O criador da World Wide Web lançou um alerta: os algoritmos que tornam redes sociais mais viciantes deveriam ser ilegais. Para Tim Berners-Lee, essas ferramentas não apenas manipulam a atenção do usuário, mas alimentam polarização, desinformação e até ódio digital.
O que preocupa Berners-Lee
Em entrevista à ITV News, o físico britânico afirmou que os sistemas de recomendação usados por plataformas como TikTok, Instagram e YouTube são desenhados para “reter usuários a qualquer custo”. Isso significa priorizar conteúdos que despertem emoções fortes — principalmente as negativas.
A consequência, segundo ele, vai além do vício em rolagem infinita. Esse design induz comportamentos coletivos nocivos, favorecendo discursos extremistas e recompensando publicações que irritam ou dividem pessoas. “Se o que mantém alguém conectado é o ódio ou a raiva, temos um problema de regulação”, destacou.
A proposta: leis contra algoritmos que geram dependência
Berners-Lee defende que governos criem leis específicas para coibir esses mecanismos. Sua recomendação é clara: plataformas podem existir e oferecer conteúdo social, mas não devem manipular o usuário para prolongar o engajamento artificialmente.
Ele sugere até uma proibição direta desses sistemas. “Você pode desenvolver redes sociais, mas não pode projetá-las para serem viciantes”, explicou. Na prática, isso poderia limitar funções como a rolagem infinita e o autoplay — recursos centrais para o modelo de negócios atual.
Crianças no centro da discussão
O pai da web mostrou especial preocupação com o impacto em menores de idade. Para ele, adolescentes devem explorar a internet sem cair em armadilhas que sequestram a atenção. Como alternativa, defende dispositivos móveis que permitam chamadas, acesso a Wikipedia e ferramentas de aprendizado, mas sem recomendações viciantes das redes.
“Eu compraria um smartphone para meus filhos que tivesse todas as coisas boas da web, menos os algoritmos que manipulam o tempo de tela”, argumentou.
Web precisa de correções, diz Lee
Apesar das críticas, Berners-Lee rejeita a ideia de ter “se arrependido” de sua contribuição à história digital. Ele ressalta que a web gerou avanços sociais e econômicos imensos. Seu ponto é que os problemas atuais são fruto de modelos de negócios distorcidos, e não da invenção em si.
“Dá para consertar o que não funciona”, disse, reforçando que plataformas poderiam priorizar conexões construtivas e informação de qualidade, em vez de explorar falhas cognitivas do usuário.
Inteligência artificial também entra no debate
O cientista aproveitou para comentar o avanço da inteligência artificial. Ele vê grande potencial, mas alerta: sem ética, a IA pode repetir os mesmos erros da economia de atenção. Por isso, propõe que desenvolvedores adotem um “juramento hipocrático digital”, inspirado no compromisso médico de não causar danos, para assegurar que a tecnologia beneficie a sociedade.
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