O Brasil desponta como líder no uso de tecnologias avançadas para golpes digitais na América Latina, com fraudes com deepfakes registrando um alarmante aumento de 126% no último ano. O dado preocupante faz parte do relatório anual da Sumsub, empresa especializada em verificação de identidade, que analisou o cenário de crimes virtuais entre 2024 e 2025.
A pesquisa, intitulada 5º Relatório Anual Identity Fraud Report 2025-2026, examinou mais de 4 milhões de tentativas de fraudes em todo o mundo e entrevistou 300 profissionais de gestão de risco, além de 1.200 usuários finais de serviços digitais. O resultado revela uma transformação preocupante: enquanto a quantidade bruta de golpes diminuiu globalmente, a sofisticação dos ataques disparou.
Um dado que chama atenção é que as fraudes com deepfakes e identidades sintéticas tornaram o Brasil responsável por 39% de todos os deepfakes identificados na América Latina. Isso ocorre mesmo com as fraudes de identidade convencionais tendo registrado queda de 10% no país durante o mesmo período.
A nova geração de golpes digitais
O relatório evidencia uma mudança fundamental nas estratégias dos criminosos virtuais. Agora, em vez de simplesmente falsificar documentos, os fraudadores estão manipulando o contexto completo da verificação: alteram dados de dispositivos, modificam fluxos de câmera e interferem em chamadas de API para burlar sistemas de segurança.
Essa evolução transformou o panorama das fraudes digitais. Em 2024, apenas 10% das tentativas eram classificadas como altamente sofisticadas. Hoje, esse percentual saltou para 28% em escala global. A facilidade de acesso a ferramentas prontas, como serviços de phishing (PaaS), democratizou o crime virtual, permitindo que pessoas com conhecimentos técnicos limitados executem golpes complexos.
Georgia Sanchez, Líder de Negócios da Sumsub no Brasil, alerta que a América Latina como um todo está entrando em uma nova era de sofistificação de fraudes, o que exige adaptação urgente das estratégias de proteção por parte das empresas.
Na região latino-americana, o cenário é crítico: 43% das empresas foram vítimas de alguma forma de fraude no último ano, com 100% relatando ataques de phishing. Mais alarmante ainda é que apenas 43% das companhias reportaram esses incidentes às autoridades, criando uma zona de subnotificação que beneficia os criminosos.
Entre os usuários comuns, a situação não é melhor. Em 2025, 68% dos latino-americanos já sofreram algum tipo de fraude digital, sendo que 63% tiveram suas contas de redes sociais invadidas e 31% foram abordados para atuar como intermediários em esquemas de lavagem de dinheiro.
O avanço explosivo dos deepfakes na região
Enquanto o Brasil lidera em volume absoluto, outros países da América Latina experimentaram crescimentos percentuais ainda mais dramáticos. Guatemala, México, Panamá e Suriname registraram aumentos entre 400% e 500% no uso de deepfakes para fraudes, sinalizando uma tendência regional alarmante.
Parte do problema está na resposta corporativa ainda insuficiente. O relatório indica que 71% das empresas latino-americanas utilizam modelos híbridos de prevenção, combinando equipes internas com fornecedores externos. No entanto, todas ainda dependem fortemente de processos manuais de verificação, o que atrasa a detecção e resposta aos golpes mais sofisticados.
Um dado particularmente preocupante: em 2025, 1 em cada 50 documentos falsificados analisados foi completamente gerado por inteligência artificial, utilizando ferramentas como ChatGPT, Grok e Gemini. A projeção da Sumsub para o próximo ano é que surgirão agentes autônomos de fraude baseados em IA capazes de executar golpes completos, desde a criação de identidades falsas até o processo de verificação em tempo real.
Pavel Goldman-Kalaydin, Head de IA/ML na Sumsub, resume o dilema atual: “A inteligência artificial está transformando a verificação de identidade em ambos os lados do campo de batalha: ela fortalece os fraudadores enquanto oferece aos defensores uma visibilidade sem precedentes”.
Para as empresas brasileiras, o recado é claro: a defesa corporativa precisará se adaptar rapidamente, implementando tecnologias avançadas de IA, sistemas de biometria comportamental, verificação em múltiplas etapas e monitoramento contínuo de seus ambientes digitais para se proteger dessa nova geração de fraudes.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 28/11/2025 16:29