Cabeamento de rede: testadores, PoE e hacks

Cabeamento de rede: testadores, PoE e hacks

Além dos dados, cabos de rede podem ser utilizados para transportar energia ou mesmo um sinal de telefone, reduzindo o número de fios que você precisa correr pelo prédio. Um ponto de acesso instalado no telhado, pode receber energia diretamente através do cabo de rede, sem que você precise levar também um cabo de energia até ele. Temos também os testadores e certificadores de cabos, que ajudam a solucionar problemas e podem ser usados para certificar os pontos de rede. Este tutorial é um apanhado geral sobre tudo isso. Vamos lá:

Testadores

Existem no mercado diversos testadores de cabos, que variam em sofisticação, indo desde simples verificadores de continuidade (que verificam individualmente cada um dos quatro pares, avisando caso algum dos fios esteja partido), a certificadores com ferramentas de diagnóstico muito mais sofisticadas, que efetivamente medem a qualidade do cabeamento, atestando que o ponto atende a diferentes padrões. Isso explica também a enorme variação de preços, com de um lado testadores simples que podem custar apenas alguns dólares (já cheguei a ver testadores de continuidade simples, feitos na China, que custavam apenas dois dólares cada!) quanto certificadores high-end que chegam a custar mais de 5.000 dólares no exterior, resultando em um custo pornográfico aqui no Brasil devido aos impostos.

Nas fotos a seguir temos um Fluke DTX-1800, um exemplo de certificador de cabos high-end, que possui módulos para o teste de diversos tipos de cabeamento, de cabos cat5 e cat6 a cabos de fibra monomodo. Além de realizar todos os tipos de testes (continuidade, impedância, frequência e assim por diante) ele possui teste pré-programado para certificar pontos de rede, atestando que eles atendem aos padrões estabelecidos:

Fluke DTX-1800

Testador simples de continuidade

Fluke DTX-1800 e um testador simples de continuidade

Abaixo temos um testador simples de continuidade, onde conjunto de leds se acende, mostrando o status de cada um dos fios. Se algum fica apagado durante o teste, você sabe que o fio correspondente está partido. A limitação é que eles não são capazes de calcular em que ponto o cabo está partido, de forma que a sua única opção acaba sendo trocar e descartar o cabo inteiro.

Certificadores como o Fluke DTX-1800 são um overkill para a maioria das situações, já que embora úteis, eles são muito caros. É o tipo de equipamento que seria comprado pela empresa e compartilhado apenas entre os funcionários mais qualificados, para trabalhos de certificação.

Os testadores de continuidade por sua vez são bastante acessíveis (os de boa qualidade custam geralmente entre 100 e 300 reais, mas os mais baratos podem chegar a custar 20 reais ou menos) e são úteis para detectar problemas básicos na crimpagem, atestando pelo menos que o cabo não está partido em nenhum ponto. Para redes de 100 megabits, o teste de continuidade é uma razoável garantia que a rede funcionará dentro do esperado, já que o 100BASE-TX é muito tolerante em relação ao cabeamento, mas no caso dos pontos Gigabit é interessante realizar mais testes, transferindo arquivos entre dois micros para verificar a velocidade da rede e utilizar algum utilitário de diagnóstico para verificar se pacotes não estão sendo perdidos em grande número e assim por diante. Se o cabeamento não estiver dentro do padrão, pode ser que as placas chaveiam automaticamente para o 100BASE-TX, mais um sintoma de que algo está errado.

Entre os dois extremos, temos vários tipos de testadores mid-range e high-end, que também possuem telas visualizadoras e são capazes de executar um bom número de testes (calculando por exemplo o comprimento total do cabo e em que ponto ele está rompido, a partir do tempo que o sinal demora para percorrer o circuito, detectando curtos ou a presença de um injetor PoE do outro lado e assim por diante), servindo como um meio-termo entre as duas categorias. Para alguns testes (como medir o comprimento do cabo e a presença de curtos) sequer é necessário que o módulo remoto esteja instalado do outro lado. Um exemplo é o Fluke Microscanner 2:

Exemplo de diagnóstico: Curto entre os fios do primeiro par a 29.8 metros

Exemplo de diagnóstico: Curto entre os fios do primeiro par a 29.8 metros

Exemplo de diagnóstico: Curto entre os fios do primeiro par a 29.8 metros

A boa notícia é que se você utilizar boas ferramentas e crimpar os cabos cuidadosamente, utilizando cabos e conectores dentro da categoria adequada ao tipo de instalação que está realizando, a incidência de problemas é relativamente pequena,pois é muito raro que os cabos venham com fios rompidos de fábrica. Os cabos de rede apresentam também uma boa resistência mecânica e flexibilidade, para que possam passar por dentro de tubulações. Quase sempre os problemas surgem por causa de conectores mal crimpados.

Uma curiosidade com relação aos testadores é que algumas placas-mãe da Asus, com rede Yukon Marvel (e, eventualmente, outros modelos lançados futuramente), incluem um software testador de cabos, que pode ser acessado pelo setup, ou através de uma interface dentro do Windows. Ele funciona de uma forma bastante engenhosa. Quando o cabo está partido em algum ponto, o sinal elétrico percorre o cabo até o ponto onde ele está rompido e, por não ter para onde ir, retorna na forma de interferência. O software cronometra o tempo que o sinal demora para ir e voltar, apontando com uma certa precisão depois de quantos metros o cabo está rompido, a mesma técnica usada pelos testadores.

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