Uma olhada na Mac App Store

Por: Julio Cesar Bessa Monqueiro
Uma olhada na Mac App Store

A Apple abriu no dia 6 de janeiro a Mac App Store. Ela é um dos destaques anunciados para a próxima versão do sistema da maçã, o Mac OS X Lion, mas foi liberada para todos os usuários do Snow Leopard (10.6).

Assim como no iPhone e iPad a App Store do Mac pretende ser um local centralizado para distribuir aplicativos. Ela funciona como uma vitrine para conhecer novos apps e gerencia todo o processo de download e instalação – literalmente num clique. Há função também para manter as aplicações atualizadas.

Para quem usa Linux isso não é novidade, já que quase todas as distros incluem alguma coisa parecida. De um lado o Ubuntu “se inspirou” (para não dizer “copiou”) nos botões redondinhos das janelas à esquerda e no menu universal, do outro a Apple aproveitou a Central de Programas do Ubuntu. É uma relação interessante observada desde o princípio onde quem sai ganhando normalmente são os usuários.

Para usar a Mac App Store é necessário atualizar o sistema para a versão 10.6.6. A forma mais prática é ir no menu da maçã e clicar em Atualização de Software:

Quem tem a versão original (10.6.0) ou uma atualização anterior pode precisar baixar mais dados. O instalador também é fornecido de forma isolada, por meio de um arquivo para download.

Atualizações do Mac OS X 10.6.6:

  • Update (143 MB, para o 10.6.5)

  • Combo (1,06 GB, para o 10.6 original ou 10.6.x)

E para o Mac OS X Server:

Feita a atualização (é necessário reiniciar) o ícone da App Store aparece no Dock, e o link que tinha no menu da maçã para a página de softwares no site da Apple é substituído pelo da loja virtual.

A loja segue o layout característico da Apple, quem usa o Mac há mais tempo ou o iTunes não terá dificuldade. Os programas podem ser vistos por categoria ou por listas “top”, destacando os “top comerciais” e os “top gratuitos”. Claro, há um campo de busca.

Para comprar as aplicações é necessário fazer login com a conta da Apple, que pode ser a mesma utilizada no iPhone ou nas outras áreas do site. Eu tenho cadastro na loja online brasileira (de produtos físicos) e bastou atualizar as informações e aceitar um novo contrato (hum, confesso que não li :P).

Depois de feito login para comprar as aplicações basta um clique no botão com o preço (ou Free, para as apps grátis).

O ícone da aplicação pula instantaneamente para o Dock e exibe um indicador do download. Para apps com poucos KB ou alguns MB o processo é muito atraente, já que não precisa esperar muito. Na imagem abaixo, o indicador do progresso de download:

As apps compradas ficam na seção Compras (Purchases, já que a interface está parcialmente traduzida). É possível instalá-las em outros Macs (ou Hackintoshes) que você possua.

A App Store não é um local exclusivo para compras de apps para o Mac. Os desenvolvedores podem continuar fornecendo as aplicações nos seus websites, distribuindo-as em CDs/DVDs, pendrives, etc. Muitos temem que no futuro os outros canais sejam bloqueados e a instalação de softwares fique restrita à app store, como no iPhone. A grande maioria do pessoal técnico envolvido com o Mac duvida muito disso (como desenvolvedores). Smartphone é smartphone, computador pessoal é diferente e mais “aberto” (por mais que os Macs sejam “fechados” em hardware :P).

O sistema ainda conta com reviews dos usuários e votação. Só pode votar ou comentar quem comprou a aplicação pela loja. Algumas aplicações já instaladas adquiridas fora da loja são detectadas e a opção de compra/instalação fica desativada.

Só fica faltando uma opção para desinstalar as aplicações. Os usuários precisarão arrastar as apps para a lixeira ou usar algum programa de terceiros, o que não é tão ruim assim.

De forma geral a experiência deverá ser muito boa. A loja virtual serve como vitrine e pode facilitar a divulgação de muitos softwares pequenos, que muitas vezes não chegariam aos usuários de outras formas. No lançamento ela conta com cerca de 1000 aplicativos, pouca coisa, mas naturalmente mais aplicações deverão ser adicionadas em breve.

Um ponto extra da loja virtual: o preço!

Vamos ver por quanto tempo a festa vai durar… Normalmente não há imposto sobre produtos digitais, como downloads comprados em sites do exterior. No dia do lançamento era possível comprar o Aperture 3 na Mac App Store por $79.99, o que daria uns R$ 135,00 com o dólar a R$ 1,70 (desconsiderando eventuais taxas por transação em alguns cartões).

Enquanto isso, na loja brasileira da Apple, a caixinha com o DVD custa absurdos R$ 549,00.

E na americana $199 (entregue por correio/transportadora, não download).

O preço do Aperture 3 parece ser uma promoção temporária, mesmo assim é interessante, a diferença é brutal.

E para os desenvolvedores, como fica?

A divisão de custos é simples: 70% do valor das apps pagas ficam para o desenvolvedor e 30% para a Apple. Não há custos de hospedagem, sistema de pagamentos, quantidade de downloads nem mesmo custo extra por aplicações gratuitas. A única cobrança fica mesmo por conta da assinatura anual de $99 na área de desenvolvedores.

O envio de aplicações deve seguir algumas regras. Aparentemente elas são menos exigentes do que para o iPhone e iPad, mas elas existem. Detalhes podem ser vistos em:

http://developer.apple.com/programs/mac/

http://developer.apple.com/appstore/

Para os desenvolvedores a App Store parece ser bem interessante. A comissão de 30% é muito gorda, mas basta fazer um pouco as contas e deixar o usuário pagar mais para a Apple se você quiser manter a mesma margem de lucro. De qualquer forma deve ser possível vender seu software em outros canais cobrando menos por ele. A vantagem da App Store é uma grande divulgação dos seus aplicativos e comodidade para seus usuários, especialmente para softwares que podem se tornar populares.

Com o tempo a loja virtual pode ser a principal fonte de aplicativos para Mac, de forma que estar fora dela significará perder dinheiro. No mundo do Mac existem muitas aplicações pequenas comerciais (existem também bons freewares e programas livres, é claro, incluindo ports de apps criados originalmente para Linux ou Windows). Para Windows existem vários apps pagos também, normalmente com preços entre $20 e $70 (quase sempre na forma de sharewares). Quem usa só Linux normalmente não sabe o que é isso já que quase todas as aplicações para a plataforma são livres e gratuitas.

Há de se considerar questões culturais e sistemas diferentes; mas sem querer generalizar, muita gente que usa Mac está acostumado a comprar pequenos aplicativos ou gadgets. Resumindo, para desenvolvedores o mercado de aplicações para Mac tende a crescer mais a médio e longo prazo. Muita gente investiu no desenvolvimento de apps pagos para o iPhone e Android e ganhou uma grana. Se os planos da Apple derem certo, esse sucesso deverá ocorrer no Mac também.

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