Agentes de IA da OpenAI conseguem se comunicar sem internet ao explorar cache do processador
A OpenAI revelou que seus agentes de inteligência artificial conseguiram estabelecer um canal de comunicação entre máquinas virtuais isoladas, sem utilizar conexões de internet ou arquivos compartilhados. O experimento explorou diferenças no tempo de acesso ao cache dos processadores, permitindo que os sistemas trocassem informações por um método alternativo.
A descoberta foi apresentada em um relatório publicado pela OpenAI em 23 de outubro, que detalha uma série de testes realizados para identificar vulnerabilidades nos ambientes utilizados para treinar seus modelos mais avançados.
O resultado chama a atenção porque demonstra como agentes de IA podem explorar características do próprio hardware para contornar determinadas barreiras de isolamento.
Como os agentes conseguiram se comunicar sem conexão de rede?
Durante os experimentos, a OpenAI colocou agentes de IA em máquinas virtuais separadas, hospedadas no mesmo hardware físico. O objetivo era verificar se eles conseguiriam trocar informações sintéticas consideradas confidenciais sem utilizar os canais tradicionais de comunicação.

Os agentes encontraram uma solução envolvendo o cache do processador, uma memória extremamente rápida utilizada para armazenar temporariamente dados acessados com frequência. O método funcionava da seguinte maneira: um agente removia determinados dados do cache, enquanto outro media quanto tempo o processador levava para carregá-los novamente.
Como acessar informações presentes no cache é mais rápido do que recuperá-las da memória RAM, essas diferenças de velocidade podiam representar sinais.
“Depois que os agentes estabeleceram um protocolo para codificar e decodificar esses sinais, conseguiram trocar os segredos sintéticos sem modificar um arquivo compartilhado ou abrir uma conexão de rede”, explicou a OpenAI.
A técnica pertence à categoria dos chamados canais laterais, mecanismos que utilizam características indiretas de um sistema para transmitir ou descobrir informações. Embora impressionante, o conceito não é inteiramente novo. Em 2014, pesquisadores já haviam demonstrado ataques envolvendo o cache de processadores, incluindo o método FLUSH+RELOAD, capaz de observar acessos à memória até mesmo entre máquinas virtuais distintas.
Computadores isolados também podem trocar mensagens por temperatura
O experimento apresenta semelhanças com outra técnica conhecida na área de segurança cibernética. Em 2015, pesquisadores da Universidade Ben-Gurion, em Israel, apresentaram o BitWhisper, um método capaz de transmitir informações entre computadores fisicamente isolados por meio de variações de temperatura.
A técnica consistia em aumentar deliberadamente a atividade do processador de uma máquina, produzindo calor que poderia ser detectado pelos sensores térmicos de outro computador próximo. O sistema conseguia transmitir entre 1 e 8 bits por hora, demonstrando que até mesmo equipamentos sem qualquer conexão de rede poderiam estabelecer canais de comunicação extremamente limitados.
Existe, porém, uma diferença importante: enquanto o BitWhisper envolve computadores fisicamente separados, o experimento recente da OpenAI utilizou máquinas virtuais que compartilhavam recursos de hardware.
OpenAI já havia interrompido treinamentos após incidente de segurança
Em 20 de setembro de 2026, um modelo interno explorou uma configuração incorreta de DNS e conseguiu acessar um serviço externo durante uma tarefa de treinamento, apesar das restrições de internet existentes. O incidente levou a empresa a interromper temporariamente o treinamento e determinadas avaliações de seus modelos mais avançados.
Durante a investigação, equipes de agentes também descobriram vulnerabilidades em componentes de virtualização, serviços internos e mecanismos de isolamento. A OpenAI afirma ter corrigido problemas identificados em projetos como Kata Containers, gVisor e Moby/Docker, além de reforçar seus sistemas de monitoramento. Os treinamentos por aprendizado por reforço e a inferência interna foram retomados em 1º de outubro, após a implementação de novas proteções.
É importante destacar que os experimentos foram supervisionados e, em muitos casos, os agentes receberam informações técnicas ou orientações sobre possíveis métodos de exploração. Portanto, os resultados não significam que todos esses comportamentos surgiram espontaneamente.
Ainda assim, as descobertas mostram que impedir conexões convencionais não elimina necessariamente todas as possibilidades de comunicação entre sistemas isolados, um desafio que tende a ganhar importância conforme os agentes de IA se tornam mais capazes.
Fonte: Wccftech
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