Lançado Wine 1.2

Na última sexta-feira foi lançado o Wine 1.2. Um trabalho de dois anos foi concluído, trazendo cerca de 23 mil alterações e 3 mil correções de erros. É muita coisa!

Dois anos não são nada, levando em conta que a versão 1.0 levou 15 anos para sair. O Wine é um projeto bastante ambicioso que permite tentar rodar aplicações do Windows no Linux, onde ele recria de forma livre a API do Windows convertendo os comandos recebidos em comandos que o Linux entenda.

O anúncio da versão 1.2 é bastante animador. A lista de recursos é imensa, destacando o suporte a aplicações de 64-bit – que aos poucos vão ficando comuns, inclusive vale citar que quase metade das instalações do Windows 7 são de 64-bit.

O Wine agora tem dois prefixos: 32-bit e 64-bit. Como os nomes indicam, dá para ver quais aplicações eles podem rodar. As versões antigas são definidas apenas para 32-bit, ficando num modo de compatibilidade.

O subsistema de 64-bit dele imita o ambiente do Windows, já suportando redirecionamento de arquivos e chaves do registro para aplicações de 32-bit – exatamente como se elas estivessem rodando num Windows de 64-bit.

Entre outras melhorias na parte de código está suporte parcial a DLLs das novas versões do Visual C++ (necessárias para muitos programas), links simbólicos no registro, e uso da UUID dos dispositivos de discos que a suportam em vez da forma de identificação anterior.

Ele suporta agora muitos programas que usam as bibliotecas Direct3D 9 e 10, permitindo rodar jogos como Warcraft III, Counter-Strike, Command & Conquer III, Half Life 2, Left 4 Dead, Fallout, EVE Online Tyrannis, etc. Na abbdp você pode ver melhor a lista de compatibilidade. Muitos games estão na categoria Platinum, indicando que rodam sem precisar de tweaks adicionais. A categoria Gold lista mais uma boa quantidade, só que para estes umas modificações podem ser necessárias. Por fim a lista Silver lista outros games parcialmente suportados.

Os ícones das aplicações são baseados no tema Tango, permitindo uma boa integração com os ambientes comuns no Linux. Cursores animados podem ser carregados, embora apenas o primeiro quadro deles apareça. As janelas de configuração de impressora e impressão agora funcionam melhor. Há um item do painel de controle para gerenciar as aplicações instaladas, esse é um item que fazia falta para muitos. O componente de texto RichEdit (que é compartilhado por vários programas) foi bastante melhorado, suportando tabelas, detecção de URLs, barras de rolagem, e suporte a controles fora de janelas. O controle de calendário também foi melhorado, além do listview e vários outros controles comuns do Windows. Há implementação parcial do framework Microsoft Text Services, que fornece um meio mais eficiente para entrada de texto nas aplicações modernas. Há uma interface para importação, exportação e gerenciamento de chaves criptográficas e certificados. Por fim, há tradução completa para vários idiomas, incluindo Português (a nota no site não especifica se é de Portugal ou do Brasil).

Há muitas melhorias na integração com a área de trabalho, vários erros que pareciam crônicos também foram corrigidos. Pacotes para várias distros e instruções de instalação devem aparecer em breve na área de downloads.

O Wine ainda pode estar longe de ser perfeito, mas para muitas aplicações ele já ajuda bem mais do que ajudava. Todavia, como um software livre, ele é fornecido sem garantias – se algo não funcionar você não tem diretamente a quem recorrer, podendo esperar algum programador implementar o recurso ou correção, fazer você mesmo ou simplesmente continuar roadando no Windows algum programa que você dependa.

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