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Críticas ao fim dos discos de PS5 vêm de uma “minoria valiosa”, afirma analista

Especialista aponta que consumidores de mídia física representam uma parcela menor do mercado

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A decisão da Sony de encerrar a produção de jogos em mídia física para PS5 e os futuros consoles PlayStation continua provocando discussões na indústria. Embora a mudança tenha recebido críticas de jogadores e desenvolvedores, o analista Rhys Elliott, da Alinea Analytics, acredita que a reação negativa parte principalmente de uma “minoria valiosa” que gasta muito dinheiro.

Em uma análise publicada em 20 de outubro, Elliott examinou estimativas de vendas de alguns dos maiores lançamentos de 2026 para entender por que a Sony decidiu abandonar os discos, mesmo sabendo que a medida desagradaria parte de seu público.

A conclusão é que, embora os jogos digitais dominem comercialmente, os consumidores de mídia física continuam sendo especialmente importantes para determinadas franquias e para o ecossistema PlayStation.

Jogos single-player ainda vendem milhões de cópias físicas

Segundo os levantamentos da Alinea Analytics, Resident Evil Requiem comercializou aproximadamente 1,3 milhão de cópias físicas no PlayStation, gerando mais de US$ 92 milhões. Isso representa 30,2% da receita do jogo na plataforma. Marvel’s Wolverine também apresenta números expressivos. Das aproximadamente 2,6 milhões de unidades vendidas, quase 800 mil foram em disco, responsáveis por 32,3% da receita.

Outros títulos apresentam participações ainda maiores. Em Pragmata, as cópias físicas representam 44% das unidades comercializadas, enquanto Onimusha: The Way of the Sword registra 44,1%. A situação muda consideravelmente entre os jogos esportivos. Apenas 8,9% da receita de EA Sports FC 27 no PlayStation veio de vendas físicas. Madden NFL 27 e MLB The Show 26 registraram índices de 6,9% e 7,6%, respectivamente.

Segundo Elliott, os dados mostram que a mídia física continua especialmente relevante para grandes jogos single-player, enquanto títulos esportivos e jogos como serviço já concentram a maior parte de suas vendas no formato digital. Os números apresentados pela Alinea são estimativas independentes, e não dados oficiais de vendas divulgados pelas editoras.

Sony tem motivos financeiros para abandonar os discos

Segundo o relatório financeiro da Sony, 78% das unidades de jogos completos vendidas para PS4 e PS5 durante o ano fiscal encerrado em março de 2026 foram digitais. No trimestre seguinte, essa participação chegou a 82%. Além da demanda, existe uma vantagem financeira. A distribuição digital reduz gastos com fabricação, transporte e participação de varejistas, enquanto a PlayStation Store permite à Sony manter maior controle sobre a comercialização dos jogos.

Outro fator é o mercado de usados. Diferentemente das cópias físicas, que podem ser revendidas entre consumidores, as compras digitais não oferecem a mesma possibilidade de transferência. Apesar disso, Elliott considera arriscado desagradar justamente os fãs que costumam comprar jogos no lançamento, adquirir edições especiais e permanecer envolvidos com suas franquias favoritas.

Para o analista, a reação vem de uma minoria dentro de um segmento minoritário da receita, mas essa mesma comunidade gasta muito dinheiro no PlayStation. Ele acredita que alguns consumidores poderão abandonar a plataforma, embora a maioria provavelmente migre para as compras digitais. O problema, em sua avaliação, está principalmente na comunicação da Sony e na ausência de uma transição que contemple melhor os colecionadores.

O fim dos discos já tem data marcada

Em julho de 2026, a Sony confirmou que deixará de produzir discos de novos jogos para consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. A medida não afetará títulos lançados em mídia física antes desse prazo. A decisão também dividiu figuras importantes da indústria. Em entrevista ao VGC, Ken Kutaragi, considerado o pai do PlayStation, reconheceu a insatisfação dos fãs, mas afirmou que manter a distribuição física deixou de fazer sentido economicamente.

Por outro lado, Piotr Babieno, CEO da Bloober Team, defendeu a importância emocional das coleções físicas e manifestou interesse em continuar oferecendo esse formato enquanto for possível.

O debate, portanto, vai além das vendas. Embora a migração digital possa aumentar a rentabilidade da Sony, também levanta preocupações sobre revenda, preservação de jogos e liberdade de escolha dos consumidores.

Fonte: GamesRadar

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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