Vale tudo: Dona do TikTok abre os cofres e paga fortunas para não perder seus especialistas em IA

ByteDance e Tencent aumentam salários em até 150% e bônus em 35% na disputa para atrair talentos de IA. Entenda as implicações.

A guerra por talentos em IA está atingindo novos patamares na China, com gigantes tecnológicos como ByteDance e Tencent implementando estratégias agressivas de contratação. Segundo relatório recente, as empresas estão oferecendo aumentos salariais de até 150% para atrair e reter especialistas em inteligência artificial, enquanto elevam significativamente seus orçamentos para bônus e compensações.

De acordo com informações do South China Morning Post, a ByteDance, controladora do TikTok, ampliou em 35% seu orçamento para bônus em comparação ao ano anterior. Paralelamente, a empresa destinou 2,5 vezes mais recursos para aumentos salariais futuros, sinalizando uma estratégia de longo prazo para manter sua equipe de especialistas em IA.

ByteDance.HQ

A Tencent, por sua vez, adota uma abordagem ainda mais direta na guerra por talentos em IA. A companhia está ativamente recrutando profissionais seniores de concorrentes diretos, chegando a oferecer o dobro do salário atual apenas para convencê-los a mudar de empresa. Esta tática já produziu resultados significativos, como a contratação de Yao Shunyu, ex-pesquisador da OpenAI, para o cargo de cientista chefe de IA da Tencent, reportando-se diretamente ao presidente Martin Lau.

Embora as empresas chinesas estejam gastando quantias expressivas em salários e bônus, estas ainda parecem modestas quando comparadas às ofertas que estariam sendo feitas no Vale do Silício. Sam Altman, CEO da OpenAI, revelou recentemente que a Meta estaria tentando atrair seus funcionários com bônus de 100 milhões de dólares e salários ainda maiores. Segundo Altman, nenhum de seus melhores talentos aceitou tais propostas até o momento.

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O cenário de supervalorização de especialistas em IA contrasta drasticamente com a realidade enfrentada pelo restante do setor de tecnologia. No primeiro semestre de 2025, mais de 100 mil profissionais de tecnologia foram demitidos globalmente, com a Intel liderando os cortes ao dispensar mais de 20 mil funcionários. Este paradoxo evidencia a concentração de recursos e investimentos nas áreas relacionadas à inteligência artificial em detrimento de outros segmentos tecnológicos.

A crescente adoção da IA deve continuar provocando disrupções em diversas áreas profissionais. Uma simulação do MIT indica que 11,7% dos trabalhadores americanos poderão ser substituídos pela tecnologia, representando uma perda de 1,2 trilhão de dólares em salários e benefícios. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o CEO da Ford, Jim Farley, compartilham visões semelhantes, prevendo a eliminação de metade dos empregos de entrada para profissionais de colarinho branco nos Estados Unidos.

Estas previsões têm gerado preocupações entre legisladores. O senador Bernie Sanders já pediu uma moratória na construção de novos data centers para IA, enquanto a senadora Elizabeth Warren e outros democratas exigiram explicações de grandes empresas de tecnologia sobre como seu consumo de energia afeta comunidades locais. Apesar das preocupações, a indústria de IA parece determinada a continuar avançando, possivelmente aumentando ainda mais a disparidade salarial entre profissionais de IA e outros setores.

Fonte: Tom’s Hardware

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