A cena de desbloqueio do PlayStation 5 ganhou um de seus avanços mais importantes dos últimos anos. Publicado no fim de setembro, o exploit Relapse ampliou consideravelmente o número de consoles que podem executar código não autorizado, incluindo o PS5 Pro.
No X, o conhecido modder Lance McDonald resumiu o tamanho da novidade dizendo que praticamente qualquer PS5 que não tivesse sido atualizado recentemente poderia ser desbloqueado. Tecnicamente, porém, existe uma fronteira bem definida: o projeto oficial lista suporte aos firmwares 7.00 a 13.60.
New PlayStation 5 jailbreak just dropped. Every PS5 console can now be jailbroken except ones updated in the past week or so. Huge. pic.twitter.com/6FXb4SAcPv
— Lance McDonald (@manfightdragon) September 29, 2026
Mas isso não significa que o PS5 finalmente tenha chegado ao equivalente de um desbloqueio definitivo. Estes são cinco pontos importantes para entender o assunto.
1. O PS5 Pro também entrou na lista
Esse talvez seja o maior motivo para o Relapse ter chamado tanta atenção. Explorações anteriores normalmente estavam limitadas a versões muito antigas do software do PS5. Com o Relapse, a faixa avançou até o firmware 13.60, lançado em 2026, e inclui modelos base, Slim e também o PS5 Pro.
Isso aumenta bastante a quantidade de consoles potencialmente compatíveis e explica por que o assunto rapidamente ganhou espaço em comunidades de modding.
2. Não é um custom firmware permanente
É importante não confundir o Relapse com os antigos custom firmwares encontrados em outras gerações.
O exploit combina uma vulnerabilidade no WebKit com uma falha no kernel para conseguir acesso de leitura e escrita ao sistema e permitir a execução de código. Porém, o desbloqueio não é permanente: depois que o console é reiniciado, o processo precisa ser executado novamente.
Também não se trata da aguardada exploração pública do hypervisor, camada de segurança ainda mais profunda do PS5.
3. O desbloqueio abre espaço para homebrews e emuladores
O acesso ao kernel abre espaço para payloads e softwares desenvolvidos pela comunidade, incluindo ferramentas como o etaHEN, gerenciadores, modificações e emuladores. Nos últimos dias, a movimentação aumentou bastante. Projetos de homebrew estão sendo atualizados e já apareceram demonstrações de emulação de outros consoles, incluindo Nintendo Switch.
O cenário ainda está mudando diariamente. Não é uma plataforma madura em que todo aplicativo funciona igualmente bem em qualquer versão.
4. A estabilidade ainda é um problema real
Esse é provavelmente o ponto menos destacado nas manchetes sobre o desbloqueio. O próprio projeto Relapse avisa que o estágio WebKit pode precisar de várias tentativas e que o exploit de kernel pode provocar travamentos ou kernel panics.
No Reddit, os relatos variam bastante. Existem usuários obtendo sucesso repetidamente, enquanto outros descrevem congelamentos e reinicializações frequentes.
Um relato publicado neste sábado, 3 de outubro, afirma que sucessivas falhas acabaram levando o console a reparar o armazenamento e posteriormente exigir uma restauração de fábrica.
Jailbreaking PS5 now works in the first try
by
u/Acceptable-Oil-3868 in
PS5_Jailbreak
Os próprios desenvolvedores chegaram a remover payloads inicialmente distribuídos junto ao Relapse após problemas de compatibilidade.
5. Atualizar o PS5 significa ficar de fora, pelo menos por enquanto
O Relapse termina no firmware 13.60. O firmware 14.00, distribuído em setembro, já está fora da faixa suportada.
E a Sony avançou novamente: a versão mais recente neste momento é a 26.06-14.10.00, distribuída no início de outubro. Nas notas oficiais, a companhia cita apenas “correções de segurança” e melhorias de desempenho e estabilidade, sem afirmar que elas estejam relacionadas especificamente ao Relapse.
É aí que surge o dilema tradicional da cena de desbloqueio: manter um console em um firmware antigo preserva a possibilidade de explorar vulnerabilidades, mas pode significar abrir mão de atualizações, recursos online e compatibilidade futura.
O Relapse não representa o fim da segurança do PS5. Mas é um avanço que está chamando atenção justamente por aproximar o desbloqueio de consoles muito mais recentes, inclusive o PS5 Pro, e reacender uma cena que ainda tem várias barreiras técnicas pela frente.