GNOME SlackBuild 2.26.3 para o Slackware 13.0

GNOME SlackBuild 2.26.3 para o Slackware 13.0
GNOME SlackBuild 2.26.3 for Slackware 13.0
Autor original: Caitlyn Martin
Publicado originalmente no:
distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft

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Há três semanas eu analisei o Slackware 13.0 para o DistroWatch Weekly. Como eu mencionei na minha análise, no momento o Slackware não inclui o GNOME e nem qualquer aplicativo que precise das bibliotecas do GNOME. Em março de 2005, Patrick Volkerding, criador do Slackware, escreveu: O GNOME foi removido do -current e o suporte e a distribuição dele foram entregues à comunidade. Não vou ficar repetindo os motivos para a decisão, mas isso é algo que vem sendo estudado há mais de quatro anos. Já existem bons projetos organizados para oferecer o GNOME aos usuários do Slackware que o desejarem, e o GNOME deles é mais completo do que o que fazia parte do Slackware. Há três distribuições bem conhecidas do GNOME para o Slackware: Dropline GNOME, GWARE e GSB (GNOME SlackBuild).

Embora o nome lembre o SlackBuild.org, o GSB não oferece apenas scripts para compilação: ele inclui um conjunto completo de pacotes binários do GNOME para o Slackware. E ainda oferece pacotes opcionais relacionados ao projeto GNOME mas que não fazem parte dele, incluindo o OpenOffice.org, o processador de textos AbiWord e o Bluefish, um editor para desenvolvedores web. A versão estável atual do GSB é a 2.26.3. O GSB 2.28.0 está em desenvolvimento. Há pacotes para as versões de 32 e 64 bits do Slackware. Esta análise trata do GSB 2.26.3 na arquitetura de 32 bits.

Eu escolhi o GSB por alguns motivos bastante práticos. O GWARE ainda não lançou uma versão para o Slackware 13.0. O Dropline substitui mais pacotes do Slackware do que o GSB. O GSB também tem um objetivo estabelecido: substituir a menor quantidade possível de pacotes. Os pontos mais fortes do Slackware incluem a estabilidade e a confiabilidade, e quanto menos eu mexer com isso, melhor. E por fim, já tive uma experiência muito boa com o GSB no passado.

Nesta análise, usei dois sistemas, meu novo HP Mini 110 (CPU Intel Atom N270 de 1,6 GHz, 2 GB de RAM, SSD SATA de 16 GB) e meu Toshiba Satellite 1805-S204 (CPU Intel Celeron de 1 GHz, 512 MB de RAM e HD de 20 GB), que já tem quase sete anos de idade. Por experiência própria, sei que o Slackware e outras distribuições derivadas dele têm desempenho excelente em hardware mais antigo, mesmo com o GNOME incluído.

Instalação e configuração

É preciso seguir várias etapas para instalar o GSB, e há dois métodos distintos de instalação. Esses métodos estão bem documentados na página de download e instalação do site do GSB e no arquivo README.TXT. Há uma referência a um arquivo listando os pacotes substituídos, mas o link do site está quebrado e essas informações agora fazem parte dos dois documentos supracitados. Quem quiser instalar e configurar o Slackware vai achar as instruções de instalação bem fáceis de seguir, seja qual for o método escolhido. O

Apt do Slackware, um sistema de gerenciamento de pacotes usado por muitas distribuições derivadas do Slackware, é um pré-requisito para a instalação do GSB, seja qual for o método utilizado. Tecnicamente, a única parte do sistema que é necessária é o slapt-get, uma ferramenta de linha de comando muito semelhante ao apt-get do Debian e demais distribuições derivadas. Depois que o slapt-get for instalado, você pode conferir e personalizar o arquivo /etc/slapt-get/slapt-get.rc. Se você usar a versão que acompanha o GSB, o repositório do GSB já vai estar incluído, mas talvez você queira alterar o mirror básico do Slackware, escolhendo um menos congestionado do que o ftp.slackware.org. Um mirror do GSB mais próximo do local em que você mora também pode ser uma boa ideia.

A segunda parte do processo de instalação é substituir cinco pacotes do Slackware por suas versões do GSB. Os pacotes incluem bibliotecas vitais, como glib2, gtk+2 e alsa-lib, que são atualizadas para versões mais recentes. Isso é feito como root, com a sequência de comandos “slapt-get –update && slapt-get –upgrade”. O primeiro comando atualiza a lista de pacotes do Apt do Slackware. O segundo não apenas instala as atualizações do GSB, como também qualquer patch de segurança dos repositórios oficiais do Slackware que ainda não tenha sido instalado. Esse processo puxa uma grande quantidade de dependências do repositório do GSB, de modo que você já estará fazendo parte da instalação do GNOME.

Na terceira e última etapa, você escolhe entre usar o slapt-get para instalar um metapacote gsb-desktop ou o processo netinstall, descrito no site. Como testei o GSB em dois sistema, optei por usar um método em cada um. As diferenças entre os dois são irrisórias. A instalação fácil e rápida usa o lynx, o navegador web em modo texto, para executar o slapt-get remotamente no servidor do GSB, enquanto o metapacote executa o mesmo processo localmente. Com minha conexão rápida com a internet, os dois métodos se mostraram rápidos e fáceis, e não exigiram a minha intervenção.

Se ainda não tiver feito isso, nesse ponto você pode editar o arquivo /etc/inittab para mudar o runlevel padrão para 4, de modo que o sistema inicialize diretamente a interface gráfica. O gerenciador de sessão GDM recém-instalado oferece alguns recursos relevantes que não estão incluídos no KDM ou no XDM, os dois gerenciadores de sessão que fazem parte do Slackware.

O GSB 2.26.3 em ação

Se você optou por mudar o runlevel padrão para 4, na próxima ver em que fizer login no sistema, o GDM apresentará uma tela de login gráfico. Além do nome de usuário e da senha, você vai ter a opção de escolher o ambiente de desktop ou gerenciador de janelas a ser executado. Se o KDE, o Xfce ou quaisquer outros gerenciadores de janelas leves incluídos no Slackware por padrão já estiverem instalados, é possível alternar entre eles e o GNOME em cada sessão. Você também pode escolher o idioma e o tema da sessão.

gsb-2.26.3

Desktop GNOME 2.26.3 (GSB) do Slackware 13.0

Por padrão, o GSB instala um desktop GNOME mínimo. Outros aplicativos podem ser incluídos pelo slapt-get ou, se você preferir, pelo gerenciador gráfico de pacotes gslapt, que é muito parecido com o Synaptic dos sistemas baseados no Debian. Além dos aplicativos já mencionados, você encontra os típicos programas do GNOME, incluindo o programa de planilhas Gnumeric 1.8.4, o editor de diagramas Dia 0.9.7 e o software financeiro GnuCash 2.2.9 no repositório do GSB. São usadas as versões estáveis mais recentes de cada aplicativo na época do lançamento do GNOME 2.26.3, incluindo o AbiWord 2.6.8 e o OpenOffice 3.1.1. Dentre os aplicativos instalados por padrão estão o player de vídeo Totem, o gravador de CDs e DVDs Brasero e o navegador web Epiphany. Uma coisa que não foi instalada por padrão foi o ícone do Fusion para o Compiz Fusion, o que eu achei meio esquisito, já que todo o resto do Compiz foi instalado.

O controverso ambiente de desenvolvimento C# do Mono não vem instalado por padrão, e como você já deve estar imaginando, aplicativos ou extensões para o desktop que precisem dele também não. O Mono e outros aplicativos relacionados, como o programa de notas Tomboy, estão no repositório do GSB.

De modo geral, achei que os dois sistemas tiveram um desempenho excelente com o GSB. O velho sistema Toshiba, que fica bem lento com algumas das distribuições mais populares que usam o GNOME, manteve-se ágil e com respostas rápidas. Atribuo isso ao desempenho do Slackware e à natureza minimalista da instalação inicial do GSB. Instalei o wicd nos meus sistemas a partir do repositório de extras do Slackware, e como eu esperava, o ícone de status de rede dele apareceu no painel superior do GNOME e o wicd funcionou sem problemas. O GSB não inclui o Network Manager, embora o network-manager-applet do GNOME esteja no repositório.

Só presenciei um bug de forma intermitente, porém significativa, no GSB 2.26.3. Por duas vezes, a janela do gslapt ficou em branco quando cliquei no ícone “Executar”. Tive que fechar o aplicativo à força. Refiz exatamente o mesmo procedimento, e consegui realizar as ações esperadas sem maiores complicações. Eu uso o gslapt regularmente no VectorLinux Light do laptop Toshiba, e também no Zenwalk 6.2, e nesses casos não tive dificuldades, o que leva a crer que o bug seja específico do GSB.

Gerenciamento de pacotes e segurança

Ao contrário do Slackware “puro”, o GSB tem suporte à verificação automática de dependências quando você usa o Apt do Slackware. O arquivo /etc/slapt-get/slapt-get.rc fornecido usa tags para definir corretamente as prioridades das várias partes do repositório oficial do Slackware e do GSB. Geralmente, a prioridade é do repositório do GSB. Não tive problemas de conflito de pacotes com os dois repositórios até o momento. É bom observar que a instalação de pacotes dos repositórios oficiais do Slackware funciona corretamente com o slapt-get ou com o gslapt, mas que nesse caso não há resolução de dependências, e você vai ter que selecionar e instalar cada uma manualmente, como no Slackware comum. No entanto, se um pacote do GSB exigir um pacote do Slackware oficial, essa dependência será instalada automaticamente.

Se você usa vários repositórios de terceiros em distribuições que usem empacotamento RPM, como o Fedora, o Red Hat Enterprise Linux e seus clones (incluindo Oracle Enterprise Linux, CentOS e Scientific Linux), o SUSE Linux Enterprise ou o openSUSE, é importante ter em mente que a capacidade de priorizar e ordenar repositórios para evitar o conflito de pacotes é bem mais limitada aqui do que no plugin de prioridades do Yum. Por experiência própria, aviso que gerenciar repositórios de terceiros e resolver dependências em repositórios diferentes são tarefas excepcionalmente espinhosas no Apt do Slackware, e geralmente não dão muito certo.

O Slackware tem a ótima reputação de disponibilizar prontamente patches de segurança. Um pacote opcional muito interessante no GSB é o slapt-notifier. Ele coloca um ícone no painel do GNOME, do KDE ou do Xfce quando houver pacotes atualizados disponíveis, tornando o processo de aplicar atualizações e patches tão simples como nas distribuições mais populares, como no Ubuntu ou no Mandriva. Ele funciona muito bem quando apenas os repositórios do GSB e do Slackware oficial estão habilitados. Ao clicar no ícone de notificação, uma janela se abre e avisa quais atualizações estão disponíveis. Se você optar por atualizar o sistema, o gslapt é aberto e instala automaticamente os pacotes necessários.

gslapt-0.5.1b

O gerenciador gráfico de pacotes, gslapt 0.5.1b

Internacionalização e localização

A adição do GSB ao Slackware simplifica muito o trabalho de localização. Se o login gráfico estiver habilitado, o GDM permite que o usuário escolha o idioma a cada sessão, além de definir o idioma padrão. Desde que os pacotes de idiomas, fontes e dicionários estejam instalados, o sistema deve funcionar corretamente no idioma escolhido. Esse recurso deve funcionar no GNOME, no KDE e no Xfce.

Além dos pacotes de idiomas, dos pacotes i18n/i10n e dos dicionários nos repositórios oficiais do Slackware, o GSB inclui um conjunto completo de pacotes i10n para o OpenOffice.org. O Enchant, que é a interface para verificação ortográfica do AbiWord, está incluído no GSB. Se os dicionários corretos do Aspell presentes no repositório de extras do Slackware estiverem instalados, o AbiWord fará a verificação ortográfica no idioma selecionado.

Conclusão

O GSB oferece um ambiente de desktop GNOME integrado, fácil de instalar e bastante completo. Seguindo a filosofia do Slackware, ele instala apenas um conjunto mínimo de pacotes do GNOME e permite ao usuário adicionar os aplicativos de que precisa. O GSB também inclui pacotes que adicionam um gerenciamento de pacotes aprimorado e simplificam a localização do Slackware, além de oferecer alguns aplicativos populares que não estão incluídos nos repositórios oficiais da distribuição.

Só achei um bug expressivo que possa ser atribuído ao GSB. O desempenho como um todo é excelente, como eu já esperava do Slackware. De modo geral, o GSB é um ótimo complemento ao Slackware para aqueles que preferem usar o GNOME no desktop.

Créditos a Caitlyn Martin http://distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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