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CEO da Team Group alerta que ‘nem dinheiro comprará’ memória em 2027

CEO prevê escassez de DRAM até o fim de 2027, enquanto data centers de IA continuam absorvendo a capacidade de produção.

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O DDR5 que você está pensando em comprar para a próxima build pode custar muito mais daqui a alguns meses, e não há sinal algum de que isso irá mudar tão cedo. Chen Ching-wen, CEO da Team Group, foi categórico durante a teleconferência de resultados realizada em 2 de novembro: a crise de memória deve se aprofundar do final de 2026 até o fim de 2027, e o mercado já opera num patamar onde, nas palavras dele, “nem dinheiro consegue garantir o produto“. 

Aumento de 550% em doze meses

O dado mais duro da apresentação é o seguinte: o preço de contrato para chips DDR5 de 16 GB saltou de US$ 8,70 em outubro de 2025 para US$ 48 em setembro de 2026, uma alta de mais de 550% em doze meses e o CEO da Team Group deixou claro que “não há nenhuma tendência de queda de preço“. 

O gargalo operacional da Team Group expõe o mecanismo por trás da crise. A empresa tem contratos de fornecimento firmados, mas o volume contratado não está sendo entregue na íntegra, o que a obriga a recorrer ao mercado à vista para complementar o estoque. Chen Ching-wen foi direto ao ponto: “Como os preços vão cair se não sobrou nada?”

A promessa chinesa que não se materializou

Uma das apostas do mercado para aliviar a pressão de preços era a expansão da capacidade produtiva das fabricantes chinesas. CXMT e YMTC cresceram e hoje detêm juntas quase 10% do mercado, mas o CEO da Team Group apontou o problema central: a maior parte dos chips de DRAM e NAND flash de alta performance ainda saem das fábricas de Kioxia, Micron, Samsung e SK hynix. Mais importante, os preços praticados pelas empresas chinesas continuam acompanhando o mercado convencional de perto, sem operar como alternativa de baixo custo.

O alívio para componentes de entrada, segundo Chen Ching-wen, não deve chegar antes de 2029. Para chips de alta performance, a escassez deve persistir por tempo indeterminado. O CEO estimou ainda que o equilíbrio entre oferta e demanda não deve ocorrer antes do segundo semestre de 2028, e talvez nem até lá. 

O outro lado: Acer discorda

Nem todo CEO do setor é tão pessimista. Jason Chen, CEO da Acer, apresentou uma visão mais otimista em pronunciamento recente: para ele, os preços de componentes devem começar a reverter no segundo semestre de 2027. A tese de Jason Chen é que apenas os chips de alto desempenho, como LPDDR5X-9600 e os SoCs da série Nvidia N1, permanecerão em escassez real, enquanto os componentes mainstream finalmente começarão a ceder.

No curto prazo, ele projeta altas de 5% a 20% em PCs até o fim deste ano, estabilização no primeiro semestre de 2027 e queda a partir daí. Com um detalhe: Jason Chen afirmou que os grandes fornecedores têm interesse direto em amplificar o discurso de escassez para proteger suas margens pelo maior tempo possível.

As duas visões não são necessariamente excludentes. É perfeitamente possível que o mercado mainstream desacelere enquanto o segmento de alto desempenho permanece pressionado pela demanda dos data centers de IA. 

Reação dos usuários

Team Group CEO says memory crisis will reach a point in 2027 where even 'money can't buy goods'
byu/JohnGalactusX inpcmasterrace

A publicação no Reddit gerou uma mistura de preocupação, revolta e humor. Alguns brincaram que empresas poderiam chegar ao ponto de disputar fisicamente estoques de RAM, enquanto outros disseram que o componente estaria se tornando tão valioso quanto petróleo.

Também houve críticas à influência da IA sobre o mercado de hardware. Parte dos usuários acredita que data centers estão absorvendo capacidade demais e defendem que governos intervenham para impedir que empresas de IA monopolizem a produção. Outros suspeitam que fabricantes de memória estejam deliberadamente limitando a oferta para manter os preços elevados.

Um dos pontos mais discutidos foi justamente a afirmação de que “nem dinheiro consegue comprar” RAM. Alguns usuários argumentaram que a memória ainda está disponível nas lojas, mas a preços tão altos que muitos consumidores simplesmente deixaram de comprar. Outros rebateram que a existência de estoque no varejo não significa que exista oferta suficiente no mercado, já que os estoques disponíveis podem estar sendo rapidamente consumidos.

Apesar das divergências sobre a causa da crise, uma sensação apareceu repetidamente nos comentários: o entusiasmo com a IA está começando a ter consequências diretas para quem monta e atualiza PCs. Para alguns usuários, a esperança é que uma eventual desaceleração ou estouro da bolha de IA alivie a pressão; para outros, os investimentos já realizados em data centers indicam que a demanda continuará elevada por bastante tempo.

O grande problema: data centers de IA

O motor estrutural desta crise é a expansão acelerada de infraestrutura de IA. A construção de data centers continua a todo vapor, absorvendo capacidade de HBM e DRAM de alto desempenho que, em outro ciclo de mercado, migraria gradualmente para o segmento de consumo. Enquanto a demanda corporativa se mantiver nesse nível, qualquer nova capacidade produtiva tende a ser capturada antes de chegar às prateleiras de varejo.

O usuário que planeja um upgrade de memória enfrenta o pior dos cenários: preços historicamente elevados e sem perspectiva clara de alívio. 

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Fonte: Tom’s Hardware

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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