Muito antes de cartões SD com centenas de gigabytes e celulares capazes de registrar milhares de fotos, uma das apostas para o futuro da fotografia cabia em um pequeno disco magnético. Outra solução era ainda mais peculiar: colocar quatro lentes na mesma câmera para produzir fotografias com sensação de profundidade.
Uma reportagem exibida pelo programa britânico Tomorrow’s World, da BBC, em 1990, revisitou tecnologias apresentadas durante a década anterior como possíveis caminhos para o futuro das câmeras. Vistas mais de três décadas depois, algumas parecem estranhas, outras anteciparam ideias que acabariam se tornando comuns.
A câmera que trocava o filme por um disquete
Um dos equipamentos revisitados havia aparecido no programa em 1986. Em vez de registrar a fotografia em filme químico, a câmera armazenava imagens em um disco magnético e permitia visualizá-las em uma televisão.
A vantagem era fácil de entender em uma época na qual fotografar significava esperar pela revelação do filme: a imagem podia ser vista praticamente imediatamente. Em 1990, câmeras desse tipo já estavam chegando ao consumidor britânico por cerca de £500, segundo a reportagem. O problema estava na qualidade das imagens e no preço das cópias, que ainda deixavam o filme convencional em posição confortável.
Também existe uma diferença técnica importante em relação às câmeras digitais atuais. As chamadas still video cameras capturavam eletronicamente a imagem, mas podiam armazená-la como um sinal analógico de vídeo em discos magnéticos. A Canon RC-260, comercializada a partir de janeiro de 1991, ajuda a entender essa transição. Ela utilizava um CCD de 230 mil pixels e gravava em discos de vídeo de 2 polegadas. Cada VF-50 podia armazenar 50 imagens.
Era uma espécie de elo perdido entre a fotografia química e a fotografia digital que dominaria os anos seguintes.
Quatro lentes tentavam colocar profundidade nas fotografias
Outra aposta parecia saída de uma experiência: a Nimslo, apresentada em 1981, tinha quatro lentes posicionadas lado a lado. Cada uma registrava a cena de uma perspectiva ligeiramente diferente. Depois, um processo especial combinava essas informações para produzir fotografias com efeito de profundidade quando vistas corretamente.
A ideia tinha um problema bastante concreto, o custo. No Reino Unido, a câmera chegou a custar cerca de £200, enquanto o processamento das fotografias podia sair aproximadamente três vezes mais caro que o de um filme convencional. Segundo a retrospectiva do Tomorrow’s World, a Nimslo acabou desaparecendo das lojas, embora a tecnologia posteriormente tenha sido levada adiante pela Nishika em uma câmera mais simples.
Nem toda previsão futurista fracassou
A retrospectiva da BBC também mostrou que algumas tecnologias menos extravagantes tiveram destino bem diferente.
O foco automático, tratado como novidade no começo dos anos 1980, já havia se tornado praticamente uma característica comum das câmeras de consumo no fim daquela década. As câmeras descartáveis seguiram caminho semelhante: apresentadas no programa em 1986, quatro anos depois já estavam espalhadas pelo mercado. O contraste ajuda a explicar por que essa retrospectiva continua interessante hoje. As tecnologias que pareciam mais futuristas nem sempre foram aquelas que sobreviveram.
Gravar uma fotografia eletronicamente e vê-la sem revelar um filme era uma ideia correta — o armazenamento e a tecnologia usados para chegar lá é que ainda precisavam evoluir. Já recursos relativamente simples, como foco automático e câmeras baratas para situações ocasionais, resolveram problemas imediatos do consumidor.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 08/08/2026 22:47