Rockstar diz que GTA 6 abrirá mão do realismo quando ele atrapalhar a diversão: “Em excesso pode ser cansativo”

Rockstar diz que GTA 6 abrirá mão do realismo quando ele atrapalhar a diversão: “Em excesso pode ser cansativo”

A Rockstar Games quer transformar GTA 6 em seu mundo aberto mais imersivo até hoje, mas isso não significa que o estúdio pretende transformar a experiência em um simulador da vida real. Segundo Rob Nelson, co-chefe de estúdio e chefe de desenvolvimento da Rockstar North, algumas ideias precisam ser simplificadas ou até completamente descartadas quando o realismo começa a prejudicar a experiência do jogador.

A declaração faz parte de uma entrevista publicada na edição 27 da LOVE Magazine. Além de novas imagens de Jason e Lucia, a publicação reúne comentários de diferentes integrantes da Rockstar sobre personagens, narrativa e a construção de Leonida.

Imersão é mais importante do que simplesmente copiar a realidade

Rob Nelson explicou que, para a Rockstar, o objetivo não é reproduzir todas as tarefas e limitações do mundo real, mas utilizar o realismo como uma ferramenta para fazer o jogador acreditar naquele universo.

Segundo o desenvolvedor, existem momentos em que uma ação precisa parecer convincente para reforçar a imersão. Em outros, porém, é necessário abandonar parte dessa fidelidade em nome da conveniência.

“Às vezes, você precisa que as coisas pareçam realistas para ajudar na imersão e, inversamente, às vezes precisa abrir mão do realismo em favor do que será mais conveniente para o jogador, o realismo pode ajudar muito na imersão, mas em excesso pode se tornar tedioso, então tentamos encontrar o equilíbrio certo”, explica ele.

“Às vezes, traçar um paralelo divertido ou comovente com algum aspecto do mundo real ajuda a enriquecer a experiência, e outras vezes é melhor ignorar ou omitir certos aspectos da realidade porque simplesmente não fazem sentido com a experiência que estamos tentando criar”, continua ele. “Tudo o que fazemos visa reforçar a sensação de imersão em um mundo, a conexão com seus personagens e com a narrativa que estamos construindo.”

Rob Nelson acrescenta que a equipe procura constantemente esse equilíbrio. Até elementos do mundo real podem ser modificados ou ignorados quando não combinam com a experiência que a Rockstar pretende entregar. Para ele, praticamente todas essas decisões têm como objetivo fortalecer a conexão do jogador com o mundo, os personagens e a história. Essa filosofia também ajuda a explicar por que GTA 6 aparentemente terá uma quantidade enorme de detalhes sem necessariamente transformar todos eles em obrigações.

Rockstar já removeu uma mecânica por considerá-la complicada demais

Um exemplo concreto surgiu recentemente em outra entrevista de Nelson, desta vez à revista japonesa Famitsu. Durante o desenvolvimento, a Rockstar chegou a experimentar um sistema no qual Jason e Lucia poderiam comprar mantimentos em lojas, levá-los para casa e reabastecer a geladeira.

A ideia acabou descartada porque adicionava complexidade demais ao funcionamento do jogo. Nelson afirmou na ocasião que a Rockstar está sempre tentando encontrar o ponto certo entre realismo e facilidade de jogar, citando inclusive Red Dead Redemption 2 como outro projeto em que a equipe enfrentou esse mesmo dilema.

Isso não significa que todos os sistemas relacionados à alimentação desapareceram. De acordo com a mesma entrevista, GTA 6 ainda acompanha atributos ligados à condição física dos protagonistas, incluindo saúde, condicionamento cardiovascular e forma física. Alimentação e exercícios podem influenciar o corpo de Jason e Lucia, permitindo, por exemplo, alterações de peso e musculatura.

A diferença é que a Rockstar aparentemente deseja que essas interações tenham alguma utilidade real dentro do gameplay, em vez de existirem apenas como pequenas tarefas obrigatórias de simulação.

Combustível sobreviveu ao corte e já divide opiniões

Curiosamente, outra mecânica bastante realista passou pelo filtro da Rockstar: os veículos de GTA 6 precisarão de combustível, enquanto carros elétricos terão de ser recarregados. Nelson falou sobre o recurso durante apresentações realizadas para criadores e veículos especializados. Ele afirmou que o sistema foi pensado para não se tornar irritante e que um tanque cheio deve durar bastante.

Em uma demonstração relatada pelo brasileiro Davy Jones, o próprio Nelson contou que certa vez roubou um veículo com pouco combustível durante uma perseguição e acabou ficando sem gasolina antes de conseguir escapar da polícia, exatamente o tipo de situação inesperada que a equipe espera criar com o sistema. Outras apresentações indicam que o abastecimento envolve uma animação curta.

Questionado sobre a possibilidade de o processo se tornar inconveniente, Nelson respondeu que seria rápido o bastante e afirmou que a equipe ainda pretende observar “o que as pessoas vão dizer” quando tiverem acesso ao jogo.

GTA 6 parece apostar mais em “realismo com propósito”

As declarações ajudam a esclarecer uma questão que acompanha GTA 6 desde que a Rockstar começou a detalhar seus sistemas. O jogo terá inúmeras interações cotidianas e uma atenção muito maior aos pequenos detalhes, mas o estúdio aparentemente não pretende repetir tarefas simplesmente porque elas seriam necessárias no mundo real.

É uma abordagem semelhante à adotada em Red Dead Redemption 2, mas com um cuidado declarado para não deixar a simulação se sobrepor ao ritmo de GTA. Na prática, uma mecânica pode permanecer quando gera situações interessantes (como ficar sem combustível durante uma fuga) e ser descartada quando se resume a uma obrigação repetitiva, como fazer compras regularmente apenas para manter uma geladeira abastecida.

GTA 6 será lançado em 19 de novembro de 2026 para PlayStation 5 e Xbox Series S|X.

Fonte: GamesRadar

 

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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