11 processadores que ajudam a contar a história da AMD: dos clones da Intel ao Ryzen

Do Am9080 ao Ryzen e EPYC: relembre 11 processadores que ajudam a explicar como a AMD saiu dos clones da Intel e virou protagonista no mercado de CPUs.

Quem olha para o momento que a AMD vive hoje no mercado de processadores, disputando a preferência de usuários de PCs domésticos, entusiastas e também uma fatia cada vez mais importante do mercado de servidores, pode esquecer, ou simplesmente nem saber, como essa história começou.

Nos anos 1970, um dos primeiros processadores produzidos pela empresa nasceu justamente a partir de um chip da Intel. O AMD Am9080 era uma implementação compatível com o Intel 8080 desenvolvida inicialmente por meio de engenharia reversa, antes de a relação entre as duas companhias ser formalizada por acordos de licenciamento.

É um ponto de partida quase difícil de conciliar com a AMD que conhecemos hoje. Entre aquele chip e famílias como Ryzen e EPYC existem mais de cinco décadas de disputas com a Intel, batalhas judiciais, arquiteturas que mudaram o mercado, erros que colocaram a empresa em posições muito delicadas e uma das recuperações mais importantes da história recente do hardware, capitaneada por Lisa Su, uma executiva que já colocou seu nome entre as figuras mais importantes da história recente da indústria de semicondutores.

O Athlon colocou a AMD na frente da Intel na corrida por 1 GHz. O Athlon 64 ajudou a estabelecer o modelo de 64 bits que acabaria predominando nos PCs. Já o Bulldozer mostrou quanto uma aposta arquitetural equivocada poderia custar. E o Ryzen marcou o início de uma recuperação que reposicionou completamente a companhia e passou a ser uma pedra no sapato para a Intel.

Neste artigo, vamos relembrar não necessariamente os dez melhores processadores da história da AMD, mas dez chips que ajudam a explicar como a empresa saiu de um processador derivado de um projeto da Intel para se tornar uma das protagonistas da indústria de CPUs.

11 processadores que ajudam a contar a história da AMD

Processador Ano Arquitetura / família O que representa na história da AMD
AMD Am9080 1975 Compatível com Intel 8080 Um dos primeiros passos da AMD no mercado de microprocessadores
AMD Am386DX-40 1991 Am386 O chip de 40 MHz que ajudou a AMD a enfrentar a Intel nos anos 1990
AMD K6-2 1998 K6 A popularização da AMD nos PCs de baixo custo
AMD Athlon 1 GHz 2000 K7 A vitória simbólica sobre a Intel na corrida por 1 GHz
AMD Athlon XP 2500+ Barton 2003 K7 / Barton A era dourada do Socket A e dos entusiastas de overclock
AMD Athlon 64 2003 K8 / AMD64 A chegada do x86-64 e uma das maiores contribuições da AMD ao PC moderno
AMD Phenom II X4 940 2009 K10 / Deneb A recuperação da AMD em uma época de forte domínio da Intel
AMD FX-8150 2011 Bulldozer A arquitetura que simbolizou um dos períodos mais difíceis da empresa
AMD Ryzen 7 1800X 2017 Zen O processador que materializou a recuperação da AMD sob a gestão de Lisa Su
AMD EPYC 7742 2019 Zen 2 / Rome Os 64 núcleos que ajudaram a recolocar a AMD na disputa pelo mercado de servidores
AMD Ryzen 7 5800X3D 2022 Zen 3 / 3D V-Cache O chip que transformou o cache empilhado em uma arma da AMD para jogos

1. AMD Am9080: quando a história da AMD ainda passava diretamente pela Intel

Ano de lançamento: 1975

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O Am9080 foi uma implementação compatível com o Intel 8080. Seu projeto teve origem em um processo de engenharia reversa realizado a partir de um exemplar inicial do chip da Intel. A AMD então adaptou o projeto ao seu próprio processo de fabricação. Posteriormente, um acordo permitiu que a companhia atuasse oficialmente como segunda fornecedora do 8080.

O detalhe parece quase inacreditável quando observado pelos parâmetros de hoje. A empresa que atualmente desenvolve arquiteturas Zen começou sua trajetória em microprocessadores fabricando uma CPU cuja origem estava diretamente ligada a um projeto da futura maior rival.

O Am9080 não tornou a AMD uma ameaça à Intel, mas tem o legado de ter colocado a empresa dentro do jogo.

2. AMD Am386DX-40: chegou a horia de incomodar

Ano de lançamento: 1991

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Durante anos, a AMD fabricou versões de processadores Intel sob acordos de segunda fonte. A situação mudou quando as duas companhias entraram em uma longa disputa sobre o direito da AMD de produzir sua própria versão do 386.

Quando o Am386 finalmente chegou ao mercado em 1991, a AMD tinha uma trunfo particularmente interessante: uma variante de 40 MHz, enquanto os 386 da Intel haviam chegado a 33 MHz

Ainda não era a independência tecnológica que chegaria posteriormente. O Am386 continua continuava sendo um processador compatível com uma arquitetura estabelecida pela Intel. Mas uma coisa mudou, a AMD já não precisava existir apenas como a empresa que fabricava chips para garantir uma segunda fonte de fornecimento. Agora podia vender seu próprio produto diretamente contra o original, e competir também em frequência e preço.

A rivalidade AMD versus Intel começava a ganhar a forma que passaria a definir o mercado de hardware nos anos seguintes.

3. AMD K6-2: o chip da AMD que entrou em milhões de PCs baratos

Ano de lançamento: 1998

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Para muita gente que teve um PC no fim dos anos 1990, a história da AMD começou com um adesivo escrito AMD-K6-2 na frente do gabinete. Lançado em 1998, o K6-2 trouxe as instruções multimídia 3DNow! e explorou a plataforma Super Socket 7, tornando-se particularmente atraente em computadores montados com foco em preço.

A importância daquele processador foi reconhecida pela própria AMD. No relatório anual referente a 1998, a companhia descreveu a chegada do K6-2 como um “watershed event”, ou ponto de inflexão. Segundo a companhia, era a primeira vez em sua história que tinha um processador próprio e diferenciado, totalmente compatível com o ecossistema Windows e capaz de oferecer vantagens claras de desempenho ao consumidor.

O K6-2 não destronou o Pentium II em desempenho, mas mostrou que a AMD poderia se tornar um nome reconhecível para o consumidor comum, o grande público. 

4. Athlon 1 GHz: a coroação na corrida do Ghz

Ano de lançamento: 2000

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Em março de 2000, um número valia quase tanto quanto qualquer benchmark: 1 GHz.

AMD e Intel corriam publicamente para atingir a marca, e a companhia que durante anos ocupara o papel de azarão chegou primeiro. Em 6 de março, a AMD apresentou o Athlon de 1 GHz; a imprensa na época registrou a vitória sobre a Intel na corrida simbólica do gigahertz. O Athlon original já havia colocado a AMD em competição direta no segmento de alto desempenho. Foi um período em que a companhia deixou de disputar apenas pelo custo e passou a superar processadores Intel em diferentes versões.

Com o Atholon de 1 Ghz, a AMD mudou a percepção pública. Colocou a Intel em xeque em relação a maneira como comunicação dimensionou o lançamento. Pela primeira vez, a Intel precisava correr atrás de um marco estabelecido pela AMD.

5. Athlon XP 2500+ Barton: um aceno aos entusiastas

Ano de lançamento: 2003

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Rodando originalmente a 1,83 GHz, o Atholon XP 2500+ Barton trazia 512 KB de cache L2 e rapidamente ganhou fama entre entusiastas pelo custo-benefício e pelo potencial de overclock. Diversos relatos em fóruns estão cheios de usuários que conbseguiram levar o 2500+ para a região de 2,2 GHz, frequência utilizada pelo Athlon XP 3200+, muitas vezes apenas elevando o barramento para 200 MHz quando placa-mãe e memória permitiam.

Era a época do Socket A, das placas com nForce2, das memórias DDR, dos multiplicadores, dos coolers enormes para os padrões da época e de uma cultura de montar e ajustar o próprio computador que ajudou a formar uma geração inteira de entusiastas. Essa época é legítimo frame no estpilo Polaroid em que muitos aficioandos por hardware sentem saudade. Uma era de experimentação, não somente dos fabricantes, mas também dos usuários. 

6. Athlon 64: uma lenda que dispensa apresentações

Ano de lançamento: 2003

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Se fosse preciso escolher apenas um processador desta lista pela importância tecnológica de longo prazo, o Athlon 64, lançado em setembro de 2003, é o escolhido. 

A AMD precisava levar o x86 aos 64 bits sem abandonar todo o software de 32 bits que já existia. Sua solução foi o AMD64, uma expansão da arquitetura x86 que permitia preservar essa compatibilidade enquanto adicionava os recursos necessários à computação de 64 bits. A AMD também colocou o controlador de memória dentro do processador, outra característica importante da arquitetura K8.

O impacto do AMD64 ultrapassou em muito um produto específico. O modelo x86-64 acabou prevalecendo no mercado de PCs e foi adotado também pela Intel em implementação compatível.

Isso significa que existe uma linha direta entre aquela decisão arquitetural tomada pela AMD e o conjunto de instruções usado pelos processadores x86 modernos.

7. Phenom II X4 940: aprender a competir sem estar na liderança

Ano de lançamento: 2009

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A história muda de tom depois do auge do Athlon 64. A chegada do Core 2 em 2006 devolveu à Intel uma vantagem que a AMD não conseguiu responder rapidamente. O primeiro Phenom ainda carregou seus próprios problemas, incluindo o famoso bug de TLB das primeiras revisões.

O Phenom II, lançado no início de 2009 em processo de 45 nm, foi a tentativa de colocar ordem na casa.

O X4 940 chegou a 3 GHz e trouxe 6 MB de cache L3. Não retomou a coroa de desempenho, o Core i7 já estabelecia outro patamar em várias carga, mas recolocou a AMD em uma situação competitiva principalmente quando o custo completo da plataforma entrava na conta. Era uma fase de recuperação, não de protagonismo.

Durante esse período, a empresa aprendeu a sobreviver oferecendo uma combinação agressiva de preço, múltiplos núcleos, compatibilidade e plataformas mais acessíveis.

8. FX-8150: o inferno na torre conhecido como Bulldozer

Ano de lançamento: 2011

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Oito anos depois do Athlon 64, a AMD apresentou uma arquitetura completamente nova e colocou sobre ela enormes expectativas. O resultado foi o Bulldozer.

O FX-8150 estreou em 2011 utilizando um design baseado em módulos: cada módulo reunia dois clusters de execução de inteiros e compartilhava outros recursos. A AMD comercializava o modelo como um processador de oito núcleos, mas a abordagem não entregou a vantagem esperada em muitas cargas comuns.

O problema mais evidente aparecia justamente no desempenho por thread. Na análise do FX-8150, o site AnandTech observou em 2011 que a própria AMD não esperava que jogos limitados pela CPU fossem um ponto forte da arquitetura por causa do desempenho single-thread. O FX-8150 tornou-se o símbolo de uma época em que a distância para a Intel crescia e a AMD precisava desesperadamente de uma nova direção. E demorou muito para que a empresa voltar a um caminho menos pantanoso.

9. Ryzen 7 1800X: um retorno com simbolismo!

Ano de lançamento: 2017

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Em 2 de março de 2017, chegou às lojas um processador de oito núcleos e 16 threads chamado Ryzen 7 1800X.

Ele operava a 3,6 GHz, chegava a 4 GHz em boost e tinha TDP de 95 W. Essas especificações eram importantes, mas não explicavam completamente o tamanho daquele lançamento. A verdadeira novidade se chamava Zen.

O Ryzen 7 1800X chegou ao mercado já sob a liderança de Lisa Su, que havia assumido o comando da AMD em 2014, em um momento particularmente delicado para a companhia. Sua gestão ficou diretamente associada à estratégia de voltar a concentrar recursos em produtos de alto desempenho e em grandes apostas arquiteturais de longo prazo.

A AMD dizia ter passado anos desenvolvendo a nova arquitetura com o objetivo explícito de voltar ao mercado de alto desempenho. Com os primeiros Ryzen 7, oito núcleos e 16 threads, até então muito mais associados a plataformas caras, passaram a aparecer em uma plataforma voltada ao consumidor comum e aos entusiastas.

A primeira geração não era perfeita. Latência de memória, compatibilidade inicial e desempenho em determinados jogos ainda deixavam espaço para a Intel, mas a AMD mostrou que era possível voltar a competir, de maneira legítima.

Depois de anos em que a pergunta era se a empresa conseguiria continuar relevante nas CPUs de alto desempenho, ou até mesmo seguir existindo, o mercado passou a discutir quanto o Ryzen poderia evoluir nas gerações seguintes.

O Ryzen 7 1800X representa mais do que o nascimento de uma nova família de processadores. Ele é também um dos símbolos mais claros de que a AMD conseguia se reaprumar sob Lisa Su, transformando uma empresa pressionada e tecnologicamente atrás da Intel em uma competidora novamente capaz de mudar o equilíbrio do mercado.

10. EPYC 7742: quando a AMD voltou a incomodar a Intel nos servidores

Ano de lançamento: 2017

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O Ryzen mostrou que a arquitetura Zen poderia colocar a AMD novamente na disputa pelos PCs domésticos. Mas a recuperação da empresa não estaria completa se ela continuasse praticamente irrelevante em um dos mercados mais importantes e lucrativos: os servidores. Foi aí que entrou a família EPYC.

A primeira geração, conhecida pelo codinome Naples, estreou em 2017 e marcou o retorno da AMD à disputa no data center. Dois anos depois, porém, a geração Rome mostrou que aquilo não havia sido apenas uma tentativa de aproveitar o embalo do Ryzen.

O EPYC 7742 ajuda a representar perfeitamente essa mudança. Baseado na arquitetura Zen 2 e produzido em 7 nm nos chiplets de CPU, o processador oferecia 64 núcleos e 128 threads, 256 MB de cache L3 e 128 pistas PCIe 4.0. Naquele momento, a AMD conseguia colocar em um único soquete mais que o dobro do número de núcleos oferecido pelos Xeon convencionais de topo da Intel.

O impacto não ficou restrito às especificações. No lançamento da segunda geração EPYC, em agosto de 2019, a AMD anunciou Google e Twitter entre as empresas que estavam adotando os novos processadores, enquanto fabricantes como HPE e Lenovo apresentavam servidores baseados na plataforma. Em determinadas cargas de alto desempenho, a relação entre desempenho, número de núcleos, conectividade e preço colocava enorme pressão sobre a Intel.

Isso torna o EPYC 7742 especialmente importante nesta lista. O Ryzen 7 1800X havia provado que Lisa Su e sua equipe podiam recolocar a AMD na disputa pelos desktops. O EPYC trouxe o mesmo gás para reconstruir a credibilidade da empresa também nos data centers.

11. Ryzen 7 5800X3D: o processador que hipnotizou os gamers

Ano de lançamento: 2022

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Cinco anos depois do primeiro Ryzen, a AMD encontrou outra maneira de disputar desempenho sem simplesmente aumentar frequência ou número de núcleos. Ela empilhou cache sobre o processador.

Lançado em 2022, o Ryzen 7 5800X3D foi o primeiro Ryzen equipado com a tecnologia 3D V-Cache. O processador combinava oito núcleos Zen 3 com uma grande quantidade adicional de cache L3 empilhada sobre o chip, chegando a 96 MB de L3 e 100 MB de cache total.

A ideia de empilhar e ampliar o cache trouxe um benefício especialmente importante para quem montava uma máquina voltada a jogos. Em muitos títulos, o aumento expressivo de cache reduzia a necessidade de buscar dados fora do processador com tanta frequência, ajudando a melhorar o desempenho justamente em cenários em que jogos costumam ser muito sensíveis à latência. O impacto também foi simbólico. Durante muitos anos, a Intel foi vista como a escolha mais segura para quem queria extrair o máximo de desempenho em jogos, mesmo em períodos em que a AMD oferecia alternativas muito competitivas em preço ou em tarefas multithread.

Com o Ryzen 7 5800X3D, essa percepção começou a mudar de forma mais clara. A AMD encontrou uma vantagem específica que fazia enorme sentido para o público gamer e transformou o 3D V-Cache em uma das principais armas de sua linha de processadores.

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Editor-chefe no Hardware.com.br Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @williamrplaza Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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