O Google está testando um novo modelo para remunerar sites e publishers quando seus conteúdos ajudam a produzir respostas geradas por inteligência artificial. Cerca de 100 veículos já estariam participando do programa, segundo informações publicadas pelo The Information, via The Verge.
O projeto envolve conteúdos utilizados em serviços como AI Overviews, AI Mode e Gemini. Diferentemente do funcionamento tradicional da Busca, no qual sites recebem tráfego quando usuários clicam nos resultados, o novo sistema prevê pagamentos quando o Google considera que determinado conteúdo teve uma contribuição significativa para uma resposta produzida pela IA.
Os valores podem variar bastante. De acordo com o The Information, um publisher que participa do programa desde seus primeiros meses teria recebido mais de US$ 1 milhão ao longo de um ano. Outro, incluído mais recentemente no piloto, teria acumulado aproximadamente US$ 50 mil a US$ 60 mil em poucos meses.
Pagamentos aparecem dentro do Search Console
O programa já havia sido revelado pelo Digiday em setembro. Segundo o veículo, publishers selecionados recebem uma nova área chamada “AI Contribution” dentro do Google Search Console, onde é possível visualizar os ganhos mensais provenientes do uso de seus conteúdos nas ferramentas de IA. O cálculo, porém, ainda é pouco transparente. O Google não detalha quanto vale cada artigo nem exatamente como determina se um conteúdo contribuiu o suficiente para gerar um pagamento.
Fontes ouvidas pelo Digiday descreveram o sistema como uma espécie de “caixa-preta”, já que os participantes conseguem visualizar o valor acumulado, mas não recebem informações detalhadas sobre quais páginas foram responsáveis pelos pagamentos ou quanto cada utilização valeu.
A empresa confirmou ao veículo que o projeto é um piloto em estágio inicial destinado a estudar novas maneiras de recompensar conteúdo de qualidade que ajuda a manter respostas de IA atualizadas e precisas. Os participantes também podem abandonar o programa.
Pressão de publishers e reguladores aumenta
No Reino Unido, a Competition and Markets Authority (CMA) determinou em 3 de junho de 2026 que o Google ofereça aos publishers controles efetivos sobre o uso de seus conteúdos em recursos de IA generativa da Busca. A medida permite, entre outras coisas, impedir que esses materiais sejam usados para alimentar recursos como o AI Overviews e também estabelece exigências de transparência, atribuição e métricas sobre o uso dos conteúdos.
Na União Europeia, uma investigação antitruste aberta em dezembro de 2025 analisa justamente se o Google utiliza conteúdo de publishers no AI Overviews e AI Mode sem remuneração adequada e sem oferecer uma maneira efetiva de recusar esse uso sem perder presença na Busca tradicional. Por enquanto, o AI Contribution continua sendo um experimento restrito e não existe indicação de que o Google pretende disponibilizar o sistema para todos os sites.
Ainda assim, o programa representa uma mudança importante na relação da companhia com publishers: em vez de defender apenas que a presença na Busca é compensada pelo tráfego enviado aos sites, o Google passa a testar diretamente um modelo no qual o conteúdo que alimenta respostas de IA também pode gerar receita para quem o produziu.
Fonte: The Verge
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