Qual a diferença entre os tipos de 5G?

Qual a diferença entre os tipos de 5G?

A quinta geração de internet móvel, popularmente conhecida como 5G, já foi ativada em todas as capitais brasileiras. No entanto, ainda existe muita confusão sobre as diferenças entre os tipos de 5G. É justamente isso que pretendemos esclarecer neste post.

Existem três tipos, ou categorias, de internet 5G. Há o 5G DSS, o 5G Standalone (SA) e o 5G Non-Standalone (NSA). Todos possuem as suas próprias características, além de vantagens e desvantagens. Descubra nos próximos parágrafos todas as peculiaridades da internet móvel 5G.

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A polêmica do 5G puro versus 5G impuro

Quando o 5G começou a ser implementado no Brasil, lá em 2020, muitos especialistas disseram que se tratava de um 5G impuro. Mas como assim? Na verdade, em 2020, as operadoras estavam implementando o 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing). Em tradução livre, a sigla significa Compartilhamento Dinâmico de Espectro.

Isso quer dizer que essa internet móvel compartilha as mesmas frequências e a mesma infraestrutura dos padrões 4G, 3G e até 2G!

O resultado desse compartilhamento de espectro é que o 5G DSS apresenta resultados ruins. Na prática, a velocidade é apenas um pouco maior que o 4G+. E para sermos honestos, em várias situações, o 5G DSS chega a ser mais lento que o 4G+. Devido a isso, o 5G DSS foi chamado de “5G impuro” ou “5G falso”.

O 5G puro, por sua vez, utiliza frequências dedicadas. Ou seja, a rede não compartilha o seu espectro de frequências com nenhum outro padrão ou rede. O 5G puro é dividido em duas categorias: Non-Standalone (NSA) e Standalone (SA).

A Anatel, ao elaborar o edital do leilão das frequências para o 5G, seguiu as especificações técnicas do release 16 da 3GPP, que é o órgão que padroniza as especificações para tecnologias móveis. O release 16 da 3GPP diz que as operadoras devem adotar como 5G padrão o Standalone. Mas, no Brasil, as três principais operadoras ativaram os dois tipos de 5G puro.

Entendendo o 5G puro

Antes de explicarmos as diferenças entre o 5G NSA e SA, é importante explicarmos o que é o “core de rede”. O “core” é o núcleo de qualquer infraestrutura de rede. É como se fosse o nosso coração, responsável por levar os recursos necessários para todas as partes do corpo.

O núcleo (core) de rede é formado por servidores, equipamentos e configurações que vão permitir que todos os usuários conectados usufruam do serviço de maneira adequada.

Pois bem, feita essa definição, vamos explicar as diferenças entre o 5G NSA e o SA. O 5G NSA foi o primeiro a ser implementado e ativado pelas operadoras. Isso porque ele usa uma frequência dedicada mas utiliza o mesmo núcleo de rede do padrão 4G. Como o 4G já estava bem estabelecido no Brasil, foi muito mais fácil para as operadoras implementarem o 5G NSA (Non-Standalone) à princípio.

O 5G SA (Standalone), por sua vez, é o que a Anatel exige como padrão. Ele é o mais recente e moderno, mas exige um núcleo de rede dedicado para ele. Portanto, o 5G SA é mais caro e difícil de ser implementado pelas operadoras.

Vantagens do 5G SA

O padrão 5G SA é o mais moderno e, portanto, apresenta os melhores resultados. Mas, na prática, um usuário comum dificilmente notará a diferença entre o 5G NSA e o 5G SA. Ambos possuem a tecnologia eMBB (Enhanced mobile Broadband – Banda Larga Móvel Melhorada).

O eMBB permite que ambos os padrões atinjam velocidades altas de internet móvel e menor ping. Portanto, tanto faz usar 5G NSA ou 5G SA. Ambos terão uma velocidade rápida e baixa latência.

Porém, o 5G Standalone tem algumas peculiaridades que o tornam mais atrativo. Pelo menos para as empresas. Por exemplo, ele possui uma função chamada de slicing. Esse recurso faz com que o 5G SA se divida em várias sub-redes. Isso permitirá que os dispositivos de Internet das Coisas (IoT) se conectem à redes 5G com mais facilidade e estabilidade.

Além disso, o 5G SA consegue entregar uma latência ainda menor. E isso é ótimo para atividades que exigem baixo tempo de resposta. E não estou falando só de Free Fire ou Fortnite. Imagine uma cirurgia remota. É importante que a latência seja a menor possível. Pois isso diminuirá os riscos dos médicos cometerem algum erro durante a operação.

5G Standalone ainda possui baixa compatibilidade

Apesar das vantagens, o 5G Standalone ainda é pouco usado no Brasil. Além do fator financeiro, que torna mais lento a construção de uma infraestrutura para o 5G SA, poucos celulares são compatíveis com o padrão.

A TIM, por exemplo, divulga que apenas os celulares mais recentes da Samsung e cinco modelos da Motorola suportam o 5G SA. Na Claro, seis aparelhos da Motorola são compatíveis com a tecnologia. O Galaxy S21 também é, mas o Galaxy S22 não. Vai entender… E na Vivo, a lista de celulares compatíveis com o 5G SA é ainda menor, se limitando apenas ao iPhone 13, Galaxy S21 e Galaxy Z Flip/Fold 3.

Porém, na prática, diversos modelos de smartphones já são compatíveis com o 5G SA. O que falta é apenas uma atualização de software para habilitar a tecnologia. É o caso dos iPhones. Nos Estados Unidos todos já funcionam com o 5G SA. Mas no Brasil, não. É necessário haver uma atualização de software por parte da Apple.

Para quem usa Android a situação é ainda pior. Já que o sistema precisa ser atualizado pelas fabricantes e a tecnologia ser habilitada pelas operadoras. Veja o caso do Galaxy S22. Na TIM ele suporta o 5G SA. Na Claro, por sua vez, o 5G SA não é suportado.

Então, pode até ser que o seu smartphone possua hardware compatível com o 5G SA, mas talvez ele nunca seja atualizado para utilizar o padrão.

E o tal 5G de ondas milimétricas (5G mmWave)

Quase ia esquecendo do 5G mmWave, ou 5G de ondas milimétricas. O 5G SA e NSA utilizam a faixa de frequência de 3,5 GHz. No entanto, a Anatel também leiloou a faixa de frequência de 26 GHz. Essa é a frequência usada pelo 5G mmWave.

No entanto, ainda vai demorar algum tempo até esse padrão ser realmente usado. Acontece que por utilizar uma faixa de frequência bem alta, o sinal tem baixa penetração. Para resolver esse problema, é necessário instalar um número muito grande de antenas. Além disso, o sinal é afetado por qualquer obstáculo, como paredes, janelas de vidro e até mesmo árvores.

No Brasil, pelo menos por enquanto, nenhum celular homologado pela Anatel suporta 5G mmWave. E até no exterior é difícil encontrar aparelhos que usem esse padrão. O iPhone é um exemplo, mas o 5G de ondas milimétricas só funciona nos Estados Unidos.

Sobre o Autor

Cearense. 34 anos. Apaixonado por tecnologia e cultura. Trabalho como redator tech desde 2011. Já passei pelos maiores sites do país, como TechTudo e TudoCelular. E hoje cubro este fantástico mundo da tecnologia aqui para o HARDWARE.
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