Trocados pela máquina: HP anuncia que demitirá até 6 mil funcionários para focar em IA

HP vai cortar até 6.000 empregos até 2028 em um plano de reestruturação focado em IA. Entenda o que muda para o setor e para quem trabalha em tech.

A HP informou que pretende cortar entre 4.000 e 6.000 empregos em todo o mundo até o fim do ano fiscal de 2028, em um plano de reestruturação atrelado diretamente à adoção de inteligência artificial em suas operações. Segundo a companhia, os cortes podem alcançar cerca de 10% da força de trabalho global e fazem parte de uma estratégia para reduzir custos e aumentar a produtividade em meio à pressão por margens no mercado de PCs e impressoras.

Detalhes do plano de cortes

hp 2

O anúncio foi feito junto aos resultados financeiros, quando a HP também revisou para baixo projeções de lucro e citou custos mais altos de memória e componentes ligados ao boom de data centers de IA. A empresa estima gerar cerca de US$ 1 bilhão em economias anuais até o fim de 2028, ao combinar redução de quadro, simplificação de plataformas e consolidação de programas internos.

Onde a IA entra na reestruturação

Documentos para investidores e declarações do CEO Enrique Lores apontam que a HP pretende usar IA para redesenhar processos internos, automatizar tarefas e apoiar inovação em PCs e dispositivos “AI‑powered”. Áreas como desenvolvimento de produto, operações internas e atendimento ao cliente estão entre as mais citadas como alvo de ganho de eficiência via automação e, consequentemente, mais expostas aos cortes.

Impacto para trabalhadores e para o setor

Especialistas apontam que funções intensivas em tarefas repetitivas — em backoffice, suporte e partes da programação — estão entre as mais vulneráveis em movimentos como o da HP. Ao mesmo tempo, destacam que a própria expansão da IA abre vagas em áreas como engenharia de dados, MLOps e governança de modelos, embora a transição entre os empregos que desaparecem e os que surgem seja tudo menos automática.

O plano será implementado de forma gradual até 2028, o que tende a suavizar o impacto imediato, mas prolonga a incerteza para quem já trabalha na empresa. Para governos dos EUA e da Europa, o caso oferece um exemplo concreto de como a narrativa corporativa sobre IA está saindo do campo abstrato do “futuro do trabalho” e entrando diretamente nas decisões de folha de pagamento e política industrial.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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