A Apple é conhecida por aquisições estratégicas que moldaram seu ecossistema, como a compra da Beats em 2014, que deu origem ao Apple Music, ou a aquisição do Shazam em 2018, que hoje está integrada ao iOS para reconhecimento de músicas. Mas novos relatos revelam que duas das maiores oportunidades da história da empresa foram descartadas: Tesla e Netflix.
Segundo uma investigação do The Information, Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple e uma das figuras mais influentes da empresa, chegou a defender essas aquisições em diversas reuniões internas. A resposta de Tim Cook, no entanto, foi sempre a mesma: um “não” categórico.
Eddy Cue queria Tesla e Netflix no portfólio da Apple
Com reputação de ser o “arquiteto” de grandes acordos em Cupertino, Cue sempre enxergou nas compras estratégicas uma forma de preencher lacunas nos produtos e serviços da Apple. Foi assim que conseguiu convencer Cook a gastar US$ 3 bilhões na Beats — a maior aquisição da história da empresa até então.
Mas quando se tratou de Tesla e Netflix, Cook não cedeu. Pessoas próximas ao executivo relatam que, mesmo em momentos de pressão, como durante as dificuldades do Model 3, a posição da Apple foi clara: não entrar no negócio.
O capítulo Tesla: proposta rejeitada
As conversas entre Apple e Tesla já haviam sido reveladas em 2020 pelo New York Times. Elon Musk afirmou que chegou a oferecer a venda da Tesla para a Apple durante a crise do Model 3, mas Cook sequer aceitou uma reunião.
Há versões conflitantes sobre o episódio. O Wall Street Journal relatou que Cook teria cogitado a compra, mas Musk teria colocado uma condição impossível: assumir o cargo de CEO da Apple. Ambos negaram publicamente esse cenário, mas o fato é que a negociação nunca avançou.
Netflix: a aquisição que nunca saiu do papel
O interesse de Apple por Netflix circula há anos no mercado, mas sem registros de conversas formais. Ainda assim, especialistas apontam que uma eventual compra teria mudado completamente a disputa pelo streaming, colocando a Apple em posição de liderança contra Amazon Prime Video e Disney+.
Em vez disso, a Apple apostou no desenvolvimento interno do Apple TV+, lançado em 2019, que até hoje luta para conquistar espaço em um mercado dominado por gigantes consolidados.
Do passado ao futuro: agora, o foco é IA
Hoje, Eddy Cue continua defendendo aquisições estratégicas. Mas a prioridade mudou: inteligência artificial. Relatos apontam que startups como Perplexity e Mistral estão no radar da Apple.
O histórico mostra que, quando a Apple decide abrir a carteira, é para expandir sua base de usuários ou fortalecer um serviço essencial — como no caso do Shazam, comprado em 2018 por US$ 400 milhões após cálculos mostrarem que a Apple gastava mais em publicidade do que custaria adquirir a empresa.
Fica a pergunta: se Cook tivesse dito “sim” para Tesla ou Netflix, será que hoje a Apple seria não só a empresa mais valiosa do mundo, mas também dona do carro elétrico mais popular e da maior plataforma de streaming?
