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Soquetes e processadores: um resumo

Por Carlos E. Morimoto em 23 de novembro de 2009 às 04h30

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Até o 386, os processadores eram soldados ou encaixados em soquetes de pressão. Como a frequência das placas-mãe era fixa e não se usava ainda a multiplicação de clock, não existiam muitos motivos para atualizar o processador.

As coisas mudaram a partir do 486, que marcou a introdução dos soquetes ZIF (Zero Insertion Force), destinados a facilitar os upgrades de processador. Eles utilizam um sistema de trava por alavanca, que permite inserir e remover o processador facilmente, sem precisar fazer força, evitando o risco de danos:

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Com exceção do slot 1 usado no Pentium II e do slot A usado no Athlon original, todos os processadores daí em diante adotaram o uso de soquetes ZIF, muito embora os encaixes tenham mudado conforme foram sendo lançadas novas plataformas. De uma maneira geral a Intel é a mais afoita por lançar novos encaixes, já que as mudanças ajudam a popularizar novas tecnologias e, principalmente, ajudam a vender mais placas e chipsets, que são a segunda maior fonte de renda da empresa.

A AMD por outro lado é tradicionalmente mais conservadora, estendendo o uso das plataformas antigas para aproveitar as oportunidades deixadas pelas mudanças abruptadas da Intel. Foi assim como a transição do Pentium MMX para o Pentium II (quando a AMD vendeu zilhões de processadores K6-2 para placas soquete 7), na malfadada introdução do Pentium 4 com memórias RAMBUS (quando o Athlon soquete A ganhou espaço), na transição para as placas soquete 775 e, mais recentemente, na transição para o Core i5/i7, quando muitos têm optado pelos modelos de baixo usto do Phenom II e Athlon II, que continuam compatíveis com as placas AM2+ usadas pela geração anterior.

Vamos então a um rápido resumo dos soquetes usados até aqui:

Soquete 3: Sucessor dos soquetes 1 e 2 usados nas primeiras placas para 486. A diferença fica por conta dos processadores suportados: o soquete 3 suporta todos os 486, além dos AMD 5x86, Cyrix 5x86 e Pentium Overdrive, enquanto as placas soquete 1 e 2 suportam apenas até o DX-2 66.

Soquete 4 e 5: Usados nas primeiras placas para processadores Pentium 1 (o soquete 4 suporta apenas os modelos de 60 e 66 MHz e o soquete 5 suporta até o 133). Foram rapidamente substituídos pelo soquete 7.

Soquete 7: Teve uma vida útil surpreendentemente longa, oferecendo suporte ao Pentium, MMX, K5, K6 e ao 6x86 da Cyrix. Mais tarde foram lançadas placas soquete 7 atualizadas com suporte a bus de 100 MHz, que foram usadas ao longo da era K6-2, servindo como uma opção de baixo custo às placas slot 1 e ao Pentium II.

Soquete 8: Usado pelo Pentium Pro (166 e 200 MHz). A sinalização é muito similar à usada pelo slot 1, mas o formato é diferente.

Slot 1: Usado pelo Pentium II, versão inicial do Celeron (os modelos sem cache) e pelas primeiras versões do Pentium III. Ele marcou o fim da compatibilidade de placas entre processadores da Intel e da AMD.

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Slot A: Foi usado pela AMD nas primeiras versões do Athlon. Assim como no caso do Pentium II, elas usavam o formato de cartucho, com chips externos de memória cache. Teve uma vida útil curta, sendo logo substituído pelo soquete A.

Soquete 370: Foi uma versão miniaturizada do Slot 1 (basicamente a mesma sinalização, mas em um formato mais eficiente) destinada aos processadores com cache L2 integrado. Foi usado pelas versões subsequentes do Pentium III e Celeron (com cache) e também pelo VIA C3. A plataforma fez bastante sucesso, mas acabou tendo uma vida útil relativamente curta devido à introdução do Pentium 4.

Soquete A: Com o lançamento do Athlon Thunderbird (com cache L2 integrado), a AMD tomou um rumo similar ao da Intel e desenvolveu uma versão miniaturizada do Slot A, dando origem ao soquete A. Ele teve uma vida útil surpreendente, sendo usado por todas as versões do Athlon e do Duron, indo do Thunderbird ao Athlon XP e Sempron (de 32 bits). Foi substituído apenas com o lançamento do Athlon 64.

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Soquete 423: Foi usado pelas primeiras versões do Pentium 4, com core Willamette. Acabou sendo usado em poucas placas, sendo logo substituído pelo soquete 478.

Soquete 478: Foi introduzido junto com o lançamento do Pentium 4 Northwood e continuou sendo usado pelos Pentium 4 com core Prescott e pelos modelos iniciais do Celeron D, que foram bastante populares entre 2006 e 2007 devido ao baixo custo.

Soquete 754: Este foi o encaixe usado pelas versões single-channel do Athlon 64 e do Sempron, que conviveram com as placas soquete 939, destinadas ao Athlon FX. A grande diferença entre as duas plataformas era que o soquete 939 oferecia suporte a dual-channel, o que resultava em um ganho de desempenho perceptível. Por outro lado, tanto as placas soquete 939 quanto os Athlon 64 FX eram mais caros, o que manteve o soquete 754 como a opção mais popular.

Soquete 939: Foi usado pelo Athlon 64 FX e pelas versões iniciais do Athlon X2. Ele surgiu uma uma versão desktop do soquete 940 que era usado pelo Opteron. As duas plataformas eram idênticas (dual-channel, HyperTransport operando a 1.0 GHz e assim por diante), mas o Opteron utilizava memórias DDR registered, enquanto o Athlon 64 FX usava módulos DDR comuns.

Soquete AM2: O uso do controlador de memória integrado obrigou a AMD a migrar para um novo soquete com a transição para as memórias DDR2, já que a pinagem dos módulos é diferente. Isso deu origem ao soquete AM2 com suporte a DDR2 e dual-channel, que substituiu tanto o soquete 754 quanto o 939.

O primeiro processador a usá-lo foi o Athlon 64 com Core Orleans e continuou sendo usado durante a era Athlon X2. As placas AM2 atualizadas para oferecer as tensões corretas podem ser também usadas em conjunto com o Phenom X3 e X4 ou (em casos mais raros) até mesmo com o Phenom II e Athlon II em versão AM2+.

Soquete AM2+: O AM2+ é uma versão atualizada do soquete AM2, que oferece suporte ao HyperTransport 3.0 e permite o uso de tensões separadas para os cores e o controlador de memória (split power planes), usado a partir do Phenom para reduzir o consumo elétrico.

A pinagem continua a mesma em relação ao AM2, o que permite usar processadores AM2 em placas AM2+ e vice-versa. Entretanto, o uso de placas antigas depende de um upgrade de BIOS que inclua suporte aos novos processadores.

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Soquete AM3: O AM3 surgiu da necessidade de oferecer um soquete compatível com as memórias DDR3, que começaram a se tornar mais populares a partir do lançamento do Core i7. O AM3 mantém a mesma pinagem do AM2+, o que permitiu à AMD adicionar um sistema de compatibilidade de mão única nos Phenom II e Athlon II em versão AM3, que incluem um controlador de memória duplo (DDR3 e DDR2) e podem ser usados tanto em placas AM3 quanto em placas AM2+ capazes de fornecer as tensões adequadas.

Por outro lado, a migração para as memórias DDR3 quebrou a compatibilidade com os processadores AM2 e AM2+ antigos, que não podem ser usados nas novas placas. O AM3 adotou o uso de 3 pinos de controle, que impedem o encaixe os processadores incompatíveis.

Soquete LGA-775: O soquete 775 marcou a migração para o padrão LGA, onde os pinos foram movidos do processador para o soquete, encurtando o comprimento das trilhas e permitindo assim o uso de frequências ligeiramente mais altas.

Com a possível exceção do antigo soquete 7, o 775 é o soquete de maior longevidade da Intel. Ele foi introduzido com o lançamento do Pentium 4 com core Cedar Mill, foi usado durante a era Pentium D e continuou na ativa durante toda a era Core 2 Duo e Core 2 Quad, sendo aposentado apenas com a introdução do Core i7.

Soquete LGA-1366: A introdução do Nehalem marcou a migração da Intel para o uso de controladores de memória integrados. Com isso, o número de contatos no processador aumentou bastante, dando origem ao LGA-1366 usado pelos Core i7 baseados no Bloomfield, com suporte a triple-channel.

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Soquete LGA-1156: O LGA-1156 é a versão "desktop" do LGA-1366, usado pelos Core i7 e Core i5 baseados no core Lynnfield. As duas grandes diferenças entre as duas famílias é o uso do controlador PCI-Express integrado e o uso de um controlador de memória dual-channel (que levou à redução no número de contatos). O LGA-1156 marcou também o fim da ponte-norte do chipset, movida para dentro do processador.

18 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h29

Comentários

 
por Jones (anônimo) em 1 de julho de 2010 às 09h01
era K6-2, velhos tempos
nerd por celso (anônimo)
 
por jfulber (anônimo) em 3 de fevereiro de 2010 às 16h21
Muito bom artigo, estudei hardware em 2000 e ja nem lenbrava mais dessas perolas!! A proposito meu hobby agora e tentar usar um pentium III 450Mhz com dual boot win xp e kurumim 7 hehehe
 
por Prof. Wagner Souza (anônimo) em 14 de dezembro de 2009 às 13h56
Muito legal cara! Só faltou por mais fotos dos soquetes
 
por Claudeir Hygino (anônimo) em 29 de novembro de 2009 às 18h49
Muito legal... É sempre bom estar relembrando a evolução de tudo em matéria de hardware...
 
por Marcellduarte (anônimo) em 29 de novembro de 2009 às 16h11
Só faltou a história da pequenina VIA, que com muito custo sobrevive até os dias de hoje.
 
por evjk (anônimo) em 24 de novembro de 2009 às 07h21
Eu possuo um pc rodando PII Slot1 350mhz rodando em over a 416mhz com fsb de 83mhz 512kb de cache , rodando tudo filmes, dvds, etc... um luxo com Resulinux(debian Lenny) 2.9R8 he...he...
 
por Paulo (anônimo) em 24 de novembro de 2009 às 01h35
Nossa q lembrança boa, rss

Bem q podiam lançar uma MoBo que aceitasse tanto AMD quanto Intel.

Ainda me lembro dos jumpers
 
por Rafael (anônimo) em 23 de novembro de 2009 às 22h25
Muito bom o artigo.

Só faltou mostrar melhor as diferenças técnicas e praticas entre Slot, socket(PGA) e LGA; principalmente entre essas duas ultimas, que são atuais, mostrar as vantagens e desvantagens de cada uma.
 
por Thiago (anônimo) em 23 de novembro de 2009 às 21h17
Claro, direto e objetivo! Sem enrolações. Muito bom! =]
 
por wcarmo (anônimo) em 23 de novembro de 2009 às 21h06
Ótima lembrança da linha de tempo dos soquetes. Na realidade o primeiro soquete para pentium 4 foi o 423 e não 427 como escrito no texto.