Aproveitando o final de semana, vamos a mais uma edição do gadgets úteis 🙂
Lanterna com dínamo: Um adulto em razoável forma física é capaz de gerar o equivalente a de 120 a 150 watts de eletricidade andando de bicicleta, enquanto um atleta profissional é capaz de gerar o dobro disso. Se usássemos essa energia para acender LEDs, poderíamos iluminar uma casa inteira.
Embora não seja muito prático tentar usar ergométricas com dínamos para gerar energia (a menos que você pretenda ficar pedalando o dia todo), usar energia muscular para alimentar pequenos gadgets é um ramo promissor. O melhor exemplo são as lanternas e faroletes que usam dínamos para carregar a bateria.
Elas são uma compra arriscada, pois a qualidade varia muito. Muitas se quebram rapidamente ou usam baterias que falharam no controle de qualidade dos fabricantes (elas precisam ir para algum lugar, os chineses não jogam nada fora, exportam tudo… 😉 que seguram pouca carga.
Entretanto, se você conseguir encontrar um modelo de boa qualidade, pode ser uma boa compra. Um exemplo é esta de 5 dólares (sku 3383 na dealextreme):
Nela o dínamo é movido através de uma corda e carrega uma pequena bateria NI-MH, de 3.6V e 80 mAh. Os LEDs consomem apenas 30 miliwatts cada um, por isso a bateria dura mais de duas horas quando completamente carregada.
O dínamo é capaz de gerar cerca de 0.2 miliwatt-hora por puxada, o que significa que você precisa de cerca de 120 puxadas (uns 2 a 3 minutos, de acordo com a pressa) para carregar o suficiente para 15 minutos de luz e umas 1500 puxadas (uma meia hora) para conseguir uma carga quase completa.
À princípio parece bem ruim, mas na prática até que funciona, pois você acaba usando a lanterna por alguns poucos minutos de cada vez, o que equivale a umas poucas puxadas. No geral acaba sendo mais útil do que usar uma lanterna comum com pilhas recarregáveis (que perdem a carga com o tempo), já que ela está sempre pronta para usar.
Outra ideia similar, mas que não funciona tão bem são os carregadores USB, onde o dínamo é usado para alimentar uma porta USB, onde você pode ligar carregadores diversos. Um exemplo é este carregador de 3 dólares (sku 24036 da DX):
A ideia não é ruim: usar o dínamo par carregar celulares ou MP3players via USB, sem precisar usar a tomada. O grande problema é que o dínamo gera apenas 0.1 ampere de corrente, com uma tensão que oscila entre 4.5 e 6V, de acordo com a velocidade de rotação.
Ele possui um circuito rudimentar de regulagem de tensão (eliminando o risco de queima dos gadgets se queimem), mas você precisa girar a manivela com uma rotação estável por pelo menos 2 ou 3 minutos para conseguir aumentar a carga da bateria de um celular em apenas 1%, ou ficar literalmente a tarde inteira para conseguir uma carga completa.
Talvez um dínamo maior, que incluísse uma pequena bateria interna pudesse funcionar melhor, mas carregadores em miniatura como este são uma perda de tempo. Você pode usá-lo para acender LEDs ou mover ventoinhas (uma boa maneira de mostrar como a eletricidade é gerada para crianças), mas se você quer um carregador de emergência, vai ser melhor servido por um carregador à pilha como o do Gadgets Úteis #4.
Desmontando um mini transmissor bluetooth: Já falei anteriormente sobre os mini transmissores Bluetooth, que são apenas um pouco maiores que o próprio conector USB, servindo como uma boa opção para notebooks sem bluetooth integrado:
Entretanto, talvez você tenha ficado curioso em entender como eles podem ser tão pequenos, já que um transmissor bluetooth é um componente relativamente complexo, com um controlador de sinais, rádio, antena e outros componentes. Antigamente, fabricantes se orgulhavam em conseguir produzir transmissores do tamanho de uma caixa de fósforos:
O segredo destes transmissores em miniatura é o uso de uma placa de circuito bem fina, com com os componentes distribuídos de ambos os lados. Isso permite que a placa seja instalada dentro do conector, aproveitando todo o espaço disponível:
Normalmente, o transmissor incluiria uma cobertura metálica contra interferência eletromagnética, mas como não haveria muito espaço para isso, o designer optou por simplesmente usar o próprio conector USB metálico como escudo.
De um lado do PCB temos apenas o cristal de quartzo, o LED de status e um punhado de resistores, além dos pinos do conector USB:
O outro lado esconde os componentes realmente interessantes. O chip maior, o CSR41B13 é o chipset Bluetooth, que é o verdadeiro “milagre da engenharia” dentro do mini-transmissor. Ele incorpora o controlador, processador de sinais, rádio e outros componentes em um chip que custa menos de dois dólares. Ele trabalha com tensão de 5V, o que permite que ele seja alimentado pela própria porta USB, sem precisar de um regulador de tensão. O segundo chip logo abaixo dele (o 24BC16) é um chip EEPROM, que armazena o firmware. No canto temos a antena:
Estes mini-transmissores impressionam não apenas pelo tamanho reduzido, mas também pelo custo. Se comprados em lojas de varejo como a DX eles custam a partir de US$ 2.50, mas quando comprados no atacado, eles chegam a custar US$ 1.50. É um valor impressionantemente baixo, considerando que em teoria apenas o chipset CSR41B13 custaria mais do que isso.
Como conseguem vender nesse preço e ainda ganhar dinheiro? Esta é uma boa pergunta.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 24/03/2011 17:54