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Startup investe US$ 200 milhões em cães geneticamente modificados com tecnologia militar

Warhound quer desenvolver cães mais ágeis, saudáveis e com olfato aprimorado para missões militares.

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A Warhound é a mais nova startup a surgir na interseção entre defesa e biotecnologia, e o conceito vai além de qualquer coisa que o mercado de tecnologia militar produziu nos últimos anos: editar geneticamente cães de trabalho e equipá-los com hardware de combate da Anduril. Lançada com US$ 200 milhões em investimentos, a empresa com sede no Texas foi concebida por Palmer Luckey, fundador da Anduril, em parceria com Ben Lamm, cofundador da Colossal Biosciences, a empresa conhecida por seu trabalho em desextinção de animais.

O problema que a Warhound quer resolver

A justificativa operacional para a existência da Warhound está em um número que a indústria de defesa americana preferia não tornar público: atualmente, 80% dos cães militares utilizados pelas forças dos EUA são adquiridos na Europa. O pipeline de aquisição e treinamento leva cerca de três anos, e menos da metade dos animais importados é considerada apta para serviço ao fim do processo. Para um país que gasta trilhões em soberania tecnológica, depender de outro continente para fornecer o elo mais crítico de certas operações de campo é uma vulnerabilidade estratégica que a startup promete endereçar.

A solução proposta combina duas frentes. A primeira é biológica: usar o acervo de pesquisa da Colossal em genética, clonagem e biologia animal para produzir cães com características mais adequadas a missões de alto risco. Em declaração ao TechCrunch, Lamm detalhou o escopo da edição genética planejada: eliminar predisposições a problemas como má visão e câncer, e introduzir genes que melhorem desempenho físico, como velocidade e agilidade, além de aprimorar os sensores olfativos dos animais para detecção de explosivos. As raças de alto desempenho Belgian Malinois e German Shepherd servem como ponto de partida dos estudos, mas o objetivo declarado da empresa é criar “um novo tipo de cão”.

Cão pastor alemão com óculos de proteção e colete tático com a inscrição "K9 UNIT", em um cenário desértico com formações rochosas ao fundo

Anduril trará melhorias cibernéticas

A segunda frente é tecnológica. Uma vez produzidos, esses animais serão equipados com o que a Warhound chama de melhorias cibernéticas da Anduril, que incluem proteção para olhos e ouvidos e a tecnologia EagleEye da própria Anduril, desenvolvida para oferecer maior consciência situacional tanto ao cão quanto ao seu operador humano em campo. A ideia não é nova, mas o nível de integração proposto aqui é inédito em escala comercial e com esse nível de capitalização.

A destinação dos animais cobre três frentes: forças militares de elite dos EUA, equipes de resposta de emergência e agências de segurança pública. A American Humane Society foi anunciada como parceira para guiar a empresa e certificar seus programas de treinamento. O cargo de CEO ficou com David Spirk, veterano da Marinha e especialista em inteligência, que resumiu o objetivo da startup de forma direta: “cães mais saudáveis, equipes mais preparadas e mais militares e socorristas voltando para casa com segurança”.

Futuro incerto para a aposta

Os cães geneticamente modificados descritos pela Warhound ainda não existem. Toda a proposta de valor da empresa está condicionada à execução de pesquisas que, por definição, levam anos e enfrentam incertezas regulatórias e éticas consideráveis. Mas o que o lançamento da Warhound já prova, independente de qualquer resultado futuro, é que o complexo industrial de defesa americano está de olho na biologia como próxima fronteira de vantagem operacional e que há capital de risco disposto a financiar essa aposta.

Fonte: The Verge

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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