Intel corta 15% dos funcionários e adia mega fábrica de chips de IA até 2030

Gigante enfrenta crise histórica, cancela projetos bilionários e aposta tudo nos chips de inteligência artificial para tentar voltar ao topo.

A Intel anunciou uma drástica reestruturação que inclui o corte de 15% de sua força de trabalho global e o adiamento de sua ambiciosa fábrica de chips em Ohio para depois de 2030. Trata-se da maior crise enfrentada pela empresa em décadas, que agora tenta desesperadamente recuperar terreno no competitivo mercado de processadores para inteligência artificial, onde rivais como Nvidia e AMD avançaram significativamente.

A gigante dos processadores acumula seis trimestres consecutivos de prejuízos financeiros, o maior período de perdas em 35 anos de história. O CEO Lip-Bu Tan, que assumiu o comando em março, implementou uma nova filosofia: “não há mais cheques em branco” – cada investimento precisa apresentar viabilidade econômica imediata, marcando o fim da era de expansão desenfreada.

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As demissões afetarão principalmente cargos de gerência média, reduzindo o quadro total para cerca de 75 mil funcionários até o final do ano. Além disso, a companhia cancelou diversos projetos de expansão na Europa e adiou a construção da fábrica de US$ 28 bilhões (aproximadamente R$ 154,6 bilhões) em Ohio, que originalmente seria concluída até o final de 2025.

O mais recente balanço financeiro mostra a gravidade da situação: prejuízo de US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) no segundo trimestre de 2025, valor quase duas vezes maior que as perdas do mesmo período do ano anterior. Embora a receita tenha permanecido estável em US$ 12,9 bilhões, superando as expectativas de Wall Street, isso não foi suficiente para reverter o quadro negativo.

Várias caixas de processadores Intel Core i7 de 14ª geração alinhadas em exposição
Os processadores Core i7 continuam no portfólio da Intel, mas a empresa agora foca pesadamente em chips para inteligência artificial para tentar recuperar seu protagonismo no mercado.

A nova estratégia para sobreviver na era da IA

A Intel, que dominou o mercado de processadores para computadores por décadas, falhou em antecipar o explosivo crescimento da demanda por chips especializados em inteligência artificial. Enquanto a Nvidia conquistava liderança praticamente absoluta nesse segmento, seguida pela AMD e TSMC, a gigante de Santa Clara ficou para trás em uma das maiores transformações tecnológicas recentes.

O plano de recuperação da empresa sob o comando de Lip-Bu Tan agora se estrutura em quatro pilares fundamentais. O primeiro é recuperar participação no mercado de processadores para PCs, segmento onde a AMD vem conquistando terreno consistentemente. O segundo, e talvez mais crucial, é investir pesadamente no desenvolvimento de chips voltados para IA.

O terceiro pilar envolve o aprimoramento de sua tecnologia avançada 14A, com o objetivo de atrair grandes clientes para sua fundição. Por fim, a empresa concentrará esforços em produtos relacionados ao desenvolvimento de modelos de IA capazes de executar tarefas complexas e tomar decisões autônomas.

As tecnologias 18A e 14A são consideradas vitais para o futuro da Intel. A 18A, que será utilizada nos próximos processadores móveis Panther Lake ainda este ano, foi descrita pelo diretor financeiro David Zinsner como “a coisa mais importante que estamos fazendo agora”. Já a tecnologia 14A, prevista para ser desenvolvida até o final da década, promete chips mais eficientes com maior densidade de transistores.

Fachada moderna de um edifício corporativo da Intel com seu logotipo proeminente
A sede da Intel em Santa Clara, Califórnia, de onde partem as decisões que definirão o futuro da empresa na indústria de semicondutores.

Impacto no cenário político e econômico

O adiamento da fábrica em Ohio levanta questões sobre o futuro do Chips Act, lei aprovada em 2022 durante o governo Biden que destinou bilhões de dólares para expandir a capacidade de fabricação de semicondutores nos Estados Unidos. A Intel foi uma das principais beneficiárias desse programa, mas para receber os recursos federais, precisa cumprir marcos específicos de construção e operação.

Para o mercado brasileiro de tecnologia, a crise da Intel representa um momento de incerteza. O país, que depende fortemente de importações de componentes eletrônicos, pode enfrentar alterações na disponibilidade e no preço dos processadores da marca, especialmente se a empresa decidir descontinuar algumas linhas de produtos para focar em segmentos mais lucrativos.

Analistas do setor observam que a reestruturação da Intel pode representar um momento definitivo para a companhia. “Estamos vendo uma transformação radical de uma empresa que por muito tempo pareceu infalível”, comentou um especialista em semicondutores ao Wall Street Journal. A capacidade da Intel de desenvolver chips competitivos para IA, enquanto mantém sua relevância no mercado de processadores tradicionais, determinará seu lugar no novo ecossistema tecnológico dominado pela inteligência artificial.

O mercado aguarda os próximos passos de Lip-Bu Tan, veterano investidor na indústria de semicondutores, que tem a complexa missão de reverter a situação da empresa em um dos momentos mais desafiadores de sua história. A nova ênfase em lucratividade e foco estratégico marca uma mudança significativa em relação à política de expansão que predominou durante a gestão de Pat Gelsinger, seu antecessor.

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Cearense. 37 anos. Apaixonado por tecnologia desde que usou um computador pela primeira vez, em um hoje jurássico Windows 95. Além de tech, também curto filmes, séries e jogos.
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