Chipsets para o Athlon, Duron e Sempron

A migração para o slot/soquete A foi um passo importante para a AMD, evitando um futuro de subserviência e pagamento de royalties para utilizar novas plataformas da Intel. O problema em manter uma plataforma própria é que, além de desenvolver os processadores, se tornou necessário coordenar o desenvolvimento da plataforma, incentivando outros fabricantes a desenvolverem chipsets, fabricarem placas e assim por diante.

Na época do Athlon nada disso existia, por isso a AMD iniciou o desenvolvimento de uma linha de chipsets, além de desenvolver um conjunto de placas de referência (projetos de placas-mãe que podem ser usados pelos fabricantes interessados). O principal objetivo não era realmente entrar para o ramo de chipsets, que na época estava fora das pretensões da AMD, mas sim estimular os demais fabricantes a desenvolverem produtos para a plataforma, quebrando a hegemonia da Intel.

O primeiro foi o AMD 750 (Irongate), o chipset inicial para o Athlon. Ele era um projeto clássico, composto pelos chips AMD 751 (a ponte norte) e AMD 756 (a ponte sul), que eram interligados através do barramento PCI, assim como no i440BX. O chipset suportava interfaces IDE ATA-66, AGP 2x e utilizava memórias SDRAM.

Entretanto, a falta de suporte a AGP 4x, além de alguns problemas de estabilidade, tornaram o AMD 750 uma alternativa um tanto quanto inadequada. A primeira variação usada pelos fabricantes de placas-mãe foi combinar a ponte norte do AMD 750 com a ponte sul do VIA Apollo 133 (para o Pentium III), criando uma espécie de solução híbrida, que combinou os recursos do AMD 750 com o suporte a até 4 portas USB e a slots AMR. Exemplos de placas que adotaram esta solução mista foram a Asus K7M e a FIC SD11.

A K7M foi um caso bastante curioso. Apesar de ser fabricada pela Asus, ela era vendida em uma caixa branca, sem nenhuma menção à marca no manual ou no CD de drivers. Até hoje não é possível encontrar qualquer referência a ela no site da Asus. Existem várias possíveis explicações para a história, que vão desde receio de represálias por parte da Intel, até o medo de associar à marca a uma plataforma ainda incipiente.

De qualquer forma, a K7M foi uma boa placa dentro das limitações do chipset. Ela era uma placa full-ATX típica, com 1 slot AGP, 5 slots PCI, um slot ISA (compartilhado com o último PCI), além de som onboard e um slot AMR para a conexão de um modem, ambos cortesia do chip VIA 686A, usado como ponte sul:

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Asus K7M, a placa “clandestina” da Asus, baseada no AMD 750

Ao contrário do que tivemos com o Pentium III e Celeron, onde era possível utilizar um adaptador simples para instalar um processador soquete 370 em uma placa slot 1, não chegaram a ser fabricados adaptadores que permitissem instalar processadores soquete A em placas slot A (embora fossem tecnicamente possíveis), o que abreviou a vida útil das placas slot A, limitando seu uso à primeira leva de processadores Athlon K7 e K75.

O próximo da lista foi o AMD 760, que trouxe o suporte ao barramento EV6 266 (que nada mais era do que uma versão atualizada do barramento original, capaz de operar a 133 MHz e mantendo as duas transferências por ciclo) e suporte a memórias DDR. Ele incluiu também o suporte a AGP 4x e interfaces ATA-100.

Inicialmente, existiam planos para lançar um terceiro chipset, o AMD 770, que traria suporte a multiprocessamento e seria utilizado pelo AMD Mustang, uma versão do Athlon destinada a servidores, com mais cache L2. A promessa acabou não se materializando e no lugar do 770 foi lançado o AMD 760MP, uma versão atualizada do 760, que trazia suporte a multiprocessamento. O próprio Mustang acabou engavetado, dando lugar ao Athlon MP, a versão do Athlon Palomino com suporte a SMP.

O 760MP fez um relativo sucesso, sendo utilizado em diversas placas destinadas a servidores e estações de trabalho, incluindo a Tyan Tiger MPX. Entretanto, um problema na controladora USB que passou despercebido até que o chipset já estivesse em produção, fez com que toda a safra inicial de placas fossem vendidas em conjunto com uma placa USB externa, com as portas USB do chipset desativadas no setup.

A partir do pontapé inicial dado pela AMD, as opções de chipsets para a plataforma começaram a se multiplicar rapidamente, com produtos da VIA, SiS e nVidia. Em uma cena que se tornou familiar a partir daí, a SiS passou a se concentrar na produção de chipsets de baixo custo, com a nVidia tentando produzir opções high-end e a VIA se dividindo entre os dois nichos.

O primeiro foi o VIA KX133, que chegou ao mercado em janeiro de 2000. Embora tenha sido lançado quase seis meses após o lançamento do Athlon e do AMD 750, ele acabou se tornando o chipset dominante para a plataforma, substituindo rapidamente o AMD 750 e o 760. Apenas o AMD 760MP foi capaz de esboçar reação, mantendo sua posição entre as placas com suporte a SMP durante algum tempo.

Em termos de recursos, o KX133 era similar ao VIA Apollo 133 para o Pentium III (ambos os chipsets utilizavam o chip 686A como ponte sul e o barramento PCI como barramento de comunicação). O KX133 incluía suporte a AGP 4x, mas em compensação ainda não incluía suporte a memórias DDR, ficando limitado às memórias SDR PC-133 (suporte a até 2 GB), que na época ainda eram mais baratas.

Assim como no Apollo 133, o KX133 permitia que a frequência da memória fosse ajustada de forma assíncrona com a frequência do FSB, o que permitia manter as memórias operando a 133 MHz, mesmo ao utilizar as versões do Athlon com bus de 200 MHz (100 MHz com duas transferências por ciclo). Combinada com mais algumas otimizações, essa característica fazia com que o KX133 fosse sensivelmente mais rápido que o AMD 750, chegando a competir com o AMD 760 (que já utilizava memórias DDR) em diversas aplicações.

Por utilizar o mesmo chip 686A como ponte sul, o KX133 não trouxe nenhuma novidade com relação aos demais barramentos. Ele continuou oferecendo 4 portas USB, interfaces ATA-66, som onboard (e a possibilidade de adicionar um modem, através de uma placa AMR), além de conservar o suporte a slots ISA.

Comparado com os chipsets para processadores Intel da época, o KX133 era um chipset mediano. Assim como em outros chipsets VIA, seu trunfo era o baixo custo. A ponte sul integrava vários componentes, controlador de I/O, ponte ISA/PCI e monitor de hardware, componentes que nos chipsets Intel precisavam ser adquiridos separadamente pelo fabricante da placa-mãe, aumentando a diferença no custo de produção das placas. Note que, apesar de suportar 133 MHz para a memória, o KX133 oferecia suporte apenas aos processadores com bus de 200 MHz (mesmo em overclock, não era capaz de superar os 112 a 115 MHz de FSB).

Em seguida, a VIA lançou o KT133, uma versão adaptada do KX133 destinada ao Athlon Thunderbird e ao Duron, já utilizando o soquete A. Com exceção desse detalhe, o KT133 não era diferente do KX133, mantendo o suporte apenas aos processadores com bus de 200 MHz. Isso foi resolvido apenas com o lançamento do KT133A, que trouxe suporte às versões do Thunderbird que utilizam bus de 266 MHz (ou 133 MHz com duas transferências por ciclo, como preferir :). Ambos suportam também o chip 686B como ponte sul, que incorporou interfaces ATA-100.

Temos aqui o diagrama de blocos do KT133, que se aplica também ao KT133A. Veja que ele utiliza um design bastante simples, com toda a comunicação sendo feita através do barramento PCI:

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Em junho de 2000 a AMD lançou a primeira versão do Duron. Na época ele era quase uma pechincha, pois oferecia cerca de 90% do desempenho de um Athlon Thunderbird do mesmo clock por quase um terço do preço e ainda por cima suportava overclocks generosos, com a versão de 600 MHz suportando trabalhar a 800 MHz ou mais.

O maior obstáculo à popularização do Duron nos primeiros meses não era a performance do processador, mas sim a carência de chipsets com vídeo onboard. O Celeron contava com as placas baseadas no i815, mas o Duron precisava ser combinado com placas full-ATX ou mini-ATX baseadas no VIA KT133 que, combinadas com placas 3D dedicadas, resultavam em PCs muito mais caros que os Celerons.

Esta carência foi suprida por dois chipsets, o VIA KM133 e o SiS 730S, que marcou a entrada da SiS no ramo das placas soquete A. Por serem baratos e incluírem chipsets de vídeo onboard, eles acabaram sendo os chipsets mais comuns na primeira geração de placas soquete A.

O KM133 foi mais uma versão do KT133, que incorporava agora um chipset de vídeo ProSavage (um chipset de baixo custo, que oferecia cerca de 70% do desempenho de uma nVidia TnT2 M64), mantendo todas as demais características, como o suporte a AGP e o uso de memórias SDR.

Para efeito de proporção, a série TnT2 foi a terceira série de placas da nVidia, anterior às primeiras GeForce. A TnT2 M64 era uma versão de baixo custo, que operava a um clock mais baixo e possuía um barramento com a memória de apenas 64 bits (em vez de 128). O ProSavage era o tipo de chipset de vídeo que você usaria para jogar o Quake III, a 640×480 e com parte dos efeitos visuais desativados.

O SiS 730S por sua vez era era uma solução single-chip, onde a ponte norte e a ponte sul foram combinadas em um único chip, com a comunicação interna ainda feita através do barramento PCI.

Ele utilizava um chipset SiS 300 como vídeo integrado. Apesar dos problemas relacionados aos drivers, o desempenho era mediano (para a época), similar ao i752 usado no chipset i815 e levemente inferior ao ProSavage do VIA KM133. O maior problema eram os drivers de vídeo, que eram instáveis e ofereciam poucos recursos.

O SiS 730S foi usado exclusivamente em placas de baixo custo, sempre no formato micro-ATX e contando tipicamente com um slot AGP e dois slots PCI. O desempenho do controlador de memória era sensivelmente inferior ao do VIA KM133, de forma que o desempenho geral das placas era cerca de 5% inferior.

Em compensação, as interfaces IDE do SiS 730S eram mais rápidas e o chipset de vídeo incluía suporte a iDCT e motion compensation, o que reduzia a utilização do processador ao assistir filmes em Divx e DVDs. Este era um diferencial importante para quem tinha um Duron de baixo clock e queria manter um filme rodando em segundo plano enquanto navegava ou trabalhava.

Completando as especificações, o SIS 730S oferecia suporte a até 1.5 GB de memória SDR, AGP 4x, 6 portas USB 1.1, interfaces ATA-100, som e rede onboard, com a opção de usar um modem AMR. Ele oferecia suporte a bus de 133 MHz, mas o chipset não trabalhava de forma inteiramente estável acima de 100 MHz, o que fazia com que ele fosse mais adequado aos Durons.

Na foto a seguir temos uma PC-Chips M810LR, um triste exemplo de placa de baixo custo, baseada no SiS 730S, que acabou se tornando extremamente popular no Brasil devido ao baixo custo. Ela incluía as portas de expansão típicas em uma placa micro-ATX da época, incluindo o slot AGP, dois slots PCI, o slot AMR utilizado pelo modem, dois slots de memória, duas portas IDE, além do vídeo, som e rede onboard.

Entre os diversos problemas da placa estavam a falta de estabilidade geral, deficiências no sistema de alimentação elétrica do slot AGP, o que impedia o uso de placas AGP mais parrudas (já que o slot AGP não era capaz de fornecer a energia necessária), problemas de durabilidade causados pela baixa qualidade dos capacitores, deficiência nos reguladores de tensão do processador, baixo desempenho, problemas diversos relacionados ao BIOS e drivers e dificuldade de encontrar e baixar atualizações para eles. Em resumo, assim como outras placas da PC-Chips, a única qualidade da M810LR era mesmo o preço.

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PC-Chips M810LR, baseada no SiS 730S

Em janeiro de 2001 a VIA lançou seu primeiro chipset com suporte a memórias DDR, o KT266. O principal motivo da demora foi o bom desempenho da plataforma anterior, já que, ao contrário do Pentium 4, o Athlon era um processador mais adaptado para trabalhar com um barramento de dados mais estreito, de forma que o ganho de desempenho ao migrar para as memórias DDR era pequeno, pouco superior a 10%. A VIA simplesmente esperou que os preços dos módulos DDR caíssem até que a diferença em relação aos SDR fosse pequena. O KT266 manteve também o suporte a memórias SDR, o que permitiu o surgimento de algumas placas híbridas, com suporte a ambos os padrões.

Assim como o Apollo Pro266 (para o Pentium III) lançado poucos meses antes, o KT266 abandonou o uso do barramento PCI para a interligação, adotando o uso do barramento V-Link. Muitas das primeiras placas baseadas no KT266 possuíam problemas relacionados ao BIOS, o que prejudicava de forma considerável o desempenho, fazendo com que elas acabassem sendo mais lentas que as baseadas no KT133. Entretanto, atualizações de BIOS foram rapidamente disponibilizadas pelos fabricantes, corrigindo o problema.

Combinando o uso de memórias DDR e otimizações adicionais feitas no controlador de memória, um Athlon espetado em uma placa baseada no KT266 é 10 a 15% mais rápido que um espetado em uma placa da geração anterior, com memórias SDR.

Em agosto de 2001, a VIA lançou uma atualização do KT266, o KT266A, que além de resolver de vez os problemas de performance relacionados a versões de BIOS e erros de implementação por parte dos fabricantes de placas, trouxe algumas melhorias incrementais no controlador de memória, que resultaram em mais um pequeno ganho. Como não existiram outras mudanças arquiteturais, a principal vantagem em comprar uma placa baseada no KT266A era a garantia de não precisar ficar se debatendo com atualizações de BIOS para normalizar o desempenho da placa.

Antes de ser aposentada, a série KT266 recebeu mais duas atualizações. A primeira foi o KM266, uma versão do KT266A que incluía um chipset de vídeo onboard ProSavage8. A segunda foi o KT333, que incluiu suporte a bus de 333 MHz (166 MHz x 2) e suporte oficial a memórias DDR-333, sem, entretanto, trazer novos recursos ou novas opções de ponte sul.

Na foto a seguir temos uma Gigabyte GA-7VRXP, um exemplo de placa baseada no KT333. Ao contrário da maioria das placas baseadas no KM266 (que eram placas micro-ATX, que priorizavam o uso dos componentes onboard), ela é uma placa full-ATX que inclui um slot AGP universal 4x e 5 slots PCI. Ela possui um total de 4 portas IDE, onde as duas portas adicionais são cortesia do chip Promise PDC20276, um controlador RAID. As portas USB 1.1 incluídas na ponte sul do chipset foram desativadas e substituídas por um chip VIA 6202, mais um controlador adicional, que adiciona suporte a 8 portas USB 2.0.

Embora o KT333 ofereça suporte a 4 GB de RAM, existe suporte a módulos de até 1 GB. A GA-7VRXP oferece suporte a até 3 módulos, de forma que o máximo suportado por ela são 3 GB, o que, de qualquer forma, era uma marca muito boa para a época:

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Gigabyte GA-7VRXP, baseada no KT333

O ano de 2001 marcou também a entrada da nVidia no ramo de chipsets, com a versão inicial do nForce, que nasceu como um chipset para a versão inicial do Xbox. Depois de lançado o console, a nVidia aproveitou a expertise acumulada para desenvolver a versão do chipset para micros PC.

Ele foi o primeiro chipset a utilizar o sistema dual-channel (chamado pela nVidia de “twinbank”) em conjunto com memórias DDR. A ideia central era utilizar o acesso simultâneo a dois módulos de memória DDR-266 para criar um barramento de 4.2 GB/s, capaz de alimentar simultaneamente o processador e um chipset de vídeo GeForce2 MX (operando a 175 MHz) integrado ao chipset. O principal objetivo era oferecer um chipset 3D “de verdade” integrado ao chipset, com um desempenho mais próximo do oferecido pelas placas dedicadas.

Embora o nForce oferecesse um slot AGP 4x para a conexão de uma placa de vídeo externa, a comunicação entre o vídeo onboard e o restante do chipset era feita através de um barramento AGP 6x interno, de forma a agilizar o acesso à memória. Este AGP “6x” não foi um padrão estabelecido, mas sim um tweak desenvolvido pela nVidia para uso no nForce.

Também não era obrigatório utilizar dois módulos de memória, assim como não é obrigatório na grande maioria dos demais chipsets com suporte a dual-channel, mas ao utilizar um único módulo o barramento com a memória era reduzido à metade (assim como nos chipsets dual-channel atuais), fazendo com que o chipset perdesse boa parte dos seus atrativos.

Na foto a seguir temos uma Leadtek K7n420DA, um exemplo de placa soquete A, baseada no nForce original. Você pode notar que a placa possui 3 slots de memória, um número ímpar. Ao popular os três, o primeiro módulo era utilizado pelo primeiro controlador de memória, enquanto os outros dois seriam usados pelo segundo. A memória compartilhada com a placa de vídeo era distribuída apenas entre o primeiro e segundo módulo, de forma que o número ímpar acabava não fazendo muita diferença. Era permitido inclusive misturar módulos de capacidades diferentes.

O slot PCI invertido à esquerda é um slot ACR, que era utilizado pela placa riser do modem onboard. O uso do ACR acabou não pegando, de forma que o slot foi removido a partir da segunda geração de placas.

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Leadtek K7n420DA, baseada no nForce original

Embora não tenha sido o “salvador da pátria” que muitos esperavam, o nForce se revelou realmente mais rápido que o VIA KT266 e o SiS 735, que eram seus concorrentes diretos, em 2001. Graças ao uso do dual-channel, o vídeo onboard oferecia um desempenho similar ao de uma GeForce 2 low-end, bastante superior às outras opções de vídeo onboard. O maior problema era que o chipset (e consequentemente as placas baseadas nele) era caro, o que limitou as vendas.

Existiram três versões do nForce. O nForce 420 era a versão “completa” com suporte ao twinbank e vídeo integrado. O nForce 415 era uma versão sem vídeo integrado, um pouco mais barata e destinada a quem pretendia utilizar uma placa dedicada, enquanto o nForce 220 era a versão mais lenta, com vídeo integrado, mas sem suporte ao twinbank.

Continuando a saga, tivemos em seguida os chipsets VIA KT400 e KM400. O KT400 foi um projeto sensivelmente melhorado em relação ao KT333, incluindo suporte a AGP 8x, ATA-133 e USB 2.0. Como o nome sugere, ele oferecia suporte oficial a memórias DDR-400, onde o barramento com a memória opera de forma assíncrona, mantendo o FSB a 333 MHz. Ele utilizava também a segunda versão do V-Link, operando agora a 533 MB/s, como barramento de comunicação entre a ponte norte e ponte sul do chipset.

O KM400, por sua vez, foi uma versão do KT400 com vídeo onboard, cortesia do chipset VIA UniChrome, desenvolvido em parceria com a S3. Como em outras versões, o KT400 foi tipicamente utilizado nas placas full-ATX ou mini-ATX, destinadas a PCs offboard, enquanto o KM400 era mais utilizado em placas micro-ATX, destinadas a PCs de baixo custo.

O KT400 e o KM400 sofreram uma forte concorrência por parte do nVidia nForce2 que, embora um pouco mais caro, era mais rápido que o KT400 (graças ao suporte a dual-channel) e oferecia a opção de utilizar o nForce2 IGP, uma versão com um chipset de vídeo Geforce4 MX integrado, muito mais poderoso que o VIA UniChrome do KM400. Para completar, o nForce oferecia drivers mais maduros e melhor suporte ao Linux. A combinação destas características fez com que ele passasse a rapidamente roubar mercado da VIA.

A versão inicial do nForce2 foi lançada em junho de 2002. Ele acabou ganhando nada menos do que 6 versões diferentes, mantendo-se em serviço ao longo de mais de 2 anos. O nForce 3 seria lançado apenas em 2004, já como um chipset para o Athlon 64.

As duas versões originais eram chamadas de nForce2 IGP e nForce2 SPP (a versão mais simples). Ambos compartilhavam o mesmo projeto básico, com duas exceções importantes. O nForce2 SPP não vinha com o vídeo integrado e não suportava processadores com bus de 333 MHz, enquanto o IGP vinha com o conjunto completo.

O chipset de vídeo usado no nForce2 IGP passou a ser o GeForce4 MX, operando agora a 250 MHz. Foi introduzido também o suporte a memórias DDR-400, o que aumentou o barramento teórico ao usar dois módulos para 6.3 GB/s, acompanhando a evolução do chipset de vídeo e dos próprios processadores. O barramento AGP 4x/6x da versão anterior foi atualizado para o padrão 8x, usado tanto pelo vídeo integrado quanto por uma placa offboard. Acompanhado de dois módulos DDR-400, o vídeo onboard do nForce2 era capaz de superar uma GeForce4 MX 420, um feito inédito para uma placa onboard.

Com relação ao chip MCP, usado como ponte sul, existiram duas versões. O MCP-T era a versão mais parruda, com interfaces ATA-133, 6 portas USB 2.0, duas placas de rede 10/100 (destinadas a quem pretendia compartilhar a conexão ou usar o PC como roteador), firewire e o nVidia APU, o chipset de áudio onboard da nVidia, com suporte a áudio 3D (com o EAX) e 64 vozes simultâneas.

A versão mais simples era chamada simplesmente de “MCP” e contava com um chipset de áudio mais simples, padrão AC97. Ela vinha também sem a segunda interface de rede e sem suporte a firewire. Por ser mais barata, esta foi a versão usada na maior parte das placas.

Em seguida foram lançados o nForce2 400 e o nForce2 Ultra 400, que trouxeram suporte a processadores com bus de 400 MHz. A grande diferença entre os dois é que o nForce2 400 vinha com o suporte a dual-channel desabilitado, enquanto o Ultra 400 era a versão completa.

Finalizando a série, foram lançados o nForce2 Ultra 400R e o nForce2 Ultra 400 Gb. Estas duas versões eram a combinação da ponte norte do Ultra 400 com versões aprimoradas do chip MCP (ponte sul). O Ultra 400R vinha com suporte a SATA e RAID (mantendo os recursos anteriores), enquanto o Ultra 400 Gb adicionava também uma interface de rede Gigabit Ethernet.

Por estranho que possa parecer, todas estas quatro versões do nForce2 400 são baseadas no SPP, ou seja, a versão sem vídeo onboard do nForce. Embora o desempenho do vídeo onboard do nForce2 IGP chamasse a atenção em relação a outros chipsets de vídeo onboard, o desempenho ainda era considerado fraco pelos entusiastas, que preferiam investir em uma placa de vídeo dedicada.

O nForce2 IGP era um chipset relativamente caro, de forma que os chipsets com vídeo onboard da SiS e VIA continuaram dominando o ramo de placas de baixo custo, enquanto nas placas mais caras o nForce2 SPP, seguido pelas diferentes versões do Ultra 400, competiam com o VIA KT400A e sucessores.

No final das contas, o nForce2 IGP acabou não encontrando o seu espaço e a nVidia passou a concentrar os esforços em desenvolver chipsets de alto desempenho, sem vídeo onboard, aprimorando os demais componentes do chipset e adicionando diferenciais, como o suporte a SLI. Foi nessas condições que surgiram os chips nForce 3 e em seguida os nForce 4, nForce 500 e nForce 600, que passaram a ser produzidos também em versão para processadores Intel.

Em março de 2003, a VIA respondeu com o KT400A, uma versão revisada do KT400, que trouxe um controlador de memória redesenhado, que incluía um novo mecanismo de prefetch (responsável por adiantar o carregamento de dados nos módulos de memória, aproveitando os ciclos livres) e um aumento dos buffers de dados disponíveis no chipset.

Estes buffers armazenavam dados carregados pelo mecanismo de prefetch, com uma grande possibilidade de serem requisitados em seguida. O princípio era similar ao de um cache L3, mas com um funcionamento diferente, já que o buffer era gerenciado pelo controlador de memória e o processador não tem ciência dele. A VIA usou a marca “FastStream64” para divulgar as melhorias. Basicamente, o KT400A levou ao limite o desempenho que era possível obter utilizando um único módulo DDR400, reduzindo a diferença em relação ao nForce2 com dual-channel.

Como um extra, o KT400A passou a oferecer suporte ao chip VT8237R como ponte sul. Ele incorporava 4 interfaces SATA, com suporte a RAID 0 e 1. Como opção de baixo custo, os fabricantes podiam utilizar o VT8235CE, que vinha com apenas 6 portas USB (em vez de 8) e sem as interfaces SATA. Hoje em dia parece burrice economizar alguns dólares em troca da falta de suporte a SATA, mas em março de 2003 o cenário era um pouco diferente do atual, o que levou muitos fabricantes a optarem pela versão mais barata.

Junto com o KT400A, foi lançado também o KM400A, que incluía o chipset de vídeo onboard. Antes que a plataforma soquete A fosse aposentada, em favor do soquete 754 e dos processadores com as extensões de 64 bits, a VIA lançou dois últimos chipsets, o KT600 e o KT880. A série KM acabou ficando estagnada no KM400A, sem novas atualizações.

O KT600 foi uma versão atualizada do KT400A, que incluiu suporte aos processadores com bus de 400 MHz (o suporte a memórias DDR-400 já existia desde o KT400A, mas nele a memória funcionava de forma assíncrona, com um desempenho sutilmente mais baixo). A maioria das placas baseadas no KT600 utilizavam o chip VT8237 ou o VT8237R (o VT8237R oferece suporte a RAID, enquanto o VT8237 não) como ponte sul, mas chegaram a ser lançados alguns modelos de baixo custo, como o VT8235CE, que, como vimos, não trazia interfaces SATA.

Finalmente, temos o KT880, que trouxe como novidade a adição de um segundo controlador de memória, que possibilitou o suporte a dual-channel e o suporte a até 8 GB de RAM. Combinado com o uso do FastStream64 (o conjunto de otimizações incluídas no KT400A), o KT880 se tornou um concorrente feroz do nForce2, disputando o nicho das placas de alto desempenho. Apesar disso, ele acabou tendo uma vida útil relativamente curta, já que chegou ao mercado no final da era soquete A.

Concluindo, temos a SiS, que depois do relativo sucesso do 730S continuou a lançar novos chipsets, incluindo tanto chipsets com vídeo onboard, destinados a placas de baixo custo quanto chipsets um pouco mais caros, destinados a PCs com placas 3D dedicadas. Embora a qualidade não seja das melhores (com destaque para os drivers problemáticos) os chipsets da SiS eram os mais baratos e por isso eram encontrados em um grande número de placas.

A primeira atualização veio no final de 2001, com o SiS 735, onde o vídeo onboard foi substituído por um controlador de memória adicional, que adicionou o suporte a memórias DDR, possibilitando o desenvolvimento de placas com suporte simultâneos a módulos SDR e DDR (embora não fosse possível misturar módulos dos dois tipos). Ele manteve todos os demais recursos básicos, incluindo o design baseado em um único chip e o uso do barramento PCI para toda a comunicação interna. Apesar disso, o uso de memórias DDR tornava as placas baseadas nele consideravelmente mais rápidas.

Ao contrário do 730S, o 735 acabou não se tornando uma solução popular, já que a falta do vídeo onboard dificultava seu uso em PCs de baixo custo. Ele acabou sendo substituído pelo SiS 740, uma atualização da linha anterior (com vídeo onboard), que voltou a ser baseado em dois chips separados, interligados pelo barramento MuTIOL, de 533 MB/s.

O SiS 740 manteve o suporte a até 1.5 GB de memória DDR-400, bus de 266 MHz (133 MHz x 2) e mantém o chipset de vídeo SiS 300 utilizado no 730S. Os fabricantes tinham a opção de utilizar o chip SiS961 ou o SiS962 como ponte sul. Ambos incluíam som e rede onboard, mas o 961 oferecia interfaces ATA-100 e 6 portas USB 1.1, enquanto o 962 incluía interfaces ATA-133 e USB 2.0. Na época, o USB 2.0 era um padrão novo (assim como o 3.0 hoje em dia) de forma que o suporte a ele não parecia tão importante quanto viria a se tornar nos anos seguintes.

O 740 foi sucedido pelo SiS 745, que trouxe um novo controlador de memória, com suporte a memórias DDR-333 e a até 3 GB de memória (3 módulos de 1 GB). Em compensação, ele abandonou o suporte às memórias SDRAM, em uma época em que a migração SDR > DDR já estava em estágio avançado e os módulos de memória baseados nas duas tecnologias já custavam aproximadamente o mesmo.

Apesar do aumento na frequência da memória, ele oferecia suporte oficial apenas aos processadores com bus de 266 MHz. Assim como em muitos dos chipsets da VIA, a memória operava de forma assíncrona, o que permitia que o sistema se beneficiasse do barramento mais rápido com a memória mesmo sem um aumento correspondente na frequência do processador.

Ao contrário do SiS 740, o SiS 745 voltou a utilizar um design single-chip, mas sem o uso de vídeo onboard. Na verdade, os dois chipsets eram descendentes de linhagens separadas: o 745 era uma evolução do 735, enquanto o 740 era uma evolução do 730S. Ele utilizava o chip SiS963 como ponte sul (integrado ao chip principal), que mantinha os recursos do SiS962, acrescentando o suporte a firewire. Ele mantinha também o suporte a AGP 4x, disponível nos antecessores.

Dois chipsets similares, porém baseados no layout tradicional (com dois chips), foram o SiS 746 e o SiS 746FX, que concorreram com o KT400 e o nForce 2. A diferença entre os dois é que o 746FX incluía suporte a memórias DDR-400 e suporte oficial aos processadores com bus de 333 MHz, enquanto o 746 suportava apenas memórias DDR-333 e era capaz de usar bus de 333 MHz apenas em overclock. Um dos recursos que tornaram estes dois chipsets populares (assim como outros chipsets SiS da época) era o suporte a softmodems através de um slot ACR ou AMR, muito usado em placas da PC-Chips e da ECS:

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Diagrama de blocos do 746 FX

Embora o número de identificação seja mais baixo, o SiS 741 foi lançado alguns meses depois do 745. Ele era uma atualização direta do 740 (baseado em dois chips), incluindo agora um chip SiS Mirage como vídeo onboard, uma solução mais rápida que o antigo SiS 300, embora padecesse dos mesmos problemas de estabilidade relacionados aos drivers.

Ele oferecia suporte a toda a linha de processadores soquete A, incluindo os processadores que utilizavam bus de 333 e 400 MHz, além de manter o suporte a módulos DDR-400 e a 3 GB de memória RAM. O barramento AGP foi atualizado, com suporte ao padrão 8x, e o chipset passou a utilizar o chip SiS964L como ponte sul, que incluía suporte a ATA-133, 8 portas USB 2.0, além de som e rede onboard, e suporte a modem AMR. Existia ainda a opção de utilizar o chip SiS964, que incluía duas interfaces SATA e suporte a RAID.

O 741 recebeu também uma versão de baixo custo, o SiS 741GX, que era destinado a PCs baratos, baseados no Sempron. A limitação em relação ao 741 era que ele suportava apenas os processadores com bus de 333 MHz e módulos DDR-333. Na verdade, o 741GX foi utilizado para vender os chips da série 741 que (devido a imperfeições surgidas durante a fabricação) não eram capazes de trabalhar estavelmente a 400 MHz, uma manobra similar à utilizada pela Intel em diversos dos processadores e chipsets.

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