Comprar um smartphone barato está ficando mais difícil, enquanto os aparelhos mais caros ocupam uma parcela cada vez maior das vendas globais. No primeiro semestre de 2026, modelos premium, definidos pela Counterpoint Research como aqueles com preço de atacado a partir de US$ 600, chegaram a 29% das vendas mundiais de smartphones, um recorde para o período. Um ano antes, essa categoria correspondia a 25% do mercado. A mudança significa que praticamente três de cada dez smartphones vendidos no mundo já estão nessa faixa de preço.
E existe uma empresa particularmente bem posicionada nessa transformação: a Apple.
Apple fica com 65% dos smartphones premium vendidos
Segundo os dados da Counterpoint, a Apple respondeu por 65% das vendas globais de smartphones premium no primeiro semestre de 2026. A participação era de 63% no mesmo período de 2025. A Samsung aparece bastante distante, com 19%, mantendo sua participação em relação ao ano anterior. Juntas, portanto, Apple e Samsung concentram aproximadamente 84% desse segmento.
A liderança da Apple também ajuda a explicar o desempenho recente do iPhone em um mercado que enfrenta dificuldades. No primeiro trimestre, o iPhone 17 foi o smartphone mais vendido mundialmente e respondeu sozinho por 6% das unidades comercializadas, segundo outro levantamento da Counterpoint. iPhone 17 Pro Max e iPhone 17 Pro ficaram nas duas posições seguintes.
A situação é diferente quando todo o mercado é considerado. Apple e Samsung disputam posições muito mais próximas porque a fabricante sul-coreana também vende grandes volumes de aparelhos intermediários e de entrada. No segundo trimestre, por exemplo, a Samsung ficou com 24% dos embarques mundiais e a Apple, com 20%.
Por que os celulares mais caros estão ganhando espaço?
Parte dessa transformação ocorre justamente enquanto o mercado de smartphones encolhe. A Counterpoint estima que os embarques globais caíram 11% no segundo trimestre de 2026, atingindo o menor volume para o período desde 2013. A escassez de memórias DRAM e NAND elevou os custos de produção e atingiu principalmente aparelhos de entrada e intermediários, nos quais existe menos margem para absorver componentes mais caros.
Fabricantes passaram a aumentar preços, reduzir configurações ou priorizar produtos com margens maiores. A IDC identificou movimento semelhante. Seus dados mostram que os embarques globais recuaram 2,9% no primeiro trimestre, enquanto fabricantes direcionam seus portfólios para produtos de maior valor. A empresa espera que essa tendência de “premiumização” continue mesmo com uma eventual estabilização dos preços das memórias.
Isso não significa necessariamente que consumidores estejam simplesmente abandonando celulares baratos por modelos topo de linha. O próprio encarecimento dos aparelhos pode empurrar mais produtos para a classificação acima de US$ 600, enquanto a oferta de modelos de entrada sofre maior pressão.
Mercado menor pode vender smartphones mais caros
O resultado é um mercado aparentemente contraditório: menos smartphones podem ser vendidos, mas uma parcela maior deles pertence às categorias mais caras. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, a receita global do setor cresceu 8% apesar da redução dos embarques, segundo a Counterpoint. O preço médio de venda avançou 12% e chegou a US$ 399.
Para Apple e Samsung, a mudança favorece justamente a parte mais valiosa de seus portfólios. Para fabricantes mais dependentes de aparelhos baratos, o cenário é mais complicado: custos maiores de memória pesam proporcionalmente mais sobre produtos de margens reduzidas.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 07/08/2026 08:00