Mercado de chips bateu quase US$ 800 bilhões em 2025, mas cria um abismo perigoso

Resumo rápido!

O mercado global de semicondutores fechou 2025 bem perto da marca de US$ 800 bilhões, puxado por chips de IA, memórias HBM e infraestrutura de data center. NVIDIA dispara na frente, Intel encolhe, e o dinheiro se concentra cada vez mais em poucos players — ótimo para eles, nem tanto para quem depende da cadeia.


 

Os dados preliminares da indústria de semicondutores referentes a 2025 ajudam a responder uma pergunta que rondou o ano inteiro: o hype de IA é só marketing ou virou dinheiro de verdade? Em números: virou, e muito, aponta o Gartner.

A receita global de chips atingiu  bilhões em 2025, um salto de 21% em relação a 2024, numa fase em que outras áreas de tecnologia andam tropeçando. Não foi smartphone, não foi PC e nem IoT que puxou essa curva. O combustível foi infraestrutura de IA: processadores especializados, memórias HBM e chips de rede para data centers lotados de modelos generativos.

IA deixa de ser promessa e vira metade do mercado

Dentro desse bolo, os chamados “semicondutores de IA” — que englobam GPUs e ASICs para IA, HBM e componentes de rede voltados a data centers — já representam quase um terço de todas as vendas do setor em 2025. Em valor absoluto, só os processadores de IA passam de  bilhões.

A projeção para os próximos anos é agressiva: se o ritmo continuar, esses chips devem ultrapassar 50% do mercado total até 2029. Em outras palavras, o setor que antes girava em torno de PCs e celulares está se reorganizando para servir basicamente a nuvem e modelos de IA cada vez mais pesados — cenário parecido com a virada que vimos quando o smartphone atropelou o PC tradicional há mais de uma década.

Na memória, a estrela é a HBM. Ela já responde por 23% de todo o segmento de DRAM, com vendas passando de  bilhões em 2025. Esse tipo de memória, que antes era nicho de GPU high-end e HPC, virou praticamente item obrigatório em servidores de IA de última geração, o que explica o salto de players como SK Hynix e Micron.

NVIDIA abre vantagem histórica; Intel encolhe

O grande vencedor desse novo ciclo não é surpresa para ninguém que acompanha data center: a NVIDIA. Em 2025, a empresa se tornou o primeiro fornecedor de semicondutores a ultrapassar a marca de US$  bilhões em receita anual, fechando o ano com cerca de  bilhões.

Mais do que o número bruto, o impacto é a distância para o segundo lugar. A NVIDIA abriu uma frente de aproximadamente  bilhões sobre a Samsung, algo raríssimo num mercado que sempre foi muito mais equilibrado entre memória, lógica e foundries. Sozinha, ela respondeu por mais de 35% de todo o crescimento da indústria em 2025. É nível de domínio semelhante ao que a Intel teve na era de PCs, só que agora em IA e data center.

Na outra ponta da história está a própria Intel. A companhia, que já foi sinônimo de “mercado de chips”, terminou 2025 com apenas 6% de participação, metade do que tinha em 2021. A receita anual caiu para bilhões, encolhendo cerca de 3,9% em relação a 2024, na contramão do mercado aquecido. Enquanto a concorrência surfa a onda de IA com GPUs e aceleradores dedicados, a Intel ainda tenta se reposicionar tanto em produtos quanto como foundry.

Top 10 de semicondutores em 2025

Ranking 2025 Ranking 2024 Empresa Receita 2025 Participação 2025 (%) Receita 2024 Crescimento 2025-2024 (%)
1 1 NVIDIA 125.703 15,8 76.692 63,9
2 2 Samsung Electronics 72.544 9,1 65.697 10,4
3 4 SK Hynix 60.640 7,6 44.186 37,2
4 3 Intel 47.883 6,0 49.804 -3,9
5 7 Micron Technology 41.487 5,2 27.619 50,2
6 5 Qualcomm 37.046 4,7 32.976 12,3
7 6 Broadcom 34.279 4,3 27.801 23,3
8 8 AMD 32.484 4,1 24.127 34,6
9 9 Apple 24.596 3,1 20.510 19,9
10 10 MediaTek 18.472 2,3 15.934 15,9
Outros 298.315 37,6 270.536 10,3
Mercado total 793.449 100,0 655.882 21,0

Memória volta ao protagonismo com IA

Três nomes ligados fortemente a memória — Samsung, SK Hynix e Micron — surfaram a mesma onda: HBM para IA. A Samsung manteve a segunda posição global com  bilhões em receita de semicondutores. O detalhe importante é o mix: o negócio de memória cresceu 13%, enquanto a parte de chips não relacionados a memória encolheu 8%. Ou seja, a empresa está se apoiando cada vez mais em DRAM e NAND de alto valor agregado para data center.

A SK Hynix deu um salto ainda mais agressivo: assumiu a terceira posição mundial com  bilhões, alta de 37,2% na comparação anual. Esse crescimento tem nome e sobrenome: HBM para servidores de IA, mercado em que a Hynix é uma das fornecedoras preferidas de quem fabrica GPUs de alto desempenho.

Já a Micron, que vinha correndo por fora, avançou do sétimo para o quinto lugar, com  bilhões em receita, crescendo mais de 50% em um ano. É um indicativo claro de que quem tem capacidade de entregar memória de alta largura de banda e boa eficiência energética está com a faca e o queijo na mão nesse novo ciclo de IA.

Mobile ainda pesa, mas já não manda tanto

Fabricantes mais ligados a smartphones e dispositivos de consumo também cresceram, mas muito abaixo dos “queridinhos da IA”. Qualcomm avançou 12,3% em receita, Broadcom 23,3%, AMD 34,6%, Apple quase 20% e MediaTek 15,9%. São números respeitáveis, mas que ficam pequenos perto do salto de 63,9% da NVIDIA e mais de 50% da Micron.

Isso mostra uma mudança de eixo clara: durante anos, decisões de processo de fabricação e prioridades de capacidade em foundries giravam ao redor da próxima geração de SoCs móveis. Agora, o que dita o ritmo são GPUs de data center, aceleradores de IA e memória HBM. Quem está posicionado nesses nichos ganha preferência em alocação de wafers e contratos de longo prazo.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 15/01/2026 10:25

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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