A tecnologia de inteligência artificial está sendo utilizada pelo governo japonês para simular os possíveis impactos de uma erupção do Monte Fuji, o famoso vulcão que não entra em atividade há mais de três séculos. Um vídeo gerado por IA, divulgado durante o Dia de Prevenção de Desastres Vulcânicos no Japão, mostra um cenário alarmante com nuvens de cinzas cobrindo Tóquio e causando prejuízos estimados em 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 92 bilhões).
Conhecido mundialmente como cartão-postal e ponto turístico, o Monte Fuji também representa uma ameaça adormecida. Com 3.776 metros de altura, o vulcão não apresenta sinais de atividade iminente, mas as autoridades japonesas decidiram preparar a população para um possível despertar do gigante.
O vídeo criado pelo governo mostra, com detalhes perturbadores, como as cinzas vulcânicas se espalhariam rapidamente pelos centros urbanos próximos, incluindo a capital Tóquio. A narração alerta que “o momento pode chegar sem aviso prévio”, embora os especialistas ressaltem que não há indicações de uma erupção em futuro próximo.
Impactos devastadores nas projeções
De acordo com as simulações realizadas, uma eventual erupção do Monte Fuji produziria cerca de dois bilhões de metros cúbicos de cinzas. Desse volume, aproximadamente 490 milhões de metros cúbicos se acumulariam sobre infraestruturas urbanas, como estradas, edifícios e áreas habitadas.
As consequências iriam muito além do aspecto visual. A camada de cinzas vulcânicas poderia provocar sérios problemas respiratórios na população, além de comprometer o funcionamento de redes elétricas, interromper o transporte público e privado, e dificultar o abastecimento de alimentos nas regiões afetadas.
Edifícios com estruturas mais vulneráveis correriam risco de colapso, especialmente após chuvas, que tornariam as cinzas mais pesadas. Acúmulos superiores a três centímetros seriam suficientes para bloquear completamente estradas e ferrovias, isolando comunidades inteiras.
A localização do Japão no chamado Anel de Fogo do Pacífico torna o país particularmente vulnerável a eventos vulcânicos e sísmicos. Esta região concentra cerca de 75% dos vulcões ativos do planeta e é responsável por 90% dos terremotos registrados mundialmente, o que explica a preocupação constante das autoridades japonesas com a preparação para desastres naturais.
Embora o cenário apresentado seja alarmante, o objetivo do governo japonês é puramente educacional, visando aumentar a conscientização sobre os procedimentos de emergência e a importância de planos de evacuação bem estruturados, caso uma erupção venha a ocorrer no futuro.
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