A Huawei deve iniciar em 2026 as vendas internacionais de seus próprios chips de inteligência artificial. O plano começa pela Coreia do Sul, onde a divisão local da empresa confirmou que pretende oferecer soluções completas baseadas na nova linha Ascend 950.
Segundo representantes ouvidos pela imprensa sul-coreana, a companhia vai disponibilizar não apenas os processadores, mas também servidores e clusters prontos para uso, voltados ao treinamento e execução de modelos de IA. A estratégia coloca a Huawei em rota direta de colisão com a NVIDIA, atual líder do setor.
Os primeiros chips da linha, Ascend 950PR e Ascend 950DT, devem chegar ao mercado global ao longo de 2026. Fabricados com tecnologia de 7 nanômetros pela chinesa SMIC, os componentes usam memória HBM desenvolvida pela própria Huawei. O modelo 950PR contará com 128 GB de RAM e largura de banda de 1,6 TB/s, enquanto o 950DT oferecerá 144 GB e 4 TB/s, alcançando potência de até 2 PFLOPS.
Apesar do salto em desempenho, especialistas apontam que a limitação no processo de fabricação pode afetar a eficiência energética. A China ainda não domina tecnologias mais avançadas de 5 nm ou inferiores, o que deve deixar os chips da Huawei atrás de rivais ocidentais em consumo de energia e densidade de transistores.
Mesmo assim, a empresa acredita que seus clusters Atlas SuperPod, equipados com os novos chips, terão desempenho competitivo em relação aos sistemas baseados nos processadores NVIDIA Rubin, sucessores do H100. A Huawei vê na expansão internacional uma forma de reduzir a dependência do mercado chinês e enfrentar as restrições impostas por sanções dos Estados Unidos.
O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, já havia alertado que empresas chinesas ampliariam sua presença global no mercado de IA — e o novo movimento da Huawei confirma essa previsão. A expectativa é que os primeiros testes e acordos comerciais na Coreia do Sul aconteçam ainda no segundo semestre de 2026.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 28/12/2025 22:20