Reconhecimento facial na Coreia do Sul quer acabar com golpes por números falsos

Coreia do Sul implementa reconhecimento facial para combater números de telefone falsos e reduzir golpes como vishing.

A Coreia do Sul decidiu subir um novo degrau no controle digital: ninguém mais poderá comprar um chip de celular sem passar por um sistema de reconhecimento facial. A exigência, imposta pelo Ministério da Ciência e TIC, vale para todas as grandes operadoras e promete endurecer o combate às fraudes telefônicas, que se multiplicaram nos últimos anos.

A partir de agora, quem quiser ativar uma linha móvel terá que, além de apresentar documento oficial, registrar o rosto por meio de um aplicativo chamado PASS — um sistema de identidade digital mantido por SK Telecom, LG Uplus e Korea Telecom. O software cruza a captura facial com a base de dados nacional e autoriza ou barra a compra.

Golpistas e o preço da conveniência

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O movimento do governo é uma resposta direta a uma onda de crimes envolvendo linhas registradas com documentos falsos ou roubados. Esses números vêm sendo usados em golpes de “vishing” — uma variação do phishing por voz — em que os criminosos se passam por bancos ou órgãos públicos para arrancar dados pessoais e senhas das vítimas.

A situação chegou a um ponto em que, só no último ano, 92% das linhas falsas identificadas pertenciam a operadoras virtuais, aquelas que usam a rede de outras empresas, sem ter infraestrutura própria. O que começou como um problema periférico virou crise nacional de segurança digital.

O pano de fundo: megavazamentos e desconfiança

A nova regra também tenta recuperar parte da confiança abalada pelos grandes vazamentos de dados que atingiram o país recentemente. Com 52 milhões de habitantes, a Coreia do Sul viu informações de mais da metade da população irem parar na internet em dois incidentes de proporções inéditas.

Em 2024, a varejista digital Coupang expôs os dados de 30 milhões de usuários, o que custou o cargo do próprio CEO. Meses depois, a SK Telecom protagonizou um caso ainda mais grave: dados de 23 milhões de clientes vazaram após a descoberta de que os servidores da empresa armazenavam senhas e informações sem criptografia, em texto puro.

Segurança ou vigilância?

Ao mesmo tempo em que promete reduzir fraudes, o uso obrigatório de biometria reacende um debate antigo: até que ponto o Estado pode expandir seu controle sobre a vida digital da população? O risco de vazamento de informações biométricas é real — e, diferente de senhas, rostos não podem ser trocados.

Ainda assim, para as autoridades coreanas, o custo da inação seria pior. Especialistas enxergam a medida como um experimento radical que pode inspirar países com o mesmo problema — como Japão, Índia e até Brasil, onde golpes envolvendo chips e migrações de linha (o famoso SIM swap) continuam em alta.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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