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Empresa propõe colocar servidores de IA dentro de turbinas eólicas no oceano para resfriamento natural

A Aikido Technologies planeja instalar data centers de IA dentro de turbinas eólicas na Noruega até o fim de 2026, usando o Mar do Norte como resfriamento passivo.

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A sede insaciável da Inteligência Artificial por energia e espaço físico está empurrando a tecnologia para as fronteiras finais da Terra. A Aikido Technologies, uma startup de San Francisco, acaba de revelar um plano audacioso: instalar data centers de alta densidade dentro de turbinas eólicas flutuantes em pleno oceano.

O objetivo é ter um protótipo operacional de 100 kW na costa da Noruega antes de dezembro de 2026. 

A estrutura se baseia em uma plataforma flutuante semissubmersível, parecida com as plataformas de petróleo. Três pilares preenchidos com água doce garantem a estabilidade da instalação, enquanto correntes ancoradas ao fundo do mar impedem que ela derive. Cada pilar comporta uma sala de servidores de 3 a 4 megawatts na parte superior, o que significa que uma única turbina pode abrigar entre 9 e 12 megawatts de infraestrutura de processamento no total.

O resfriamento é o ponto em que o projeto ganha mais sentido do ponto de vista operacional. A água doce armazenada nos pilares circula diretamente ao redor dos chips de processamento, absorve o calor gerado e então passa pelo invólucro externo da estrutura, onde o Mar do Norte, que mantém temperaturas entre 2 °C e 8 °C no inverno e raramente ultrapassa 18 °C no verão, dissipa esse calor sem custo energético adicional. Os componentes fora desse circuito hidráulico usam ar-condicionado convencional. Sam Kanner, CEO da empresa, afirma que essa combinação de geração própria e resfriamento passivo deve manter os custos operacionais abaixo dos data centers terrestres tradicionais, embora não tenha divulgado projeções numéricas comparativas ainda.

Ilustração técnica da plataforma flutuante A060DC, com três pernas, torre central e vista em corte mostrando área de data center submerso e sistema de resfriam…

A proposta não é isenta de complicações. Vento é uma fonte intermitente: a plataforma vai contar com baterias para absorver variações de curto prazo, e com conexão à rede elétrica convencional para períodos prolongados sem vento. O ambiente marinho com alta concentração de sal também eleva o risco de corrosão nos equipamentos e encarece a manutenção periódica, que em alto-mar exige logística mais complexa e cara do que em terra.

Uma tendência global

O protótipo de 100 kW na Noruega tem como objetivo validar a viabilidade real do conceito antes de qualquer escalonamento. A Aikido Technologies não está sozinha nesse caminho: na China, um projeto de data center subaquático movido a energia eólica iniciou testes perto de Xangai no segundo semestre de 2025, o que indica que a ideia está sendo explorada de forma independente em pelo menos dois continentes ao mesmo tempo.

Se o protótipo norueguês confirmar as premissas de custo e estabilidade técnica, o modelo pode se tornar relevante especialmente para países com grande litoral, alto potencial eólico offshore e pressão regulatória contra a expansão de data centers em áreas urbanas. 

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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