Seria o fim do Kurumin NG?

Atualização: Veja o desfecho da história: Sobre a (des)continuidade do Kurumin NG

Artigo original:

Manter uma distro Linux não é fácil… Outra que existem tantas e tantas distros… Mas também não dá pra criticar quem “cria” mais uma, afinal viva a liberdade e que vençam as melhores, mesmo que num pequeno nicho. Ninguém é obrigado a agradar ninguém, ainda mais quando faz algo de graça, por gostar da coisa, e querer compartilhar com boas intenções “no estado em que se encontra” e “a quem possa interessar”. As distros Linux são mais ou menos assim, com exceção das grandes, mantidas ou patrocinadas por empresas. E ainda assim olhe lá, veja o que deu com a Conectiva. Não vi a compra dela como um ponto positivo. O Mandrake já era famoso e fácil de usar, não precisava “roubar” a Conectiva para virar o Mandriva que é hoje. Talvez o dinheiro, e/ou a falta de tempo mesmo, falaram mais alto – como quase sempre.

Algo parecido tem acontecido com meus programas, oh quem fala rsrs. Se bem que não se comparam ao trabalho de manter uma distro. O Mep Texto, por exemplo, que foi criado do zero (usando componentes de terceiros e o Delphi, porém criado do zero, afinal os componentes não são nada sozinhos). Há um bom tempo não tem uma versão nova “estável”, a minha é um eterno “testing” que continuo usando fielmente (compilada há uns 2 meses, mais atual do que a que consta no site). Por falta de tempo ainda não empacotei para lançar. O problema com Unicode também me desanimou um pouco. Dá pra dizer que o programa está abandonado ou sem rumo definido, como começou a acontecer com o Kurumin NG.

Voltando ao tema. Em 2008 o país perdeu uma grande distribuição, o Kurumin, que era mantido basicamente pelo Carlos Eduardo Morimoto, do Guia do Hardware. Tempo para se dedicar como a distro merecia e falta de cooperação do público foram alguns dos pontos apontados como a saída do Morimoto do projeto. Seja lá como for, o Kurumin fez no Brasil o que a Conectiva não conseguiu, sem ter uma empresa por trás. A Conectiva até conseguiria, mas se rendeu a uma fusão. O Kurumin começou como uma personalização do Knoppix para rodar em mini-CDs.

Desvinculando o nome do GdH, o Leandro Santos lançou o Kurumin NG para ficar no lugar, que apesar do nome não mantinha ligações com o Kurumin baseado no Knoppix e sim com o Kubuntu. Knoppix esse que também largou a base antiga, excluindo o KDE na sua versão 6.0 – será que foi uma recusa devido ao KDE 4? Veja sobre o lançamento do Knoppix 6.0 e o que mudou, numa notícia aqui no GdH.

Mas enfim:

A distro que parece morrer agora é o Kurumin NG, que não é mais atualizado como os usuários esperam e ainda não houve um pronunciamento oficial, como vem sendo reportado por usuários no fórum do GdH:

https://www.hardware.com.br/comunidade/kurumin-havera/940375/

Particularmente não curto muito o Ubuntu, e o Kurumin NG é baseado no Kubuntu – Ubuntu com KDE. Independente de gostar ou não, o sistema ficou um pouco mais pesado, e sem a originalidade do Kurumin antigo, que se manteve fiel até a versão 7.0. Seria um Kubuntu com ícones mágicos, não desmerecendo o trabalho para tornar a distro diferente.

E assim o Brasil vai perdendo grandes distros.

Algumas alternativas de Linux nacionais para quem se sente desamparado, citadas no fórum mesmo:

BigLinux (talvez o mais próximo do Kurumin 7)

DreamLinux

Resulinux

Famelix

Vamos ver quais destas, ou outras, se manterão.

Pessoalmente eu teria (ou tenho) muita vontade de ver um Kurumin 8 atualizado com KDE 4, mantendo o sistema de detecção de hardware e inicialização que ele tinha, etc. (Ah, KDE 4.2, por favor rs, caso contrário pode renomear pra Gurumin ou ficar com o KDE 3.x mesmo :P). Digamos que me apaixonei pelo Knoppix/Kurumin por se diferenciarem radicalmente de outras distros e serem fáceis de usar. Hoje o Ubuntu também roda como liveCD, mas é diferente, e muuuito mais pesado – eu que vivi por anos com um Pentium II 266 MHz com 160 MB de RAM e HD de 10 GB sei bem (destaco ainda a placa de vídeo com 1 MB de RAM, uma Trident 968X). Algumas coisas eu não gostava, como os ícones mágicos para instalar programas; achava bobeira, raramente usei; vejo que vale mais a pena ensinar a pescar usando o apt-get ou dpkg e pegar programas atualizados do que dar o peixe já temperado e frito. Todavia eram bem vistos e bem comentados pelos mais leigos, pessoas que temem a tela preta do prompt de comando (console, terminal).

Fazer um remaster do Kurumin atualizado não é difícil, fiz vários no final do ano passado até chegar a um relativamente “legal”, sem os ícones mágicos mas mantendo as “gambiarras” (como os scripts de detecção e outras coisas para solucionar problemas), mas… Não valeria a pena sem uma força de vontade em manter o sistema, e tempo, muito tempo. Além de paciência para aguentar as críticas. Se soltasse seria uma ISO isolada, sem comprometimento, o que não teria nada de utilidade. Qualquer um com um conhecimento médio de Linux pode pegar uma distro pura (como Debian, não digo necessariamente o Slackware) e ir personalizando ela até estar do seu gosto. Se for para uso pessoal, um backup da partição geralmente ajuda, sem precisar “criar uma distro” para manter as opções.

Enfim, pelo visto, adeus Kurumin NG. Usem Ubuntu, Fedora, CentOS, Mandriva, Debian, openSUSE, Slackware… Ou Windows, rs. Estas devem se manter por anos e anos sem decepcionar.

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