Em maio de 2009 a Intel anunciou o Pine Trail, o sucessor da plataforma Diamondville, que oferece uma arquitetura ligeiramente melhorada e algumas otimizações. Apesar das mudanças, ele continuou sendo produzido em uma técnica de 45 nm.
As duas grandes mudanças são a integração do controlador de memória e do chipset de vídeo diretamente no processador principal, o que permitiu reduzir o total de chips para apenas dois: o processador propriamente dito (batizado de Pineview) e a ponte sul do chipset (Tiger Point), que inclui os circuitos de I/O (SATA, USB, etc.), além do chipset de som integrado e as linhas PCI Express. O Tiger Point oferece 4 linhas PCI Express para a conexão de periféricos diversos e ambos são ligados através de um link DMI:
Apesar da mudança sugerir o uso de alguma derivação da plataforma Core i7, o Pine Trail mantém quase todas as características da arquitetura anterior, incluindo o mesmo projeto para o processador (mantendo o suporte a Hyper-Threading, com os 32+24 KB de cache L1 e 512 KB de cache L2) e poucas mudanças no chipset. Basicamente, a mudança tornou a plataforma mais barata de produzir, permitindo que a Intel tenha mais margem para manter uma eventual guerra de preços contra um concorrente da AMD, mas não representou uma grande melhoria em termos de desempenho ou recursos.
O chipset de vídeo foi ligeiramente atualizado, do GMA950 para uma versão de baixo clock do GMA X3100, batizada de GMA 3150. Ele mantém o suporte ao DirectX 9/Shader Model 2.0, com apenas dois pixel pipelines e um clock de apenas 200 MHz (nas versões móveis) e 400 MHz no Atom D para desktops.
Apesar do leve aumento no desempenho 3D trazido pelo aumento no clock, ele continua sem suporte a aceleração de vídeos HD (a menos que seja complementando por um acelerador externo) o que continua sendo um dos principais pontos fracos da plataforma. Até mesmo as resoluções de vídeo são limitadas, com um máximo de 1366×768 na saída LVDS (para a conexão do painel LCD) e 1400×1050 na saída VGA.
Se comparado ao nVidia Ion, que inclui um chipset GeForce 9400M e um decodificador dedicado, capaz de processar vídeos 1080p via hardware, o Pine View parece bastante desanimador e do ponto de vista do desempenho realmente é. As vantagens da plataforma estão relacionadas à redução no consumo elétrico e uma possível queda nos preços.
O controlador de memória não sofreu mudanças, mantendo o uso de memórias DDR2 single-channel. Ao contrário do que se esperava, a integração do chipset ao processador não reduziu os tempos de acesso, pois o controlador de memória continua fazendo parte do bloco referente à ponte-norte do chipset, que é ligada ao processador através do FSB.
Na época em que o Pine View foi anunciado, as memórias DDR2 ainda eram consideravelmente mais baratas que as DDR3. Como a Intel vê os netbooks como uma plataforma de baixo custo e baixas margens, o uso de memórias DDR2 fez sentido, já que serviu para ao mesmo tempo manter os custos baixos e evitar que os netbooks concorram mais seriamente com os notebooks, que são uma fonte de receita muito maior. O grande problema é que a partir de 2010 a relação de preços começou a se inverter, com as DDR3 passando a custar menos. Isso fez com que os netbooks acabassem perdendo dos dois lados.
A série para netbooks inclui os modelos D450 e D470, enquanto a série para nettops inclui o D410 e o D510 (dual-core). A principal diferença entre as duas séries são as tensões usadas e, consequentemente, o TDP, que é muito mais alto nas versões para nettops:
Atom D450: 1.66 GHz (single-core), 512 KB, TDP de 5.5 watts
Atom D470: 1.83 GHz (single-core), 512 KB, TDP de 6.5 watts
Atom D410: 1.66 GHz (single-core), 512 KB, TDP de 10 watts
Atom D510: 1.66 GHz (dual-core), 2x 512 KB, TDP de 13 watts
Você pode notar que os TDP’s são mais altos que os da família Diamondville, já que agora ele engloba o consumo combinado do processador e do chipset. Embora os circuitos da ponte-norte do chipset continuem sendo essencialmente os mesmos, eles passaram a ser fabricados usando mesma técnica de 45 nm que o restante do processador, em vez de utilizando a antiquada técnica de 90 nm do 945GSE.
Como o Tiger Point (a ponte-sul) consome apenas 1.5 watts, o consumo global da plataforma acaba sendo consideravelmente mais baixo. O grande problema da plataforma continua sendo o desempenho, que é propositalmente muito baixo, para que o Atom não roube espaço dos processadores mais caros.
Para quem quer um ultraportátil com um desempenho um pouco menos ruim, a opção são os modelos com processadores CULV. Alguns chegam a custar próximo da faixa dos US$ 400 (como no caso do Acer 1410), se aproximando da faixa de preços dos netbooks.
Assim como no Atom atual, o Tiger Point não inclui chipsets de rede (nem Ethernet, nem wireless) integrados, permitindo que os integradores utilizem componentes de outros fabricantes, com a Atheros, a Broadcom e a Zidas.
O principal motivo é que os chipsets de rede da Intel são consideravelmente mais caros, e a Intel não parece muito disposta a entrar em uma guerra de preços, já que ganha muitos dinheiro vendendo as placas nos preços atuais para os fabricantes de notebooks, através da plataforma Centrino. A Intel chegou a cogitar o lançamento do “Atom Centrino”, que seria composto pela combinação da dupla Silverthorne e Poulsbo com um chipset de rede Intel E1000 e um Intel PRO/Wireless 3945, mas a ideia acabou sendo abandonada.
Desde a fusão com a ATI, a AMD vem trabalhando em uma nova plataforma de baixo consumo batizada de “Brazos”, que deve ser lançada em 2011, concorrendo diretamente com o Atom e os processadores CULV da Intel nos netbooks e ultraportáteis. A plataforma Brazos tem como ponto central o “Ontario”, um chip que combinará dois processadores Bobcat e uma GPU com suporte ao DirectX 11 em um único chip. É algo similar ao que a Intel fez no Pine Trail, mas com um desempenho bastante superior.
Enquanto o Brazos não é lançado, o único processador da AMD que concorre diretamente com o Atom é o Athlon Neo, uma versão de baixo consumo do antigo Athlon 64, produzido em uma técnica de 65 nm. Ele é um processador single-core, que mantém os 512 KB de cache L2 do Athlon 64 original, mas utiliza uma tensão bem mais baixa: apenas 1.1V, com um clock de 1.6 GHz.
Mesmo sendo um processador single-core, o Athlon Neo oferece um desempenho bem superior ao do Atom, não apenas em processamento, mas também em 3D e decodificação de vídeo, já que ele faz par com o chipset AMD RS690M (a versão móvel do 690G), que inclui uma GPU integrada quase no nível da nvidia 9400 usada na plataforma ION.
O grande problema é que o consumo é também consideravelmente mais alto, com um TDP de 15 watts para o processador e mais 13.8 watts para o RS690M. Graças às funções de gerenciamento, o consumo típico é bem mais baixo, com um consumo combinado para o processador e o chipset na casa dos 14 watts em tarefas leves, mas ainda assim é bem mais do que no Pine Pine Trail.
Isso faz com que o Neo seja usado em um número modesto de modelos. Um bom exemplo de netbook baseado no Athlon Neo é o Gateway LT3103u, um primo-irmão do Acer Aspire One 751h, que conserva exatamente o mesmo formato, mas utiliza uma bateria de 6 células (em vez de 3 como no 751h) para compensar o maior consumo do processador e chipset, resultando em uma autonomia de cerca de 4 horas em tarefas leves:

