Microsoft comenta melhor o projeto da tela de entrada e Iniciar do Windows 8

Em dois longos posts no blog do Windows 8 (aqui e aqui) a Microsoft justifica a mudança radical para a nova tela de entrada, que serve também como menu “Iniciar”. Longe de querer traduzir ambos (daqui alguns dias aparecerão no blog em português), vale a pena comentar alguns dos motivos que trouxeram essa mudança.

Basicamente, ao longo do tempo a MS percebeu que as funções do menu Iniciar estavam sendo cada vez menos utilizadas. Em geral o Iniciar ficou bom para pesquisa e para localização de aplicativos usados com menor frequencia, já que os mais utilizados quase sempre ficam fixos na barra de tarefas do Windows 7. A barra do 7 foi uma grande evolução considerando as mudanças anteriores: a Quick Launch, que veio com o IE4 em 1997. Ela foi desativada por padrão (mas não removida) no Windows XP dadas as mudanças no menu Iniciar, que então permitia fixar aplicativos e oferecia acesso fácil a documentos recentes e pastas. Só que as reclamações foram tantas que a Quick Launch acabou voltando e, no 7, apesar de ter sido uma implementação nova, os programas fixos na barra acabam cumprindo aquele papel. O comportamento dos ícones fixos é difernete da Quick Launch, mas o objetivo principal é justamente o mesmo (quem quiser pode simular a Quick Launch adicionando uma pasta ali).

Estes dois gráficos comparam o uso de aplicações fixas no menu Iniciar e na barra de tarefas:

Comparação da popularidade dos ícones fixos no menu Iniciar e na barra de tarefas

Comparação da popularidade dos ícones fixos no menu Iniciar e na barra de tarefas

Vê-se que a barra de tarefas do 7 acaba fazendo mais sucesso do que simplesmente fixar programas no Iniciar – Iniciar esse que está disponível também no XP ou Vista mais ou menos da mesma forma no que se trata de fixar ícones. O atalho Win + n (número com a posição do programa na barra) ainda ajuda a deixar a troca de aplicativos mais fácil. Por essas e outras o menu Iniciar do XP/Vista/7 perdeu parte da sua utilidade.

Outro ponto ruim nele foi a lista de programas. No Windows 9x/Me e até mesmo no XP era muito fácil se perder em menus e seus vários submenus, tendo que refazer todo o caminho ao errar – isso ocorre com frequencia em notebooks ou por pessoas com alguma dificuldade motora.

Menu Iniciar no Windows 95

Menu Iniciar no Windows 95

Os submenus também eram ruins ao usar resoluções de tela baixas, como 640×480, 800×600 ou até mesmo 1024×768, dependendo dos níveis de submenus. O menu Iniciar “moderno”, em uso no 7, resolve o problema usando uma lista única.

Lista de programas no menu Iniciar do Windows 7

Lista de programas no menu Iniciar do Windows 7

Ela tem o inconveniente de precisar da barra de rolagem, o que acaba irritando muita gente – como usuário de Windows por muitos anos, particularmente até prefiro o modelo antigo, com os menus e submenus.

A falta de espaço no menu atual também se mostra ao fazer pesquisas:

Busca no menu Iniciar do Windows 7: falta espaço

Busca no menu Iniciar do Windows 7: falta espaço

A quantidade de informações e detalhes exibidos é ridícula, mas no Windows 8 temos a tela cheia só para os resultados e opções de filtros.

Tudo isso junto com outros fatores resultou na proposta da nova tela de entrada, que mescla o Iniciar com um painel de atualizações dos aplicativos.

Polêmica nova tela de entrada e menu Iniciar do Windows 8

Polêmica nova tela de entrada e menu Iniciar do Windows 8

A unificação da interface do Xbox e Windows Phone com o Windows nos desktops é um desejo que a MS conseguirá no Windows 8, pelo menos se não mudar de ideia até lá – afinal as reclamações da nova tela são tantas…

Ao mesmo tempo que fornece um meio rápido de acessar diversos aplicativos e agrupá-los da forma que quiser (o que não dá para fazer no Iniciar do Windows 7), a nova tela de entrada serve como uma central de notificações, tornando o Windows mais parecido com os sistemas de smartphones e tablets. Além dos grupos dá para ter uma visão superior da tela toda:

Visão geral de todos os aplicativos na tela de entrada

Visão geral de todos os aplicativos na tela de entrada

Queira ou não, não é legal usar muitos widgets no Windows para exibir informações como novos e-mails, previsão do tempo, status em jogos e redes sociais, etc. Ao verificar por novas informações quase todo mundo recorre a algum aplicativo específico ou ao navegador. Isso toma tempo e é um pouco desgastante em alguns casos. Com a nova tela de entrada o menu Iniciar pode ficar mais útil, oferecendo atualizações dos diversos programas ou aplicativos web, como novas mensagens, atualizações de feeds RSS, etc.

O sistema usa um cache e uma API centralizada para as notificações, permitindo que a atualização dos quadros seja eficiente, sem desperdiçar recursos de processador ou energia. Cada quadro não será necessariamente um novo programa em execução (como seria com um widget). Os programas enviam informações para o Windows e o processo da tela de entrada e notificações é basicamente um só, responsável por exibir as notificações recebidas. Enquanto o programa emissor das notificações estiver “dormindo” ou “hibernado na memória” o uso de CPU será praticamente zero, pelo menos para as aplicações Metro.

A pesquisa de dados também pode exibir itens mais úteis do que no menu em uso atual, sendo inclusive personalizável para aplicativos:

Busca por aplicativos

Busca por aplicativos

Busca por arquivos

Busca por arquivos

Busca por dados em aplicativos Metro, que suportam o recurso

Busca por dados em aplicativos Metro, que suportam o recurso

Estas são algumas das novidades, aparentemente positivas. O negócio é tentar esquecer que o menu clássico existiu e partir do princípio de que o Windows 8 será mais ou menos isso – sem esquecer que ele ainda não está pronto, nem em beta, e estas informações poderão ser alteradas até a versão final.

Depois de ler ambos os textos no blog dá para aceitar um pouco melhor o novo menu, mas ele ainda está longe de agradar a todos. A produtividade vai cair no começo e há uma certa tentativa de forçar o uso dos aplicativos Metro. Talvez a Microsoft esteja tomando uma decisão errada, antecipada, ao tornar a interface para tablets padrão também nos dekstops. É esperar para ver.

Muitos torcem o nariz para várias mudanças mesmo, vide Unity e GNOME 3, ambientes radicalmente diferentes de tudo o que existia até então. Pelo jeito o Windows 8 sofrerá as mesmas críticas, tendo um grupo que adora as novidades e outro que as odeia ao extremo. A diferença é que no Linux qualquer um pode trocar de ambiente mantendo a distro, algo que não ocorre no Windows. Se não tiver opção para usar o menu clássico na versão final, quem não gostar terá que continuar no Windows 7 ou mudar de sistema – se encontrar algo com o qual que consiga se adaptar, o que nem sempre é fácil. E isso sim seria ruim para a Microsoft, algo que provavelmente ela não quer.

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