O TikTok está promovendo uma das mudanças mais radicais em sua operação global de moderação de conteúdos. Centenas de funcionários, especialmente em escritórios de Londres e de países do sul e sudeste asiático, estão sendo demitidos e substituídos por sistemas de inteligência artificial capazes de analisar publicações em larga escala.
A decisão, revelada em comunicações internas e divulgada pelo Financial Times, marca não apenas um corte de custos, mas uma reorganização estratégica do departamento de Trust & Safety, responsável pela segurança da comunidade. A empresa afirma que o objetivo é concentrar a expertise em pontos específicos e, ao mesmo tempo, explorar os avanços recentes em modelos de linguagem avançados.
Reorganização global e pressões externas
Nos últimos meses, o TikTok já havia fechado seu centro de segurança em Berlim, e agora amplia a transição para a automação em outras regiões. O anúncio, no entanto, levantou suspeitas: em Londres, ele coincidiu com a votação dos funcionários sobre a sindicalização, o que aumentou as críticas sobre o real motivo dos cortes.
Outro fator é o Online Safety Act, que entra em vigor no Reino Unido e impõe regras rígidas para remoção de conteúdos ilegais e nocivos. A medida chega em um momento em que o TikTok também enfrenta investigações na União Europeia: em 2023, a empresa foi submetida a um “stress test” na Irlanda, sob o Digital Services Act (DSA). Embora tenha sido apontada a falta de conformidade, autoridades elogiaram a disposição da companhia em se adequar.
Esse cenário mostra o dilema vivido pelas big techs: precisam reduzir custos e escalar suas operações, mas, ao mesmo tempo, encaram legislações cada vez mais exigentes sobre a proteção dos usuários.
