A inteligência artificial já deixou de ser promessa e se tornou parte do cotidiano das empresas. Em áreas de tecnologia, ela está presente desde a automação de tarefas até a análise avançada de dados. Mas, em vez de encarar a novidade como uma ameaça, os profissionais de TI no Brasil se destacam por enxergar a IA mais como aliada do que como risco para o futuro de suas carreiras.
Brasileiros acreditam menos em impacto negativo da IA

O relatório Talent Trends Tech 2025, conduzido pela consultoria Michael Page em 36 países, mostra que apenas 54% dos profissionais de TI no Brasil acreditam que a IA vai alterar seus planos de carreira no longo prazo. O índice é bem abaixo da média global (63%) e da América Latina (64%).
O dado contrasta com a percepção internacional: enquanto em outras regiões predomina o receio de substituição de funções, no Brasil prevalece a visão de que a IA será integrada como suporte ao trabalho humano.
Além disso, 74% dos brasileiros não veem a IA como ameaça à segurança no emprego, número acima da média da América Latina (73%) e muito superior ao cenário mundial (60%).
Uso ativo da IA no dia a dia
O levantamento também revela que os brasileiros não apenas estão menos preocupados, como também fazem maior uso da IA em suas rotinas de trabalho.
-
68% afirmam já usar ferramentas de IA em suas funções atuais, contra 60% na média global.
-
42% utilizam a tecnologia diariamente, índice ligeiramente abaixo do registrado no mundo (44%), mas ainda expressivo.
Para a executiva Juliana França, da Michael Page, esse movimento mostra maturidade no mercado local:
“A inteligência artificial não substitui apenas tarefas; ela redefine papéis e valoriza competências humanas antes pouco exploradas. As empresas que conseguirem integrar a IA com clareza e oferecer capacitação contínua terão vantagem competitiva.”
O que as empresas estão fazendo?
Quando o assunto é incentivo oficial, 53% dos profissionais brasileiros dizem que suas empresas já recomendam o uso de IA — número próximo ao da América do Sul (51%), mas ainda distante da média global (68%).
Ou seja, enquanto os profissionais puxam a adoção por iniciativa própria, muitas companhias brasileiras ainda não estruturaram políticas claras ou treinamentos consistentes para explorar o potencial da tecnologia.