De acordo com o levantamento, os CIOs esperam que, em 2030, nenhuma atividade de TI seja executada somente por humanos, sem apoio de IA. A previsão é de que cerca de 75% das tarefas sejam realizadas por profissionais auxiliados por Inteligência Artificial, enquanto aproximadamente 25% do trabalho ficará totalmente a cargo de sistemas automatizados.
O cenário projeta uma transformação estrutural na rotina das áreas de tecnologia, com a IA assumindo a maior parte do esforço operacional e repetitivo. Aos humanos caberá cada vez mais a função de desenho, supervisão e governança desses sistemas, em vez da execução manual de todas as etapas.
Gargalo está mais nas pessoas do que na tecnologia, diz Gartner
Para o Gartner, o principal desafio não é apenas a maturidade técnica da IA, mas a capacidade das organizações e das equipes de capturar o real valor desses recursos. A consultoria diferencia “prontidão para IA” – quando a tecnologia está apta a gerar valor em casos de uso específicos – de “prontidão humana”, que envolve cultura, competências e estrutura organizacional para usar essa IA de forma produtiva.
Analistas do instituto alertam que muitas empresas já investem pesado em ferramentas de IA, mas não avançam no mesmo ritmo em treinamento, mudança de processos e revisão de papéis dentro dos times. O resultado, segundo o Gartner, é um risco crescente de desperdício de recursos e de frustração com projetos que não entregam o retorno esperado.
Impacto da IA em empregos será neutro até 2026, com saldo positivo depois
A posição do Gartner é que o efeito da Inteligência Artificial sobre o total de empregos será neutro até 2026, com tendência de se tornar positivo a partir de 2028. A projeção indica que, nesse horizonte, a IA deverá criar mais postos de trabalho do que eliminar, em especial em funções ligadas à orquestração, supervisão e integração de sistemas inteligentes.
A consultoria destaca que a discussão não deve ser tratada como um cenário de “perda em massa de vagas”, mas como uma profunda transformação da força de trabalho. CIOs são orientados a restringir novas contratações em funções de baixa complexidade e a reposicionar talentos para áreas de inovação, geração de receita e diferenciação competitiva.
Habilidades tradicionais perdem espaço; IA exige novo tipo de competência
Segundo o Gartner, a evolução da Inteligência Artificial tende a reduzir a importância de algumas habilidades hoje consideradas centrais na TI, como tarefas de resumo, recuperação de informação e tradução. Essas atividades já estão entre as mais facilmente automatizáveis por modelos de IA, tanto em texto quanto em código.
Por outro lado, surgem novas competências associadas ao uso estratégico da IA, como formular problemas com precisão, combinar diferentes agentes inteligentes em um mesmo fluxo de trabalho e avaliar criticamente respostas automatizadas. De acordo com especialistas da consultoria, essas habilidades têm menos relação com “fazer uma tarefa mais rápido” e mais com tornar o profissional um decisor, comunicador e líder melhor em um ambiente mediado por algoritmos.
Gartner alerta para risco de atrofia de competências humanas
Um dos alertas do Gartner diz respeito à possível atrofia de habilidades humanas em cenários de dependência excessiva da IA. Quando tarefas críticas passam a ser delegadas quase integralmente à máquina, existe o risco de que profissionais percam gradualmente a capacidade de desempenhá-las sem auxílio automatizado.
Para reduzir esse risco, a consultoria recomenda que organizações incluam em seus planos de desenvolvimento avaliações periódicas de competências essenciais. A ideia é garantir que habilidades-chave – técnicas e cognitivas – continuem ativas, mesmo com o uso intensivo de IA no dia a dia.
Prontidão para IA: custos, tecnologia e fornecedores entram na conta
O Gartner propõe que a prontidão para IA seja analisada em três eixos principais: custos, recursos técnicos disponíveis e escolha de fornecedores. Em regiões como Europa, Oriente Médio e África, 73% dos CIOs afirmam que suas organizações estão apenas empatando ou até perdendo dinheiro com investimentos em projetos de Inteligência Artificial, o que evidencia a pressão por resultados concretos.
Além dos gastos diretos com ferramentas, a consultoria destaca a presença de múltiplos custos ocultos, ligados a treinamento, transição de processos, integração e gestão de mudança. Na frente técnica, tecnologias de busca, geração e resumo de conteúdo e código são apontadas como mais maduras, enquanto soluções que exigem alta precisão e agentes de IA mais avançados ainda pedem fases de teste e pilotos mais controlados.
Avanço dos agentes de IA muda debate sobre governança
A pesquisa também chama atenção para a evolução dos agentes de IA, que vão além do chatbot conversacional e passam a atuar em tomada de decisão e execução de ações em sistemas de negócio. Para o Gartner, o foco das empresas deve migrar de assistentes genéricos para agentes especializados, treinados em contextos específicos, como saúde, finanças ou suporte técnico.
Esse movimento amplia a discussão sobre governança, auditoria e responsabilidade, já que esses agentes passam a operar como “colegas virtuais” com impacto direto em operações críticas. A recomendação é que projetos com esse perfil sejam acompanhados de métricas claras de risco, controles de supervisão humana e critérios objetivos de sucesso.
Escolha de fornecedor é também decisão de soberania de IA
O Gartner enfatiza que a definição de fornecedores de IA envolve decisões de soberania tecnológica, incluindo onde os dados são processados, quem controla a infraestrutura e o grau de dependência do ecossistema. A consultoria aponta três grupos principais: hiperescaladores, capazes de sustentar implementações massivas; startups especializadas em nichos e casos de uso específicos; e empresas focadas em pesquisa e desenvolvimento, com alta capacidade de inovação, mas menor escala.
Gartner vê “ondas de choque” da IA em vários setores
Na avaliação do Gartner, a IA tende a gerar “ondas de choque” capazes de redesenhar setores inteiros, como saúde, serviços financeiros e indústria. A consultoria cita cenários em que hospitais se tornam centros altamente automatizados de tratamento e empresas passam a operar com forças de trabalho cada vez mais autônomas, apoiadas por agentes inteligentes.