Você pode assistir a A Odisseia em IMAX no Brasil, mas não na qualidade máxima planejada por Nolan; entenda em detalhes as diferenças entre os formatos

Você pode assistir a A Odisseia em IMAX no Brasil, mas não exatamente da forma como Christopher Nolan imaginou para a melhor experiência. Embora o país conte com diversas salas IMAX, como o UCI New York City Center, no Rio de Janeiro; o Cinépolis JK Iguatemi, em São Paulo; o Cineart Boulevard, em Belo Horizonte; e o IMAX Palladium, em Curitiba, todas elas utilizam sistemas de projeção digitais. Nenhuma é equipada com o sistema IMAX 70 mm em película, formato escolhido por Nolan para filmar integralmente seu novo longa.

Essa diferença vai muito além da forma como a imagem chega à tela. Ela envolve projetores que praticamente deixaram de ser fabricados, uma gigantesca película de 70 milímetros, salas especialmente construídas para esse formato e uma infraestrutura que hoje sobrevive em apenas 41 cinemas comerciais espalhados pelo mundo.

Mas, para entender por que Christopher Nolan continua travando essa batalha em defesa do IMAX 70 mm, é preciso voltar um pouco na história. 

Independente se você gosta ou não dos filmes do diretor britânico, ele já tem um legado para se orgulhar que é impossível não reconhecer. É o grande defensor e propagador de uma das tecnologias mais imersivas que realmente fazem com que o cinema entregue uma experiência radicalmente diferente do que voce pode ter em em casa ou em salas convencionais: o IMAX.

 

Ao longo dos últimos anos, o cineasta não apenas passou a utilizar câmeras IMAX em seus principais trabalhos como também transformou o formato em um diferencial comercial. A cada novo lançamento, milhares de espectadores procuram especificamente uma sessão IMAX e, muitas vezes, aceitam pagar mais caro pelo ingresso por saberem que aquela é a experiência de exibição priorizada pelo diretor.

Com A Odisseia, essa relação chegou ao seu ponto máximo. O longa é o primeiro da história filmado integralmente com câmeras IMAX de película, utilizando uma nova geração do equipamento desenvolvida especialmente para tornar esse projeto possível, incluindo a nova IMAX Keighley Film Camera, uma geração menor e mais silenciosa do equipamento desenvolvida para ampliar as possibilidades de captação nesse formato.

A grandiosidade da produção não está apenas na adaptação do poema épico atribuído a Homero, mas também em todo o aparato técnico empregado durante as filmagens. O conjunto formado pela câmera IMAX, pelas lentes, pelo compartimento que armazena a película, pelo invólucro acústico (blimp), responsável por reduzir o ruído do mecanismo interno, e pelos demais acessórios necessários para a gravação pode chegar a aproximadamente 136 quilos.

Apesar da popularidade conquistada nos últimos anos, o IMAX está longe de ser uma tecnologia recente. Quando Christopher Nolan lançou seu primeiro longa-metragem, Following, em 1998, o formato já acumulava décadas de desenvolvimento e reconhecimento dentro da própria indústria cinematográfica. Para se ter uma ideia, em fevereiro de 1997, quando Nolan ainda nem havia estreado como diretor de longas, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas concedeu um Oscar de Mérito Científico e Técnico a um dos sistemas de projeção IMAX de 70 mm. O prêmio reconhecia a importância da tecnologia para a evolução da exibição cinematográfica muitos anos antes de ela se tornar conhecida do grande público.

Um formato conhecido, mas cada vez mais raro

E é nesse gancho que podemos começar a entender por que apenas alguns cinemas no mundo conseguem exibir a badalada projeção IMAX em 70mm, tão alardeada por Nolan. Em números, estamos falando de apenas 41 salas de cinema em todo o mundo que conseguem exibir A Odisseia nesse formato específico. A maior concentração está nos Estados Unidos, que reúnem 24 delas. O Canadá aparece em seguida, com seis salas, enquanto Reino Unido, Bélgica, República Tcheca, França, Itália e Austrália completam a lista. O Brasil, por outro lado, não possui nenhuma.

Essa distribuição desigual não aconteceu por acaso. Durante muitos anos, existiam mais de 200 projetores IMAX 70 mm instalados em salas do tipo IMAX GT (Grand Theater) espalhadas pelo mundo. A maior parte delas funcionava em museus e centros de ciência, onde o formato era utilizado principalmente para exibir documentários sobre natureza, exploração espacial e outros conteúdos educativos.

A partir dos anos 2000, porém, a projeção digital começou a substituir rapidamente a película. Os enormes projetores IMAX de 70 mm exigiam manutenção especializada, operadores treinados e uma infraestrutura muito mais complexa do que a dos sistemas digitais. Em consequência, boa parte desses equipamentos foi desativada, armazenada, vendida ou simplesmente descartada.

Mas é importante frisar que não existem apenas 41 salas de projeção em IMAX no mundo, esse recorte é sobre o IMAX 70mm. A rede IMAX conta hoje com mais de 1.800 salas espalhadas por dezenas de países. A enorme maioria delas utiliza sistemas de projeção digital, incluindo a tecnologia IMAX Laser, que emprega dois projetores 4K a laser para entregar mais brilho, contraste e fidelidade de cores. É justamente esse o caso de algumas das salas mais modernas da Europa, como o cinema Odeon Oslo, na Noruega. Apesar de oferecer uma experiência premium e exibir filmes em IMAX, ele utiliza projeção digital a laser, não película de 70 mm.

O Brasil segue exatamente essa mesma lógica. As salas IMAX instaladas no país utilizam projeção digital. Algumas delas já passaram a operar com sistemas IMAX with Laser, mas nenhuma dispõe da projeção em película IMAX 70 mm utilizada nas salas que oferecem a experiência máxima idealizada para filmes como A Odisseia.

Por aqui, a sala de destaque é a da Cinépolis que fica no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Inagurada no ano passado, a sala é a única da América Latina patrocinada pela própria IMAX. Como explicou Mohamad Soueid, Head de TI da Cinépolis Brasil, “neste formato, utilizamos um projetor a laser significativamente maior do que os convencionais, uma tela com tecnologia 3D específica e dimensões impressionantes – cerca de 20 metros de largura por 18 metros de altura –, além de mais canais de som, o que torna a experiência ainda mais imersiva”. 

O selo IMAX engloba diferentes tecnologias de projeção. Embora todas ofereçam uma experiência superior à de um cinema convencional, elas não são iguais. Em uma escala crescente de recursos, o IMAX trabalha hoje com quatro formatos principais:

  • IMAX Digital
  • IMAX Laser
  • IMAX GT Laser
  • IMAX 70 mm.

A diferença vai além da resolução da imagem. Os sistemas GT Laser e IMAX 70 mm são os únicos capazes de preencher a gigantesca tela na proporção 1,43:1, considerada a experiência máxima da empresa. Já o IMAX Digital e o IMAX Laser convencional utilizam uma área menor da tela, normalmente na proporção 1,90:1.

 

Para que o número de salas de projeção em 70mm aumentasse seria necessário que a produção desses projetores especiais retornasse, mas o que aconteceu foi o oposto. Segundo Richard Gelfond, CEO do IMAX, não faz sentido, do ponto de vista comercial, produzir novos equipamentos desse tipo. Em vez disso, a estratégia tem sido restaurar e manter em funcionamento os projetores históricos que ainda sobreviveram.  Construir do zero um projetor IMAX 70 mm exigiria recuperar uma cadeia industrial praticamente extinta, produzir peças específicas e formar técnicos capazes de instalar, operar e manter equipamentos extremamente complexos. Estimativas indicam que a recuperação e a instalação de um único sistema podem chegar a cerca de US$ 1,2 milhão, mesmo sem o desenvolvimento de um projetor inteiramente novo.

Tudo isso para atender a uma quantidade muito pequena de lançamentos. Apesar de toda a atenção recebida por filmes como Oppenheimer e A Odisseia, são raras as produções que recebem cópias em IMAX 70 mm. Na prática, um cinema precisaria investir milhões de dólares em uma tecnologia que talvez fosse utilizada em apenas um grande lançamento durante todo o ano, e que, no restante do tempo, ficaria parada ou seria substituída pela projeção digital.

A realidade de alguns cinemas mostra por que essa conta se tornou tão difícil de fechar. Em Nuremberg, na Alemanha, por exemplo, o complexo Cinemagnum 3D ainda preserva boa parte da infraestrutura construída para a era do IMAX 70 mm. O gigantesco projetor analógico permanece instalado na cabine, acompanhado da tela de proporção 1,43:1 e de outros elementos originais da sala inaugurada em 2001. Apesar disso, o sistema de película deixou de ser utilizado há muitos anos. Desde 2010, o cinema opera com projetores digitais a laser e sistema de som Dolby Atmos. A enorme tela continua recebendo exibições, mas já não é explorada em todo o seu potencial, enquanto o antigo projetor IMAX 15/70 permanece como uma espécie de peça histórica dentro da cabine de projeção.

O relato de um visitante que conheceu o local resume bem essa transição. Segundo ele, a cabine parece ter parado no tempo, um antigo rolo de filme continua montado no projetor, cercado por ferramentas e pequenos objetos deixados pelos operadores, como se a equipe tivesse saído dali no dia anterior. A cena ilustra como parte da infraestrutura do IMAX 70 mm permanece preservada, mesmo sem desempenhar mais a função para a qual foi construída.

O IMAX 70 mm não existe apenas por causa de Nolan, mas nenhum outro diretor contemporâneo conseguiu transformar o formato em um acontecimento comercial com a mesma frequência. Nolan filma pensando nessa projeção, convence os estúdios a produzir e distribuir as cópias e mobiliza espectadores a pagar mais caro para assistir à versão em película. Alguns enfretam até um certo perrengue para isso. Como esse expectador que disse que fez uma viagem de quatro horas para assistir ao longa no cinema AutoNation IMAX em Fort Lauderdale, na Flórida. Ele resumiu sua felicidade assim: “eu jamais esquecerei essa experiência e quero voltar assim que puder”.

Nem todas as salas IMAX 70 mm são iguais

Mesmo entre as poucas salas que ainda utilizam projeção IMAX 70 mm, nem todas entregam exatamente a mesma experiência.

Isso acontece porque existem diferentes gerações e configurações de projetores. Os modelos GT (Grand Theater) foram desenvolvidos para as gigantescas salas IMAX construídas especificamente para esse formato. Eles utilizam lâmpadas muito mais potentes, capazes de iluminar telas enormes com níveis superiores de brilho e uniformidade.

Já os modelos SR (Small Rotor) foram criados para adaptações em cinemas menores. Eles ocupam menos espaço, utilizam uma fonte de luz menos potente e foram pensados para salas que receberam o sistema IMAX posteriormente, sem terem sido projetadas originalmente para ele. Na prática, isso significa que duas salas equipadas com projetores IMAX 70 mm podem oferecer experiências bastante diferentes. Um cinema construído desde o início para o padrão GT tende a proporcionar uma imagem mais brilhante, uma tela significativamente maior e uma sensação de imersão ainda mais intensa do que instalações adaptadas posteriormente.

Mas, afinal, como funciona uma projeção em 70mm?

A primeira grande diferença está justamente na forma como o filme chega ao cinema. Enquanto uma cópia digital pode ser distribuída via DCP, satélite ou transferida pela internet, como já explicamos neste artigo, uma cópia em IMAX 70 mm precisa ser transportada fisicamente em enormes rolos de película. No caso de A Odisseia, cada cópia não chega pronta em um único rolo. Ela é enviada em três grandes estojos de transporte, cada um contendo uma parte do filme. Já no cinema, técnicos especializados unem essas três seções em um único rolo contínuo por meio de um processo conhecido como splicing, reduzindo o trabalho de montagem em comparação com o envio de dezenas de bobinas menores.

 

O tamanho da cópia é tão grande que algumas salas precisaram instalar novamente os chamados platter extenders, estruturas que ampliam o prato giratório responsável por sustentar o rolo completo durante a projeção. Esses extensores foram desenvolvidos originalmente para a exibição de Oppenheimer e voltaram a ser necessários agora em A Odisseia, já que a película é grande demais para caber nos sistemas convencionais.

Existe, porém, um ponto que costuma confundir muita gente. Apesar do nome “IMAX 70 mm”, os filmes não são gravados em película de 70 milímetros. As câmeras utilizam negativo de 65 mm, enquanto as cópias destinadas às salas de cinema possuem 70 mm de largura. Esses cinco milímetros adicionais surgiram historicamente para acomodar as faixas magnéticas de áudio utilizadas nas antigas cópias de exibição, além de outras padronizações do processo. Hoje, porém, o áudio das projeções IMAX 70 mm é reproduzido digitalmente e sincronizado ao projetor, enquanto a imagem continua sendo registrada no negativo de 65 mm.

Outra característica que torna esse formato único é a orientação da película. Enquanto o cinema convencional movimenta o filme na vertical e utiliza quatro perfurações por fotograma, o IMAX faz a película atravessar o projetor na horizontal, utilizando 15 perfurações para cada quadro. Isso faz com que cada fotograma tenha uma área quase dez vezes maior do que a de um filme tradicional de 35 mm, motivo pelo qual muitos especialistas comparam seu nível de detalhe a algo entre 16K e 18K, embora essa equivalência não seja direta.

 

Toda essa quantidade de película precisa ser montada manualmente antes da estreia. Técnicos especializados passam horas preparando os enormes rolos que serão utilizados durante as sessões.

 

Recentemente, a Cinemark publicou um vídeo mostrando justamente esse processo em sua unidade de Dallas, uma das poucas do mundo capazes de exibir A Odisseia em IMAX 70 mm. O vídeo chamou atenção pelo tamanho da película, mas também acabou gerando uma pequena confusão. A rede informou que cada cópia teria 2,1 milhões de pés (cerca de 640 quilômetros) de película. Na realidade, esse número corresponde à quantidade total de filme Kodak utilizada por Christopher Nolan durante toda a produção de A Odisseia.

 

A cópia exibida em cada cinema mede cerca de 58 mil a 60 mil pés, o equivalente a aproximadamente 18 quilômetros de película, ainda assim uma das maiores já distribuídas comercialmente. A própria Kodak revelou que, além de fornecer mais de 2 milhões de pés de película 65 mm para as filmagens, também foi responsável por fabricar as cópias de exibição em 35 mm, 70 mm de cinco perfurações e IMAX 70 mm, preservando uma cadeia de produção em película que hoje sobrevive graças a um número muito pequeno de grandes lançamentos. Mesmo quem não conseguir assistir ao filme em uma das 41 salas IMAX 70 mm ainda pode, em alguns países, vivenciar uma projeção totalmente analógica.

 

O sistema de áudio também evoluiu ao longo das gerações. As instalações IMAX tradicionais utilizam um sistema digital de seis canais, enquanto as salas equipadas com IMAX with Laser podem contar com uma configuração de 12 canais. Essa versão acrescenta caixas laterais e superiores, ampliando a percepção de direção e altura dos sons. A experiência também depende da acústica da sala e da calibração do sistema, realizada para manter imagem e áudio ajustados às características de cada auditório.

Apenas o IMAX GT Laser e o IMAX 70 mm conseguem exibir filmes na proporção 1,43:1, preenchendo praticamente toda a altura da tela. É por isso que, ao assistir a um filme gravado pensando nesse formato, o espectador enxerga muito mais imagem acima e abaixo do enquadramento visto em um cinema convencional. Não se trata apenas de uma tela maior, mas de um campo de visão significativamente mais alto e imersivo.

 

Essa característica, porém, também divide opiniões. Depois de décadas assistindo a filmes em proporções mais largas e horizontais, algumas pessoas estranham a sensação de ocupar quase todo o campo de visão. Em discussões no Reddit, por exemplo, alguns espectadores relatam que a tela pode transmitir a impressão de estar sentado perto demais da televisão, exigindo movimentar os olhos, e, em alguns casos, até a cabeça, para acompanhar toda a ação. Outros enxergam justamente nesse aspecto um dos maiores diferenciais do formato, já que a proposta do IMAX sempre foi aumentar a sensação de presença dentro da cena. Há tópicos que discutem uma das maiores questões envolvendo a projeção IMAX. O quão ruim pode ser sentar na primeira fileira em uma projeção dessa. Um dos comentário brincou com isso resumindo da seguinte maneira: “Coloque seu celular a 5 centímetros do seu rosto e assista a um vídeo do YouTube. Vai ser mais ou menos assim”.

Existe ainda um detalhe pouco comentado quando se fala em projeção sobre película: ela também sofre desgaste. Diferentemente da projeção digital, que entrega exatamente a mesma imagem na primeira e na última sessão de exibição, uma cópia em película perde qualidade aos poucos conforme passa repetidamente pelo projetor. Com o tempo, podem surgir pequenos riscos, partículas de poeira, marcas e uma discreta perda de definição. Esse desgaste faz parte da própria natureza do filme fotográfico e explica por que muitos entusiastas preferem assistir às primeiras exibições, quando a película ainda está praticamente intacta.

Em algumas salas, o impacto, em termos de imersão, pode ser ainda mais épico, bem ao estilo da narrativa de Odisseia. É o caso do Royal Cinemas, na cidade de Pooler, no estado americano da Geórgia. O complexo abriga a maior tela IMAX do mundo, com 23,2 metros de altura e 30,8 metros de largura. Em uma sala desse porte, a proposta original do formato fica ainda mais evidente, preencher praticamente todo o campo de visão do espectador e aumentar a sensação de escala das cenas.

Watching the Odyssey at the world’s tallest IMAX
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u/Sorry4YourLoss in
imax

O youtuber Kaustubh Debnath do canal KDCloudy foi a uma das sessões de A Odisseia em 70mm, e relatou em um post no X a sua experiência:

 

“Se você quer entender como é a projeção em 15/70, saiba que é a projeção mais nítida que já vi. É tão NATURAL. Tão nítida quanto você se vê no espelho. Cada cena com Charlize e Matt Damon estava incrivelmente nítida , incomparável com qualquer DCP que eu já tenha visto. As cores também, alguns tons de azul e verde que acho que nunca vi digitalmente. A projeção em película existe além dos limites de pixels, profundidade de bits e compressão. Combine isso com a GIGANTESCA sala do Grand Teton, a proporção 1.43:1 que absorve todo o seu campo de visão vertical. Isso é IMAX. Essa é a promessa. Agora eu entendi. Sou verdadeiramente grato por finalmente ter tido a oportunidade de vivenciar algo pelo qual sou tão apaixonado”.

Existe ainda um último detalhe curioso que ajuda a entender por que cineastas como Christopher Nolan continuam defendendo a película em pleno século XXI.

Ao contrário do filme tradicional de 35 mm, o IMAX 70 mm utiliza uma película de 65 mm que atravessa o projetor na horizontal. Cada fotograma ocupa 15 perfurações, em vez das quatro normalmente encontradas no cinema convencional. O resultado é uma área de imagem quase dez vezes maior do que a de um quadro de 35 mm. É justamente essa enorme quantidade de informação registrada em cada fotograma que faz especialistas compararem o nível de detalhe do IMAX 15/70 a algo equivalente entre 16K e 18K,  muito acima dos 4K utilizados pela grande maioria das salas digitais atuais. Embora essa comparação não seja uma conversão direta entre película e pixels, ela ajuda a ilustrar por que esse formato preserva tantos detalhes.

Essa característica também explica outro fenômeno curioso do cinema moderno, como filmes rodados em película há décadas conseguem ser restaurados e relançados em 4K. Se você quiser entender por que isso acontece, expliquei todo esse processo em outra reportagem especial aqui do Hardware.com.br sobre a digitalização de filmes clássicos. 

Para alguns profissionais, A Odisseia representa o retorno de uma profissão que estava desaparecendo

Day One
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u/Mean-Material4568 in
imax

 

A raridade da projeção em IMAX 70 mm não afeta apenas os espectadores, ela também mudou completamente a rotina de quem trabalha atrás das cabines de projeção.

Em uma publicação compartilhada no Reddit, um projecionista contou que começou a trabalhar em um multiplex em 2005, justamente na época em que Batman Begins chegou aos cinemas em IMAX. Ele lembra do momento em que viu, pela primeira vez, um enorme rolo de película sendo içado até a cabine por meio de correntes e roldanas. Aquela cena despertou seu interesse pelo formato e acabou influenciando toda a sua carreira.

Poucos anos depois, porém, a realidade mudou. O cinema onde trabalhava removeu o sistema IMAX de película, acompanhando a migração da indústria para a projeção digital. Mesmo depois de se formar em cinema, estagiar na Warner Bros. e trabalhar por quase uma década na própria IMAX, ele acreditava que jamais teria a oportunidade de operar novamente um projetor de 70 mm.

Foi apenas agora, com A Odisseia, que esse sonho finalmente se concretizou. Segundo o projecionista, voltar a uma cabine para aprender a operar um sistema IMAX 70 mm depois de quase duas décadas foi algo que jamais imaginou viver novamente. Em sua mensagem, ele desejou boa sorte aos demais operadores de película e encerrou com uma frase que resume bem o sentimento de quem acompanha essa tecnologia desde seus tempos de ouro:

“Vida longa ao cinema e vida longa à película.”

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 22/07/2026 12:03

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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