Dicas de compra

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Dicas de compra

Antigamente existia a polêmica entre os “PCs onboard” e os “PCs offboard”, mas atualmente praticamente todas as placas trazem som e rede onboard. Isto acontece por que tanto as placas de som, quanto as de rede atingiram um “pico evolutivo” a alguns anos atrás, onde deixou de existir uma grande diferença “prática” de performance e qualidade entre as placas que justificasse gastar mais por uma placa offboard na maioria dos casos.

Uma placa de rede offboard da 3Com ou Intel pode oferecer pequenos ganhos de desempenho, um certo ganho de estabilidade do sinal ou uma utilização do processador um pouco mais baixa durante as transferências do que um chipset Realtek onboard, mas se formos comparar a rede onboard com uma placa de rede offboard barata, como uma Encore 10/100 baseada no chip Via Rhine 6105, por exemplo, é bem provável que a placa onboard seja superior, principalmente se considerarmos que a maioria das placas-mãe atuais trazem rede gigabit, onde o chipset de rede é ligado diretamente ao barramento PCI-Express.

Algo similar acontece no caso do som onboard. Desde as Sound Blaster 16 ISA as placas de som atingiram um nível de qualidade sonora a partir do qual a maioria das pessoas não consegue perceber diferenças consideráveis de uma placa para a outra. As placas evoluíram em muitos sentidos, naturalmente, incorporando suporte a múltiplos fluxos de audio, suporte a taxas de amostragem mais altas, recursos 3D e assim por diante, mas a característica básica, que é a qualidade do som ao ouvir música não mudou muito desde então. Ela depende mais da qualidade dos circuitos analógicos e conectores (além da qualidade dos fones ou das caixas de som, obviamente) usados do que do chipset propriamente dito.

Atualmente podemos classificar a maioria dos chipsets de som onboard em duas categorias: As placas que seguem o antigo padrão AC’97 a as placas compatíveis com o padrão Intel HDA (high definition audio), que oferecem suporte a oito canais de audio independentes com 32 bits de definição e taxa de amostragem de 192 kHz, contra 6 canais (20 bits, 48 kHz) do AC’97.

Assim como no caso das placas de rede, existem placas de som offboard de alta qualidade, destinadas ao público entusiastas e ao uso profissional. Elas oferecem uma variedade maior de saídas e uma qualidade geral melhor, mas a maioria das pessoas não percebe diferença na qualidade do som e acaba não utilizando os recursos adicionais. É por isso que as tradicionais placas de som da Creative, incluindo as Audigy e X-Fi não são nem de longe tão populares quanto antigamente.

Naturalmente, o mesmo não se aplica na questão das placas 3D, onde as offboard ainda reinam absolutas. De uma forma geral, as placas de vídeo onboard possuem duas limitações crônicas.

A primeira é o fato do chipset de vídeo ser integrado à ponte norte do chipset, o que traz limitações no volume de transistores e também na frequência de operação. Isso limita os projetos de vídeo onboard a soluções simplificadas, que não tem como concorrer diretamente nem mesmo com as placas offboard low-end.

A segunda limitação é a questão da memória. Placas 3D offboard utilizam memória dedicada, enquanto as placas onboard precisam compartilhar a memória principal com o processador e os demais periféricos do micro.

Com a popularização dos módulos DDR2 (e DDR3) e de placas com dual-channel, o barramento com a memória foi ampliado sensivelmente, o que beneficiou as placas onboard. A questão é que as placas offboard evoluíram na mesma proporção, se mantendo muito à frente. Uma GeForce 8800 Ultra possui um barramento de 103.68 GB/s com a memória, enquanto dois módulos DDR2 PC2-6400 em dual-channel oferecem um barramento teórico de 12.8 GB/s (quase 10 vezes menos), que precisam ser compartilhados entre a placa de vídeo onboard, o processador e os demais periféricos.

A principal questão é que nem todo mundo usa o PC para jogos e mesmo entre os que usam, muitos rodam games antigos ou se contentam em rodar os games com resoluções mais baixas e com efeitos desativados. É impressionante o volume de pessoas que ainda jogam Counter Strike e Diablo 2 em pleno ano 2007. 🙂

Isso cria situações curiosas. O maior fabricante de chipsets de vídeo 3D (em volume) é a Intel, que não fabrica uma única placa offboard desde 1998. Apenas vendendo chipsets com diferentes versões do chipset Intel GMA onboard, eles vendem um número maior de chipsets 3D do que a nVidia e ATI juntas.

Uma solução para o desenvolvimento de placas com vídeo onboard de alto desempenho seria integrar chipsets de vídeo e chips de memória dedicada, solução que poderia oferecer o mesmo desempenho de uma placa offboard baseada no mesmo chipset de vídeo. A questão principal neste caso seria o custo. Mais de 80% do custo de produção de uma placa 3D correspondem justamente ao chipset e módulos de memória. Integrá-los diretamente na placa mãe ofereceria alguma economia de custos relacionada ao aproveitamento de espaço no PCB e compartilhamento de alguns dos circuitos de regulagem de tensão, mas na prática a economia seria pequena demais para justificar a perda da possibilidade de atualizar a placa de vídeo.

Isso fez com que a velha fórmula de usar um chipset de vídeo low-end integrado ao chipset, utilizando memória compartilhada, prevalecesse. De certa forma, isso é bom, pois você pode comprar uma placa mãe com vídeo onboard pagando pouca coisa a mais e instalar uma placa offboard apenas se precisar.

Uma questão interessante é que as placas sem vídeo onboard custam freqüentemente mais caro do que os modelos com. Isso acontece por que as placas sem vídeo onboard são tipicamente placas mini ATX, com 6 ou 7 slots, destinadas ao público entusiasta, enquanto as placas com vídeo onboard são tipicamente modelos micro ATX, com menos slots de expansão, destinadas ao mercado de placas de baixo custo.

Concluindo, temos também a questão dos modems. Embora os modems estejam caindo em desuso, quase todos os chipsets VIA, SiS e nVidia ainda trazem um controlador de modem integrado. Entretanto, ficam faltando os componentes analógicos, que podem ser instalados através de um riser AMR ou CNR.

A maioria dos fabricantes não incluem mais estes slots, já que eles tomam o lugar de um slot PCI ou PCI Express e atualmente, apenas algumas placas da PC-Chips, ECS e Phitronics trazem o “kit completo”, com tanto o slot AMR quanto o riser. Como a qualidade dos modems PCI decaiu bastante na última década, com os antigos hardmodems dando lugar a softmodems cada vez mais baratos, muitas vezes o modem onboard oferece uma qualidade até superior.


Processador

Uma questão interessante sobre os processadores é que os preços são definidos de forma a maximizar os lucros do fabricante dentro de cada categoria de preço e não de acordo com a performance relativa.

Em muitos casos, modelos de baixo custo podem ser vendidos com prejuízo, com o objetivo de ganhar volume, ou simplesmente evitar que o concorrente ganhe espaço, enquanto os processadores mais rápidos de cada família são vendidos a preços astronômicos, de forma a maximizar os lucros entre o público que quer o melhor desempenho a qualquer custo.

Outra variável importante é a questão do overclock. Um processador A pode operar a 2.0 GHz, enquanto processador B opera a 2.66 GHz. Naturalmente o processador B é mais caro, mas ambos compartilham a mesma arquitetura, de forma que a frequência que ambos podem atingir na prática é muito similar. Você pode então economizar comprando o processador A e fazer overclock para 2.66 GHz ou mais, obtendo o desempenho do processador B por uma fração do custo. Investindo a diferença em uma placa-mãe e cooler melhores, mais memória e assim por diante, você acaba com um PC de configuração superior gastando o mesmo.

Para quem faz overclock, quase sempre a melhor opção em termos de custo benefício é comprar o processador mais lento dentro da família. Em alguns casos, o segundo modelo pode custar apenas um pouco a mais e suportar frequências um pouco superiores, ou permitir que você obtenha a mesma frequência utilizando um FSB mais baixo na placa mãe (e com isso uma maior estabilidade), de forma que ele pode passar a ser a melhor opção.

O processo de litografia usado na fabricação dos processadores faz com que dois processadores nunca sejam exatamente iguais. Pequenas diferenças no foco das máscaras fazem com que alguns processadores fiquem mais “perfeitos” que os outros, o que faz com que alguns suportem overclocks maiores. Mesmo comparando dois processadores da mesma série e produzidos na mesma época (ou até mesmo dois processadores que compartilharam o mesmo waffer), você perceberá que sempre um deles é capaz de atingir frequências um pouco superiores ao outro. Um bom overclock também depende um pouco da sorte.

Nos primeiros degraus da tabela, os preços crescem de forma mais ou menos proporcional. Entretanto, a partir de um certo ponto a subida se intensifica e você passa a pagar uma diferença cada vez maior por cada degrau a mais de desempenho. Se o processador B custa 50% a mais que o processador A, em troca de um aumento de apenas 10% na frequência, é muito difícil justificar a compra, por mais que você precise de um PC mais rápido.

Um erro comum que as pessoas cometem ao montar o micro é gastar mais para montar “um micro que dure”. Isso é uma ilusão, pois qualquer PC que você monte hoje vai estar desatualizado daqui a dois anos. O melhor a fazer é escolher componentes que atendam às suas necessidades mais imediatas, escolhendo componentes que ofereçam possibilidades de upgrade, gastando menos e assim já se preparando para as próximas atualizações.

Aqui temos uma tabela com os preços dos processadores Intel, em Julho de 2007, que podemos usar como exemplo. Os preços aqui no Brasil variam muito de acordo com a loja, por isso estou usando a tabela com os preços oficiais, nos EUA. A idéia é apenas mostrar as proporções, não oferecer um guia de preços:

Celeron 420 (1.6 GHz) $50
Celeron D 352 (3.2 GHz) $57
Celeron 430 (1.8 GHz) $59
Celeron 440 (2.0 GHz) $70
Pentium E2140 (1.6 GHz) $89
Pentium E2160 (1.8 GHz) $96
Core 2 Duo E4300 (1.8 GHz) $117
Core 2 Duo E4400 (1.8 GHz) $139
Core 2 Duo E6300 (1.86 GHz) $164
Pentium D 945 (3.4 GHz) $185
Core 2 Duo E6400 (2.13 GHz) $186
Core 2 Duo E6600 (2.4 GHz) $223
Core 2 Duo E6700 (2.66 GHz) $318
Core 2 Quad Q6600 (2.4 GHz) $480
Core 2 Extreme QX6700 (2.66 GHz) $968
Core 2 Extreme X6800 (2.93 GHz) $975

Olhando a tabela, você poderia se sentir tentado a comprar um Celeron D 352 ou um Pentium D 945, mas isso não seria uma boa idéia pois o desempenho deles é inferior ao do Celeron 430 e do Core 2 Duo E6400, que custam na mesma faixa de preço. Eles seriam mais uma opção de upgrade para quem possui uma placa-mãe soquete 775 antiga, que não é compatível com os processadores da plataforma Core.

Imagine que você se decidiu por um Core 2 Duo E6600, por exemplo. Ele ainda não está na “zona vermelha”, onde os preços começam a subir de forma desproporcional, mas também não é um processador barato. Se você puder se contentar com um processador apenas um pouco mais lento, você poderia comprar um Celeron 430 que custa menos de um terço do preço e fazer um overclock modesto para 2.39 GHz (usando bus de 266 MHz ao invés dos 200 MHz padrão), ou mesmo ir mais longe (já que ele pode trabalhar estavelmente a 2.8 GHz ou mais com a ajuda de um bom cooler). Se você faz questão de um processador dual-core, poderia comprar um Pentium E2140 e fazer overclock para 2.4 GHz (usando bus de 300 MHz).

Em ambos os casos, você terá um desempenho um pouco inferior ao do E6600 (o Celeron é single-core e o Pentium E tem menos cache), mas em compensação vai gastar muito menos.

Depois de um ano, os preços tendem a cair em pelo menos 30%, de forma que, mesmo que você optasse por atualizar o processador, acabaria gastando menos do que pagaria inicialmente apenas pelo E6600. O Celeron ou Pentium E usado poderia ser vendido e assim ajudar a financiar o próximo upgrade.

O processador é um bom componentes para se economizar, pois ele pode ser substituído facilmente. O mesmo não se aplica à placa mãe, que é o componente “base” do PC.

Se você vai montar um micro de baixo custo, o melhor é comprar o processador mais barato dentro da arquitetura atual (como o Celeron 420, no caso da plataforma Core) e investir a diferença na placa mãe. Se sobrar um pouco de dinheiro, também compensa investir um pouco mais no cooler.

A placa mãe é o componente mais importante, pois vai ser o que você vai aproveitar ao longo de mais upgrades. O cooler é também um bom lugar para se investir, pois ele permite que você obtenha overclocks maiores, o que ajuda a amenizar a falta de desempenho do processador. O overclock sempre reduz a vida útil do processador, mas isso não é um problema se você tiver planos de trocá-lo depois de um ano, por exemplo.

A memória RAM também influencia diretamente o desempenho do micro, pelo simples fato de que sem memória RAM suficiente o sistema passa a usar memória swap. Por outro lado, a memória é um componente facilmente atualizável, por isso você pode optar por usar um único módulo de 1 GB, por exemplo e deixar para comprar o segundo (para completar 2 GB e ativar o dual-channel) quando tiver dinheiro ou precisar de mais memória. É sempre recomendável usar dois módulos idênticos em dual-channel, mas isso não é uma regra. Dois módulos diferentes podem funcionar perfeitamente, desde que você deixe a placa mãe ajustar a temporização automaticamente ou ajuste os tempos de forma que correspondam aos do módulo mais lento.

Se você está montando um micro para jogos, então a placa 3D passa a ser o ítem mais importante, seguido do processador, memória e HD. Na maioria dos games, o desempenho da placa 3D torna-se um gargalo muito antes do desempenho do processador, de forma que é preferível comprar uma placa 3D mediana e um processador low-end do que o contrário.

Ao usar uma placa 3D offboard, dê uma olhada nas placas mãe sem vídeo onboard. Elas podem custar o mesmo ou até um pouco mais caro que os modelos populares com vídeo, mas com certeza você leva outros recursos em troca do vídeo onboard que não vai usar. As placas baseadas nos chipsets nForce costumam ser boas opções.

Existe uma pequena diferença de preço entre os processadores boxed (ou retail) e os OEM. Antigamente, se especulava sobre diferença de qualidade entre os dois tipos, já que os boxed são destinado à venda direta ao consumidor, enquanto os OEM são destinados a integradores, mas atualmente isso não existe. A vantagem dos boxed (fora a caixa, que você vai jogar no lixo depois de abrir) é que eles vem com o cooler, o que pode justificar a diferença de preço. Entretanto, o cooler é sempre um modelo simples, apenas bom o suficiente para refrigerar o processador à frequência nominal. Se você pretende fazer overclock, prefira comprar um processador OEM e um cooler de melhor qualidade.


Memória

Os módulos de memória podem ser divididos em três categorias: módulos “genéricos”, sem marca, módulos de marcas conhecidas, como Kingston, Micron, Corsair, Samsung, etc. e módulos “premium”, que oferecem tempos de acesso mais baixo, suportam frequências de clock mais elevadas e/ou possuem dissipadores avantajados, que facilitam o overclock.

De uma forma geral, a diferença de preço entre os módulos genéricos e os módulos das marcas conhecidas é muito pequena, inferior a 10% na grande maioria dos casos, por isso acaba valendo mais à pena evitar os genéricos.

Não que eles sejam necessariamente ruins. Em muitos casos, são usados os mesmos chips usados em módulos de marcas conhecidas, muitas vezes com a mesma qualidade de fabricação e acabamento. O mercado de fabricação de módulos de memória é incrivelmente concorridos, de forma que os fabricantes que produzem produtos inferiores, ou que possuem margens de defeitos acima da média acabam não sobrevivendo muito tempo.

A principal questão é que comprando módulos genéricos a possibilidade de dar o azar de comprar um módulo ruim é maior, já que estamos falando de fabricantes que trabalham com margens de lucro incrivelmente apertadas e se engalfinham por qualquer centavo a menos no preço de venda. Fabricantes conhecidos trabalham com preços um pouco acima da média e por isso podem se dar ao luxo de ter sistemas de controle de qualidade melhor e oferecer garantias maiores.

Os módulos “premium”, por sua vez, raramente são uma boa opção de compra, pois a diferença de preço é muito grande, podendo chegar a 100% ou mais em relação a módulos genéricos da mesma capacidade e o pequeno ganho de desempenho não compensa o investimento.

Módulos premium são compostos por compostos por chips escolhidos durante a fase inicial de testes, antes que eles sejam soldados aos módulos. Assim como nos processadores, alguns chips de memória são capazes de operar a frequências mais altas que outros. Isso acontece devido a pequenas diferenças no foco das lentes de litografia. Combinando estes módulos escolhidos a dedo com um controle de qualidade mais rigoroso e dissipadores mais eficientes fazem com que estes módulos realmente se destaquem.

O grande problema é que os fabricantes aproveitam o hype e o limitado volume de produção para os venderem a preços muitos mais altos. Comprar módulos premium é como comprar roupas de grife. A qualidade normalmente é um pouco superior, mas a grande diferença de preço não compensa.

fig1OCZ Reaper

Talvez você se sinta melhor tendo um par de módulos Corsair Dominator ou OCZ Reaper dentro do gabinete e talvez até possa mostrá-los aos amigos, mas se a idéia é melhorar a boa e velha relação custo benefício, então você aproveitaria melhor seu dinheiro investindo em uma placa 3D ou processador um pouco mais rápido, ou em uma placa mãe melhor.

Em seguida temos a questão da frequência e tempos de acesso. Em casos onde o vendedor é bem informado, ele mesmo pode lhe fornecer as informações, caso contrário você acaba sendo obrigado a pesquisar pelo código de identificação decalcado no módulo, ou pelo código de identificação do fabricante.

Nos módulos da Kingston, por exemplo, você encontra um código como “KVR533D2N4/512” na etiqueta de identificação do módulo:

fig2
Uma pesquisa rápida no http://kingston.com mostra o significado do código:

fig3
A sigla “KVR” indica a linha de produtos da qual o módulo faz parte, neste caso a “ValueRAM”, a linha de módulos de baixo custo da Kingston. Em seguida temos a frequência de operação suportada pelo módulo. No caso do módulo da foto, temos um “533”, que indica que ele é um módulo DDR2-533.

Depois do “D2N”, que indica que é um módulo DDR2, sem ECC, temos o número que indica o tempo de latência, que no módulo da foto é de 4 tempos. A letra “K” (quando presente) indica que o módulo faz parte de um kit, com duas ou quatro peças, destinado a uso em uma placa dual-channel, enquanto os últimos dígitos indicam a capacidade do módulos, como em “512”, “1G”, “2G” ou “4G”.

Ao comprar, você deve, naturalmente, dar preferência aos módulos com frequência de operação mais alta e tempos de latência mais baixos, desde que isso não implique em um aumento significativo de preço.

Infelizmente, nos módulos de baixo custo as duas coisas andam juntas, de forma que os módulos com frequências mais altas possuem quase sempre tempos de latência também mais altos, já que é mais fácil aumentar a frequência de operação do módulo do que reduzir o tempo “real” de acesso, representado pelo tempo de latência.

A partir dos módulos DDR2, o tempo de acesso tem um impacto mais direto sobre o desempenho do que a frequência de operação. Isso acontece não apenas por que tempos de acesso mais baixos permitem que o processador inicie as leituras em menos ciclos de clock, mas também por que eles tem uma influência direta sobre a taxa de transferência efetiva do módulo.

Em um módulo com CAS 5 e RAS to CAS delay 5, por exemplo, um acesso a um endereço qualquer do módulo demoraria um total de 10 ciclos. Após este ciclo inicial, o controlador pode realizar um bust de mais 7 leituras (8 no total), onde cada uma demora apenas mais meio ciclo. No final os 8 acessos demorariam 13.5 ciclos, 10 dos quais são referentes ao acesso inicial. Em um módulo com CAS e RAS to CAS delay de 4 tempos, o ciclo inicial demoraria apenas 8 ciclos, o que permitiria realizar as 8 leituras em apenas 11.5 ciclos.


HDs

Assim como no caso dos processadores, o custo dos HDs cresce conforme aumenta a capacidade e o desempenho. Em geral, as lojas possuem algum modelo de baixa capacidade, apenas um pouco mais barato que o seguinte (com 50% a mais, ou o dobro da capacidade) destinado a quem simplesmente quer um HD o mais barato possível, sem ligar para a capacidade ou o desempenho; uma série de HDs com capacidades e preços mais ou menos proporcionais e em seguida um ou dois modelos de grande capacidade, que custam muito mais caro.

Nos dois extremos, você pode encontrar um HD de 40 GB de alguma série antiga por R$ 120 e um de 1 TB por R$ 1800 (por exemplo), duas opções obviamente ruins.

Dentro da faixa intermediária, você poderia encontrar um HD de 160 GB por R$ 200, um de 250 GB por R$ 300 e 400 GB por R$ 460, onde o custo por megabyte é parecido e a escolha depende mais dos detalhes de cada modelo e do volume de dados que você precisa armazenar.

Uma dica geral é que é normalmente mais vantajoso comprar um HD que atenda com uma certa folga as suas necessidades imediatas e deixar para comprar um segundo HD daqui a um ano ou dois, quando precisar de mais espaço do que tentar comprar o maior HD possível. Acontece que o preço por megabyte dos HDs costuma cair pela metade a cada 12 ou 18 meses, se forma que você pode comprar (por exemplo) um HD de 250 GB hoje e um HD de 750 GB daqui a um ano pagando menos do que pagaria inicialmente por um único HD de 750 GB. Se você só vai precisar de 750 GB de espaço daqui a um ano, não existe por que pagar por eles agora. Deixe os preços caírem. Lembre-se de que o tempo está a seu favor.

Em seguida temos a questão do desempenho. Não é difícil encontrar benchmarks comparando o desempenho de diversos modelos em diversas aplicações. Um bom lugar para pesquisar sobre as taxas de leitura (e outros índices) de diversos modelos é a tabela do Storage Review, disponível no: http://www.storagereview.com/comparison.html. Outra tabela recomendada é a disponível no TomsHardware: http://www23.tomshardware.com/storage.html.

Um HD mais rápido ajuda sobretudo no carregamento de programas pesados e arquivos grandes e também reduz o tempo de carregamento dos games. O tempo de boot também está diretamente relacionado ao desempenho do HD, mas neste caso o tempo de acesso acaba sendo mais decisivo do que a taxa de leitura sequencial, já que durante o carregamento do sistema são lidos um grande número de arquivos pequenos.

A principal questão sobre o desempenho do HD é que ele nem sempre é tão importante quanto se imagina. Aumentar a quantidade de memória RAM instalada, permitindo que o sistema faça mais cache de disco e reduza o volume de memória virtual usada tem um impacto mais positivo sobre o desempenho do que simplesmente usar um HD mais rápido.

Atualmente, a grande maioria dos HDs destinados ao mercado doméstico são modelos de 7200 RPM. Inicialmente eles eram mais barulhentos, consumiam mais energia e trabalhavam com temperaturas de operação muito mais altas que os de 5400 RPM, o que trazia até mesmo problemas relacionados à durabilidade. Entretanto, com a maturação da tecnologia os HDs de 7200 RPM atuais são muitas vezes mais silenciosos do que os modelos de 5400 RPM e três ou quatro anos atrás. A durabilidade também melhorou, a ponto da Samsung passar a oferecer 3 anos de garantia e a Seagate oferecer 5 anos (nos EUA).

Este da foto, por exemplo, é um Samsung SpinPoint T166, um modelo de 500 GB de 7200 RPM e interface SATA/300. Ele possui 16 MB de buffer, suporte a NCQ, tempo de busca de 8.9 ms e consumo de 7.1 watts quando ocioso e 11.3 watts durante as operações de gravação:

fig4
Seu concorrente direto seria o Seagate Barracuda 7200.10, que também é um modelo de 500 GB, com 3 platters, 7200 RPM, interface SATA/300, suporte NCQ e 16 MB de buffer. As especificações mencionam um tempo de busca de 11 ms, consideravelmente mais alto que o do SpinPoint T166, mas nos benchmarks os dois ficam virtualmente empatados, o que mostra que as especificações não contam a história completa. Uma implementação mais eficiente do NCQ pode compensar um tempo de busca mais alto, por exemplo.

Em Julho de 2007, o Barracuda 7200.10 custa US$ 119 nos EUA e o Samsung custa US$ 109, quase 10% mais barato. Entretanto, a Seagate oferece 5 anos de garantia, contra 3 anos da Samsung, o que acaba equilibrando as coisas.

No Brasil o tempo de garantia pode variar por uma série de fatores. Em primeiro lugar, podem existir diferenças na política do fabricante de acordo com o país, baseado em fatores diversos. Em seguida temos a questão da procedência. HDs vendidos legalmente, com a garantia do fabricante, sempre possuem pelo menos um ano de garantia (na maioria dos casos 2 anos ou mais).

Muitas lojas vendem HDs que entram no país de forma irregular, que não podem ser trocados facilmente. Neste caso a própria loja precisa arcar com o prejuízo dos HDs trocados dentro da garantia e naturalmente vai oferecer uma garantia menor, de apenas 3 ou 6 meses, por exemplo.

Outro problema aqui no Brasil é que os preços variam muito de acordo com o fornecedor e você nem sempre encontra o modelo que procura. Muitas vezes você acaba tendo que comprar o modelo B, por que o fornecedor não tinha o modelo A, ou o estava vendendo por um preço mais alto.

Finalmente, temos a questão dos HDs refurbished (remanufaturados) que são um problema mais grave. Assim como no caso de notebooks, palmtops, celulares, placas mãe e outros dispositivos, os fabricantes de HDs são capazes de recuperar grande parte dos HDs trocados dentro do período de garantia. Estes HDs recuperados são vendidos novamente a um preço mais baixo, já que são basicamente componentes defeituosos, muitas vezes já com algum tempo de uso, que foram reparados e agora estão sendo vendidos novamente.

Grande parte dos produtos de informática vendidos no Brasil vem de um pequeno país que faz fronteira com o estado do Paraná, o que não é segredo apara ninguém. Lojas sediadas lá, como a master10.com e navenet.com divulgam as listas de preço nos sites, o que, mesmo que você não pretenda fazer compras no país vizinho, é um material de pesquisa interessante.

HDs e outros periféricos remanufaturados são marcados nas listas de preços com a sigla “REF” ou simplesmente com a letra “R”, como neste exemplo:

fig5
É interessante consultar as listas de vez em quando, ver as marcas e modelos com maior oferta de modelos refurbished e evitá-los na hora da compra. Em primeiro lugar, o fato de um determinado produto ter uma grande oferta de unidades remanufaturadas não é um bom sinal, já que significa que estão dando defeito e sendo substituídos em grande quantidade. Em segundo lugar, grande parte dos produtos vendidos no Brasil são provenientes justamente destas lojas, de forma que se elas estão vendendo unidades remanufaturadas de um determinado modelo (e mais barato), significa que são justamente elas que estarão em breve à venda em muitas lojas, com a diferença de que raramente vão lhe avisar de que se trata de uma unidade remanufaturada.

Em muitos casos é possível reconhecer HDs remanufaturados verificando os valores do SMART, já que eles terão contagens mais altas de setores remapeados, erros de leitura, horas de uso e ciclos de inicialização. Entretanto isto nem sempre se aplica, pois muitas vezes os dados do SMART são zerados durante o processo de recuperação.

Todos os HDs atuais oferecem suporte ao S.M.A.R.T. Você pode acompanhar o relatório através de programas como o HDTune (http://www.hdtune.com/) e o SmartExplorer (http://adenix.net/downloads.php), ambos freeware, ou o smartmontools (http://smartmontools.sourceforge.net/), no Linux.

Normalmente os fabricantes incluem indicativos nos HDs remanufaturados. A Seagate utiliza uma etiqueta de identificação específica, onde a borda é verde e é incluída a frase “Certified Repaired HDD” logo abaixo do logo da empresa:

fig6
Temos em seguida a questão do RAID. A maioria das placas atuais oferece suporte a RAID nas portas SATA, de forma que você acaba não precisando gastar nada a mais do que o próprio custo dos HDs. Você pode melhorar o desempenho adicionando um segundo HD e criando um sistema RAID 0. O problema é que com isso você reduz a confiabilidade geral, já que a falha de um dos dois HDs faz com que todos os dados sejam perdidos.

Se você não armazena um grande volume de dados, usa o micro só pra jogos por exemplo, a idéia pode ser interessante, já que neste caso o desempenho é mais importante que a confiabilidade. O problema é que neste caso você provavelmente também não vai precisar de muito espaço de armazenamento, de forma que comprar um segundo HD acaba sendo um desperdício. Comprar dois HDs antigos, de baixa capacidade, também não é uma opção tão boa, pois o desempenho “por cabeça” será muito inferior ao de um HD atual, de forma que mesmo juntos, os dois poderão oferecer um desempenho similar, ou até mesmo inferior.

Outro segredo sobre o RAID 0 é que embora a taxa de transferência melhore, já que os dados são espalhados pelos dois HDs e lidos simultaneamente, o tempo de acesso piora, pois além do tempo necessário para realizar a leitura nos dois HDs, temos mais um pequeno tempo perdido pela controladora, que precisa juntar os fragmentos, antes de entregar o arquivo. Isso faz com que o ganho na prática varie muito de acordo com o aplicativos usado, sendo maior em aplicativos privilegiam a taxa de transferência e menor em aplicativos que manipulam arquivos pequenos e dependem predominantemente do tempo de acesso.

Quem trabalha com edição de vídeos e imagens geralmente precisa de muito espaço de armazenamento e um melhor desempenho de acesso a disco também é muito bem vindo. Entretanto, a questão da confiabilidade também é importante, de forma que o RAID 0 não seria uma boa opção. Existe a possibilidade de criar um sistema RAID 10, onde adicionamos mais dois discos que armazenam uma cópia completa dos dados. O problema é que neste caso precisamos de 4 discos ao invés de dois, o que dobra o custo.

Como pode ver, o RAID pode ser interessante em algumas áreas, sobretudo quando você já tem os HDs, mas ele não é uma solução para todos os problemas.

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