Web móvel: Agora vai?

Há muito tempo que se prevê o crescimento no acesso móvel à web, quebrando a hegemonia dos PCs. Existem muitos motivos para alguém querer acessar a web a partir do celular ou smartphone, já que eles permitem checar informações, ler as notícias, fazer pesquisas rápidas ou colocar a leitura dos e-mails em dia enquanto se está longe do PC, funções que se enquadram bem no papel de dispositivo de comunicação.

Um bom exemplo de como o acesso móvel pode ser popular, caso as condições necessárias sejam supridas é uma pesquisa de 2008 do M:Metrics que reporta que 85% dos usuários do iPhone nos EUA usam regularmente o aparelho para navegação web, um percentual bem maior do que a média entre usuários de smartphones.

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Os três principais motivos da discrepância são o fato de que quase todos os iPhones são vendidos em conjunto com um plano de dados (muitas vezes ilimitado), que a plataforma oferece uma boa experiência de navegação e que, principalmente, que os usuários sabem que podem usar o iPhone para acessar a web. É um perfil diferente do que temos com usuários do Nokia N95 no Brasil, por exemplo, que usam o aparelho para música e jogos, mas raramente acessam a web a partir dele.

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Parte disso se deve ao marketing, que enfatiza o uso das funções de música, fotos e jogos e não o acesso à web e parte à falta de disponibilidade de tráfego de dados. É bem verdade que existem várias opções de planos de dados, mas quase sempre eles estão vinculados ao uso de um plano pós-pago, o que nos leva ao simples fato de que a maioria dos usuários no Brasil utilizam planos pré-pagos.

Ao enfatizarem os planos de acesso através de modems USB, ou apenas nos planos pós, as operadoras acabam deixando de atender essa grande massa de usuários que não quer se comprometer com mais um gasto fixo, uma situação diferente do que temos nos EUA ou na Europa, onde os planos pós-pagos são a norma.
Podemos dizer que existem três pré-requisitos para a popularização do acesso móvel no Brasil:

1- Popularização de aparelhos capazes de acessar a web
2- Disponibilidade de conexões 3G
3- Disponibilidade de tráfego de dados nos planos pré-pagos

Com relação aos aparelhos, basicamente qualquer celular moderadamente recente é capaz de rodar aplicativos Java, o que já é suficiente para ter uma plataforma básica de acesso, com o OperaMini, o Gmail e eBuddy.

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A exceção fica por conta dos celulares chineses baseados no MTK-OS (leia mais no tópico sobre celulares chineses do livro de smartphones) que não possuem suporte a 3G ou mesmo EDGE, não possuem um navegador utilizável e a grande maioria dos modelos sequer rodam aplicativos em Java. Em resumo, se você comprou um achando que estava comprando um smartphone, você caiu no conto do vigário.

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Voltando ao acesso web, outro fator é que já temos cobertura 3G em todas as capitais e na maior parte das demais cidades. A velocidade do acesso nem sempre fica dentro do que deveria (basta ver o número de reclamações por aí) mas é quase sempre suficiente para tarefas básicas. O grande problema é que falta o ingrediente principal, que são planos de acesso em valores acessíveis, sem uma mensalidade fixa.

A primeira operadora a oferecer modalidades de acesso utilizáveis para usuários dos planos de acesso foi possivelmente a Brasil Telecom, que permitia que os bônus rechonchudos dos “pula-pula” fossem usados para tráfego de dados e chegou a oferecer planos diários de acesso via EDGE por apenas R$ 1.50, para usuários de Minas Gerais. Entretanto, eles nunca foram muito divulgados e com a compra pela Oi, eles acabaram sendo descontinuados.

Em 2008 a Claro prometeu planos de acesso 3G pré-pagos, mas acabaram não levando a ideia adiante, dando espaço para a TIM, que em março anunciou o TIM Web pré-pago, onde você paga R$ 5 por dia de acesso, com uma quota de 250 MB.

Nas primeiras semanas, o plano podia ser adquirido apenas em conjunto com o modem 3G (por R$ 299), mas a TIM acabou cedendo e liberando a venda dos chips avulsos, o que fez com que ele se tornasse uma opção de baixo risco para quem quer testar o serviço ou quer uma conexão de backup, para usar quando o ADSL cair.
Apesar dos atendentes erroneamente repetirem que ele pode ser usado apenas em conjunto com o modem, você pode usá-lo em qualquer celular ou smartphone, inclusive usando o telefone como modem para acessar através do PC: https://www.hardware.com.br/dicas/planos-dados-usando-celular-como-modem.html

O valor de R$ 5 por dia realmente não é ruim, pois mesmo que você acessasse todos os dias, pagaria apenas R$ 150, o que é apenas R$ 31 a mais do que pagaria em um plano pós-pago. A principal vantagem acaba sendo a flexibilidade, já que você pode usar apenas quando precisar e mantém em aberto a opção de migrar para um dos plano pós caso resolva usar todos os dias.

A pegadinha é que a TIM resolveu criar uma série especial de chips para o acesso, em vez de simplesmente oferecer o acesso como um serviço para os chips de voz. Você precisa ir a uma loja e comprar um “chip de Internet Móvel Pré Paga”: não adianta tentar ativar o plano em um chip de voz pré-existente, nem tentar ativá-lo nos chips normais vendidos em bancas e papelarias. Ao tentar fazê-lo logando no 0800 7414141, os atendentes primeiro informam que você precisa de créditos para fazer a alteração do plano e (depois colocar créditos) passam a informar que não é possível fazer a mudança do plano e que você tem que comprar outro chip, talvez em uma estratégia para conseguir alguns reais a mais.

Outro problema é que os R$ 5 são um valor promocional. Inicialmente iria até o final de abril, mas foi sendo sucessivamente estendido. Segundo a página atual, ele vai até 31/08, a partir de quando passarão a cobrar o valor “cheio” de R$ 10 diários:

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Por R$ 10, o plano continua sendo interessante para acesso emergencial, mas passa a ser muito caro para quem pretende usá-lo regularmente. Resta a torcida de que a TIM continue a adiar a data do reajuste, pois ele fará o plano naufragar.

A segunda opção é a Vivo, que recentemente passou a oferecer o “Zap 3G avulso”, com uma tarifa de R$ 1.90 por MB. Este valor é inviável para quem pretende acessar usando o PC, mas atende bem a quem precisa apenas acessar algumas páginas no Opera Mini e responder alguns e-mails no Gmail mobile, sem falar de todas as aplicações mais sérias.

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Como comentei no artigo sobre o E71 com chips pré-pagos, ele ainda não vem pré-ativado nos chips; é necessário ligar no *8486 e pedir a ativação. A opção não aparece no menu, mas ao falar direto com um atendente consegui fazer a ativação sem dificuldade, perguntando pelo Zap 3G avulso.

Por enquanto, estas são as duas únicas opções viáveis. Tanto a Claro quanto a Oi oferecem tráfego de dados nos planos pré-pagos, mas cobram respectivamente R$ 6 e R$ 8 por MB, o que torna o acesso praticamente inviável. Entretanto, com as ofertas da TIM e da Vivo, não deve demorar muito para que as duas também lancem seus pacotes de acesso pré-pago, para não perderem o bonde da história.

Não é difícil imaginar que com planos mais acessíveis, mais gente passe a usar os celulares e smartphones para teclar, ler os e-mails e ver as notícias, o que pode se tornar uma fonte de renda adicional para as operadoras. Como comentei no início, a maioria dos aparelhos atuais são capazes de rodar os aplicativos básicos (OperaMini, Gmail, etc.), daí pra frente é apenas uma questão de divulgação.

Se você gostou do assunto, leia mais sobre as opções de aplicativos no livro de smartphones:
https://www.hardware.com.br/livros/smartphones/navegacao.html

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