Entendendo o Android, parte 2

Entendendo o Android, parte 2

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A combinação do acesso prático ao Gmail, Maps e outros aplicativos do Google (que estão se tornando cada vez mais ubíquos), combinados com a disponibilidade de um grande número e aplicativos fazem com que o Android seja uma plataforma bastante forte, já que você pode compensar as deficiências do sistema (um bom player para arquivos de vídeo locais, leitor de e-books, gravador de voz, etc., etc.) com aplicativos de terceiros, chegando a um conjunto que atenda às suas necessidades.

A disponibilidade de uma ferramenta de desenvolvimento rápido como o App Inventor também abre muitas portas, já que permite que qualquer um com conhecimentos rudimentares de programação desenvolva aplicativos personalizados, tanto para uso pessoal quanto para uso corporativo. Isso contrasta com a dificuldade em desenvolver aplicativos para o Symbian, por exemplo, onde além do desenvolvimento propriamente dito existe toda a aporrinhação relacionada aos certificados e compatibilidade com as diferentes versões do sistema.

Do ponto de vista dos usuários, entretanto, o mais interessante é mesmo as funções oferecidas pelos aparelhos. Em resumo, o Android permitiu que os fabricantes desenvolvessem aparelhos high-end, com interfaces bem elaboradas e telas capacitivas, oferecendo opções similares ou superiores ao iPhone 3GS e iPhone 4 em termos de hardware e interface, porém com um ecossistema muito mais aberto que o da Apple.

Um dos modelos mais icônicos é o Motorola Droid, que foi o primeiro aparelho a ser lançado com o Android 2.0, uma versão que representou um grande salto de funcionalidade e desempenho em relação à agora “antiga” versão 1.6 (que embora tenha sido lançada poucos meses antes, subitamente passou a parecer obsoleta). Como sempre, o Droid foi lançado inicialmente no mercado norte-americano, em parceria com a Verizon, o que explica o atraso em relação ao lançamento no Brasil.

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Diferente do que temos com caso dos PCs e netbooks, os smartphones são quase sempre lançados dentro de um contrato de exclusividade ou semi-exclusividade com alguma operadora especifica, que subsidia o aparelho, ou se compromete a vender um número mínimo de unidades em troca de um monopólio temporário sobre as vendas. Um bom exemplo foi o lançamento do Nokia E71 aqui no Brasil, que nos primeiros meses foi vendido apenas pela Vivo, com um preço subsidiado de R$ 999 no plano pré-pago. Quando a exclusividade acabou, o aparelho passou a ser vendido por outras operadoras, mas agora sem o subsídio, por R$ 1199.

Como as operadoras precisam cobrir o investimento, temos todos os problemas com relação a bloqueios, crapwares pré-instalados, contratos e assim por diante. O Google bem que tentou escapar deste sistema com o Nexus One (vendido diretamente ao consumidor, sem nenhum bloqueio), mas a ausência dos subsídios das operadoras fez com que o preço saltasse para US$ 529, o que explica a baixa procura.

Como a marca “Droid” é propriedade da Verizon (e não da Motorola), ao lançá-lo em outros países eles foram obrigados a mudar o nome do aparelho, daí ele se chamar “Motorola Milestone” no Brasil e na Europa.

Os dois grandes atrativos são a espaçosa tela de UWVGA de 854×480 (16:9) e o fato de o aparelho ser relativamente compacto, com 11.6 x 6 cm e apenas 13.7 mm de espessura, apesar do teclado deslizante.

Ele é bem maior e mais pesado que a maioria dos aparelhos, com 169 gramas, mas ainda assim é moderadamente confortável de carregar, já que não é tão espesso quanto muitos modelos. Mesmo já tendo quase um ano de idade, ele é ainda um dos modelos que oferecem mais funcionalidade por milímetro cúbico. Basta ter em mente que dois anos atrás os menores dispositivos com telas dessa resolução eram os netbooks e os tablets da linha N8xx da Nokia. Não deixa de ser curioso pensar em como as coisas avançaram de lá para cá.

As 854 colunas permitem visualizar a maioria das páginas com pouco ou nenhum scroll horizontal, tornando a leitura bastante agradável se comparado a outros smartphones, onde você passa a maior parte do tempo aumentando e reduzindo o zoom. Para quem não está disposto a ler com o telefone a cinco centímetros do rosto, basta dar dois toques para aumentar o zoom de visualização.

Além do browser nativo baseado no Webkit, outra boa opção é o bom e velho Opera-Mini (que pode ser instalado manualmente). Ele funciona surpreendentemente bem na tela touch-screen e a boa resolução torna o texto especialmente legível. Ele vai agradar também a quem está usando um plano 3G com uma baixa quota de tráfego (ou usando algum plano pré-pago com cobrança por MB) já que o proxy remoto reduz muito o volume de dados transferidos.

Colocar um teclado deslizante em um aparelho tão fino demanda certos sacrifícios e no caso do Milestone o principal deles foi o feedback tátil do teclado, cujas teclas são extremamente rasas. Com o tempo você acaba se acostumando e passa a digitar com uma boa velocidade, mas no começo a sensação é estranha. como de praxe, estão disponíveis também teclados virtuais, que permitem digitar com o aparelho fechado. A tela capacitiva e o suporte a toques múltiplos disponível a partir do Android 2.0 tornam os teclados bem mais utilizáveis, oferecendo uma experiência similar ao que temos nos iPod Touch e iPhones.

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Embora os aparelhos mais conhecidos sejam os modelos high-end, com telas WVGA, câmeras de 5 MP ou mais e etc., que são moderadamente caros e volumosos, existem também alguns aparelhos de médio custo, que são mais compactos e usam telas HVGA (320×480), cujo preço não é muito diferente do da maioria dos aparelhos com o S60, como no caso do HTC Magic.

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O principal problema é que as funções mais interessantes são utilizáveis apenas ao utilizar um plano de dados 3G, o que leva à todas as dificuldades introduzidas pelas operadoras, com as quotas de tráfego, bloqueio de tethering (usar o smartphone como modem) e assim por diante.

Para quem já assina um plano de voz e dados pós-pago, os aparelhos com o Android são uma opção tentadora, já que eles podem ser adquiridos com subsídios, mas para quem reluta em usar um plano pós-pago, eles perdem muito de seu atrativo. Este é um ponto em que o mercado brasileiro é diferente do norte-americano (onde os planos pós pagos são a regra e os aparelhos com o Android estão fazendo um grande sucesso, devido aos preços baixos com que são vendidos em conjunto com a assinatura dos planos).

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