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A saga dos netbooks, parte 4: onde tudo começou
Por Carlos E. Morimoto em 2 de junho de 2009 às 06h35
14A busca por uma plataforma de computadores portáteis que oferecesse aparelhos ao mesmo tempo leves e práticos de usar está longe de ser uma coisa recente. Dois exemplos antigos de dispositivos portáteis são o HP 200LX e o Psion Series 5, que fizeram sucesso na década de 1990.
O HP 200LX era um handheld lançado pela HP em 1994, que era baseado em um processador Intel 186 (uma versão intermediária entre o 8088 do XT e o 286) e rodava o MS-DOS. Além do teclado completo e do tamanho reduzido, ele oferecia 40 horas de autonomia com um par de pilhas AA, o que continua sendo uma marca surpreendente:

O Psion Series 5 foi lançado em 1998 e utilizava um processador ARM de 18.4 MHz, combinado com 8 MB de memória SRAM (usada para armazenamento e instalação de programas) e uma tela HVGA (640x240). Ele também utilizava pilhas AA, mas o clock do processador fazia com que a autonomia fosse um pouco mais baixa, com "apenas" 30 horas com um par de pilhas alcalinas.
Dois destaques no Psion eram o teclado (surpreendentemente confortável de digitar considerando o tamanho) e o fato de rodar um sistema operacional gráfico, o EPOC, que incluía um conjunto completo de aplicativos, com editor, planilha, agenda e até mesmo um navegador, que você podia usar em conjunto com um modem serial que era vendido como acessório:

Embora lembrem um pouco os netbooks atuais, o 200LX e o Psion eram aparelhos mais limitados, que concorriam mais diretamente com os palmtops e os PDAs, e não com os notebooks. Embora rodasse aplicativos antigos, como o Lotus123, o 200LX não era capaz de rodar o Windows e os aplicativos para ele, enquanto o Psion usava um sistema operacional próprio, que não era compatível com os aplicativos para PCs.
Outro modelo interessante é o Toshiba Libretto, que foi lançado em várias versões, culminando no Libretto 70, lançado em 1997. Ele era baseado em uma versão de baixo consumo do Pentium MMX, que operava a 120 MHz, suportava o uso de até 32 MB de RAM e utilizava um teclado miniaturizado, com uma tela de 640x480:

Além da configuração ser muito fraca, mesmo para os padrões da época, ele era bastante desconfortável de usar e custava nada menos do que US$ 2000. Por outro lado, ele era pouco maior que uma fita VHS e pesava apenas 850 gramas, o que mostrou que era possível colocar um PC completo em um portátil com menos de 1 kg.
Entretanto, o projeto que acabou capturando a imaginação do público foi o OLPC XO, que surgiu com o objetivo de oferecer mini-laptops para uso na educação, com o objetivo de produzí-los em quantidade e fornecê-los os governos por US$ 100 a unidade.
Ele apresentou diversos recursos inovadores, como uma tela LCD capaz de operar tanto em modo colorido quanto em modo monocromático (otimizado para a leitura de e-books), um projeto pedagógico e recursos desenvolvidos pensando no uso em sala de aula, como um sistema de rede mesh, onde as máquinas se conectavam sozinhas entre si, compartilhando a conexão e outros recursos disponíveis:

Para cortar custos e reduzir o consumo elétrico, optaram pelo uso de um processador AMD Geode de 433 MHz, utilizando 1 GB de memória Flash como meio de armazenamento e um conjunto de otimizações que resultaram em uma autonomia de mais de 8 horas usando uma bateria de 4 células. Para compensar a configuração fraca, o projeto desenvolveu o Sugar, uma interface que roda sobre uma instalação do Linux otimizada para o aparelho, atacando o problema com aplicativos capazes de aproveitar melhor os recursos do hardware e não com um processador mais rápido.
O projeto acabou não dando muito certo, talvez por estar um pouco à frente de seu tempo, mas a idéia de desenvolver mini-PCs leves e baratos acabou se materializando na forma de outros produtos, servindo como inspiração para o Classmate da Intel (que decidiu criar o concorrente depois que a equipe do OLPC optou pelo uso do AMD Geode, em vez de um processador da Intel) que por sua vez acabou dando origem aos netbooks.
14 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 2 de junho de 2009 às 06h50


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