2022 15:44

Felipe Alencar: Cearense. 34 anos. Apaixonado por tecnologia e cultura. Trabalho como redator tech desde 2011. Já passei pelos maiores sites do país, como TechTudo e TudoCelular. E hoje cubro este fantástico mundo da tecnologia aqui para o HARDWARE.
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