Lançado em 22 de outubro de 2009, o Windows 7 é, até hoje, uma das versões mais emblemáticas da história da Microsoft, e talvez a mais amada, dividindo esse sentimento com o Windows XP. Chegou para apagar a má fama que o Windows Vista deixou, e foi um estrondo de vendas: em menos de um ano, ultrapassou a marca de 630 milhões de cópias. Mesmo após o encerramento do suporte gratuito estendido, em 14 de janeiro de 2020, continuou resistindo nas estatísticas, em fevereiro de 2026, o StatCounter ainda registrava sua presença em 0,66% dos desktops com Windows no mundo.
Mas o que muita gente não sabe é que o Windows 7 carrega histórias que vão além dos números de venda. O codinome que todo mundo atribui a ele nunca existiu de verdade. O nome “Windows 7” nasceu da forma mais simples possível, e quase não virou nome comercial, e o beta derrubou os servidores da Microsoft antes mesmo do lançamento oficial. Neste artigo, você vai conhecer as curiosidades reais por trás de um dos softwares mais icônicos da história da computação.
O codinome que nunca existiu
Tem uma história que circula na internet desde os anos 2000 e que, de tão repetida, virou verdade para muita gente: o Windows 7 teria sido desenvolvido sob o codinome Blackcomb. Não é verdade. O próprio Raymond Chen, engenheiro da Microsoft desde 1992 e um dos desenvolvedores mais longevos da história do Windows, derrubou esse boato em julho de 2019 em seu blog The Old New Thing: “O codinome de desenvolvimento do Windows 7 era Windows 7.”
A confusão tem origem na própria história conturbada da plataforma. O Windows XP foi desenvolvido com o codinome Whistler, nome de uma montanha na Colúmbia Britânica, no Canadá, que dá nome também à cidade ao redor. Blackcomb é outra montanha no mesmo maciço. Os dois nomes foram usados juntos para designar duas gerações futuras do Windows: o XP seria o Whistler, e o Windows seguinte seria o Blackcomb.
O bar que deu nome ao projeto do Windows Vista
Entre as montanhas Whistler e Blackcomb existe um bar chamado Longhorn Saloon & Grill. Esse nome virou o codinome de desenvolvimento de um sistema que deveria ser apenas uma versão de transição entre o XP e o grande Blackcomb. Virou o Windows Vista. Mas tinha um problema: à medida que o desenvolvimento avançava, tantas funcionalidades foram empilhadas no Longhorn/Vista que o projeto entrou em colapso, e o Blackcomb, que esperava na fila, absorveu ainda mais listas de desejo da equipe.
O resultado foi que o Blackcomb ficou grande demais para existir. Foi descartado. No lugar, surgiu um projeto novo, batizado internamente de Windows 7, porque o número de versão interna do Vista era 6, e somar 1 é a operação mais simples do mundo. O nome de desenvolvimento virou nome comercial porque o marketing da Microsoft simplesmente decidiu que fazia sentido. Mike Nash, vice-presidente de Windows na época do lançamento, resumiu: “essa é a sétima versão do Windows, ou seja, isso faz sentido.”.
O Longhorn Saloon continua funcionando todos os dias das 7h às 1h da manhã, e atri muitos visitantes por seus famosos nachos.
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O beta que causou um estrondo
Steve Ballmer anunciou o Windows 7 na CES 2009, em Las Vegas, em 7 de janeiro daquele ano, e o beta estaria disponível para o público em geral na sexta seguinte. Assinantes de MSDN e TechNet poderiam baixar dois dias antes. A Microsoft planejou um teto de 2,5 milhões de downloads antes de encerrar a fila.
A fila não respeitou o teto. Nos primeiros dias, a versão beta foi baixada por mais de 2,5 milhões de pessoas, os servidores da Microsoft não aguentaram, e a própria empresa confirmou o congestionamento. Um porta-voz disse na época: “havia uma fila de gente esperando online quando foi lançado.” (Para contextualizar: o Vista, lançado dois anos antes, não tinha gerado nem de perto esse nível de interesse antecipado.)
Em 5 de maio de 2009 chegou o Release Candidate (RC), válido para uso até 1º de junho de 2010. Em 23 de julho veio o RTM (Release to Manufacturing), liberado apenas para parceiros. E em 22 de outubro de 2009, o Windows 7 chegou ao varejo.
234% acima do Vista na primeira semana
Os dados de lançamento não deixaram dúvida. Segundo o NPD Group, as vendas de cópias avulsas do Windows 7 nas primeiras semanas nos EUA foram 234% maiores do que as do Vista em seu lançamento equivalente. A receita gerada foi 83% superior à do Vista no mesmo período. Em um ano, 240 milhões de licenças tinham sido vendidas, suficiente para a Microsoft declarar o Windows 7 o sistema operacional mais vendido da história.
Em 18 meses, o número chegou a 350 milhões. O Vista, para referência, tinha vendido 180 milhões de licenças em seu próprio período de 18 meses, menos da metade. Menos de um ano após o lançamento, 630 milhões de licenças já tinham saído.
Seis edições, preços para todos os bolsos, e uma versão que escondia recursos
O Windows 7 chegou ao mercado em seis configurações distintas. O Starter foi pensado para netbooks e só existia na licença OEM. O Home Basic era exclusivo de países em desenvolvimento. O Home Premium era a versão padrão para o resto do mundo, já o Professional substituiu a linha Advanced and Business. O Enterprise era uma versão reforçada do Professional, com proteção TPM, disponível apenas via contrato de licença por volume. O Ultimate tinha exatamente as mesmas funções do Enterprise, mas podia ser comprado por qualquer pessoa.
No Brasil, os preços iam de R$ 329 pelo Home Basic até R$ 669 pelo Ultimate. Todas as edições, exceto o Starter, estavam disponíveis em 32 e 64 bits.
Em alguns países, a Microsoft distribuiu versões “N” do Windows 7, sem o Windows Media Center e sem outros recursos de mídia. Essas versões surgiram por exigência regulatória da União Europeia, que interpretou o empacotamento do Media Player junto ao sistema operacional como prática anticompetitiva. Portanto, o Windows 7 “completo” que chegou a boa parte do mundo era, em território europeu, deliberadamente incompleto.
Conseguiram rodar Hollow Knight: Silksong no Windows 7
Homem roda Steam no Windows 7 e consegue jogar Hollow Knight: Silksong
Em setembro de 2025, um usuário conseguiu rodar o Hollow Knight: Silksong no Windows 7. O feito envolveu uma cascata de gambiarras: como a Valve encerrou o suporte ao Steam para Windows 7 em 1º de janeiro de 2024, a saída foi baixar o jogo em uma máquina moderna e copiar a pasta inteira para o sistema antigo. Depois vieram DLLs ausentes, patches de runtime e extensões de kernel instaladas manualmente. Com tudo no lugar, o jogo inicializou, e passou até dos primeiros chefes, rodando pela GPU integrada.
O Silksong ajudou: desenvolvido em Unity e sendo um título 2D com requisitos modestos, ele tolera backends mais antigos de DirectX e OpenGL, o que reduz a quantidade de infraestrutura moderna que precisa estar presente.
Windows 7 compactado em 69 MB
Desenvolvedor cria versão compacta do Windows 7 que ocupa apenas 69MB
Em outubro de 2025, o desenvolvedor e entusiasta de Windows conhecido como Xeno publicou algo difícil de acreditar: uma versão funcional do Windows 7 compactada em apenas 69 MB. Xeno removeu tudo que não fosse estritamente necessário para o sistema inicializar, e o resultado foi um build que consegue bootar, abre o Gerenciador de Tarefas e pouco mais.
O projeto, batizado de SlimWin7, foi disponibilizado publicamente no Archive.org. Não é um sistema para uso real, faltam drivers, interface gráfica completa e praticamente qualquer aplicativo. Mas a façanha tem um valor técnico genuíno: mostra qual é o núcleo mínimo que o Windows 7 precisa para existir.
A lenda ainda sobrevive
O fim do suporte gratuito estendido aconteceu em 14 de janeiro de 2020. Mais de seis anos depois, o Windows 7 ainda aparece nas estatísticas. Em maio de 2026, o StatCounter registrou 1,61% de participação entre sistemas Windows para desktop no mundo, o número mais alto do ano, depois de ter chegado a 0,61% em fevereiro. Os dados oscilam mês a mês, mas nunca chegaram a zero.
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