Mark Shuttleworth responde ao primeiro “bug” do Ubuntu: a dominância da Microsoft

Mark Shuttleworth declarou como fechado o bug #1 do Ubuntu, reportado em 20/08/2004: “A Microsoft domina a cota de mercado”. O relato inicial deixava bem claro a dificuldade que a distro enfrentaria caso quisesse tomar o lugar do Windows nos desktops.

Nos desktops o Windows continua dominando, mas muita coisa mudou de lá para cá: smartphones e tablets tomaram boa parte do foco. Não o Ubuntu (ainda), mas boa parte deles rodam Linux porque usam o Android. Seja lá como for isso é uma vitória para os entusiastas de software livre, ainda que o Android não possa ser considerado um exemplo de projeto totalmente livre.

A resposta do Mark Shuttleworth (em inglês) aponta para o ramo mobile, que mudou radicalmente as necessidades dos consumidores domésticos.

Ele comenta que, do ponto de vista competitivo, a concorrência do mercado é bastante saudável entre sistemas para dispositivos de computação pessoal. O Windows veio perdendo cada vez mais espaço para o iOS da Apple e o Android do Google. Ainda que estes dois gigantes não sejam populares em desktops mais especificamente, eles estão presentes no dia-a-dia de muita gente. Um volume que faz a diferença e que não era algo concreto há 10 anos (no caso de tablets e smartphones como conhecidos hoje).

Um destaque, para ter uma ideia melhor da perda da relevância do Windows:

Ele ainda ressalta que não vale a pena tentar “atacar” o sistema concorrente para roubar seu espaço. A Canonical prefere investir no que acredita ser o melhor, projetando um sistema agradável e fácil de usar, além de trabalhar em áreas como a “nuvem” e em recursos para desenvolvedores. No cenário moderno até pode existir colaboração entre grupos que há 10 anos eram tratados como totalmente concorrentes. Um exemplo é o suporte a Linux no Windows Azure, tendo o Ubuntu como um dos destaques para rodar na infraestrutura de servidores da Microsoft.

O Linux pode não ter ido muito além dos 1 ou 2% nos desktops, mas isso já não importa tanto. As pessoas não usam mais apenas os desktops. O Linux está em milhões de celulares e tablets. Ainda que não sejam versões do Ubuntu, isso um ponto positivo para os entusiastas da plataforma como um todo.

Recomendo ler também: Por que ‘Linux nos Desktops’ deixou de ser um tema relevante, texto do Morimoto em 2008.

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