Uso de IA no Brasil supera EUA: 62% já adotaram a tecnologia

62% dos brasileiros usam IA, contra apenas 35% nos EUA. Praticidade e novas oportunidades são os principais atrativos.

O uso de IA no Brasil atingiu níveis surpreendentes, superando significativamente mercados como Estados Unidos e Europa, revela novo estudo da consultoria Bain & Company. Enquanto apenas 35% dos consumidores americanos e europeus declaram utilizar inteligência artificial, no território brasileiro esse número chega a impressionantes 62% – quase o dobro da taxa internacional.

A pesquisa mostra que os brasileiros adotaram a tecnologia principalmente por questões práticas. Para 64% dos entrevistados, a IA facilita tarefas cotidianas, enquanto 55% acreditam que ela pode gerar novas oportunidades profissionais. O otimismo também se reflete na percepção de risco: 49% dos usuários no Brasil consideram que os benefícios da tecnologia superam suas potenciais ameaças.

“A IA generativa tem potencial para transformar a experiência do cliente e otimizar operações no varejo, mas o sucesso depende de uma estratégia de dados bem definida”, explica Lucas Brossi, sócio da Bain e líder da prática de Inteligência Artificial na América do Sul.

Outro dado revelador é que 18% dos brasileiros relatam usar ferramentas de IA com frequência, demonstrando uma rápida adaptação à tecnologia que ainda enfrenta resistências em economias mais desenvolvidas.

Pessoa interagindo com notebook e interface holográfica translúcida destacando elementos de inteligência artificial
Uso de IA no Brasil supera EUA: 62% já adotaram a tecnologia 3

Perfis e comportamentos dos usuários brasileiros

O estudo identificou dois grupos principais entre os usuários ativos de IA no país. Os “entusiastas”, que representam 19% do total, utilizam a tecnologia várias vezes por semana, focando em ganhos de produtividade, solução de problemas e apoio em tarefas como redação e pesquisa. Já os “usuários ocasionais”, cerca de 12% dos consumidores, recorrem à IA principalmente para aprendizado ou entretenimento.

Brossi destaca uma correlação interessante: “Observamos uma relação direta entre os entusiastas e o uso de dispositivos com IA incorporada, como óculos, pingentes e anéis. Nos Estados Unidos, apenas 5% dos adultos utilizavam wearables inteligentes no fim de 2024, mas projetamos que esse número pode quadruplicar até o final de 2025“.

Mãos abertas segurando holografia azul com elementos digitais e circuito em formato de AI
Uso de IA no Brasil supera EUA: 62% já adotaram a tecnologia 4

Entre os casos de uso mais comuns citados pelos brasileiros estão: pesquisar e resumir informações, assistência na escrita, desenvolvimento de conteúdo criativo, edição de imagens e recomendações de compra – funções que integram cada vez mais o cotidiano digital no país.

Um aspecto curioso revelado pela pesquisa é que muitos brasileiros já interagem com IA sem perceber, através de assistentes virtuais, chatbots e corretores automáticos de texto. Aproximadamente 32% dos entrevistados demonstram interesse na tecnologia, mas hesitam por insegurança ou falta de familiaridade.

Barreiras para a adoção total

Apesar do uso de IA no Brasil superar o de países desenvolvidos, a pesquisa identificou obstáculos significativos que impedem uma adoção ainda maior. A principal barreira é a falta de confiança em compartilhar dados pessoais, preocupação manifestada por 47% dos entrevistados que não utilizam IA.

Outros fatores relevantes incluem o sentimento de despreparo para utilizar a tecnologia (44% dos não-usuários) e o temor de ser substituído profissionalmente (40% dos entrevistados). Essas preocupações reforçam a necessidade de educação digital e comunicação clara sobre os limites e possibilidades da tecnologia.

Segundo a Bain & Company, a tendência é que o cenário evolua positivamente à medida que os consumidores criem maior familiaridade com a IA embutida em produtos do dia a dia. A consultoria aponta que interações cotidianas – como sugestões de texto ou recomendações personalizadas – podem normalizar o uso da tecnologia, desde que as empresas invistam em interfaces com linguagem natural mais intuitivas e acessíveis.

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Cearense. 37 anos. Apaixonado por tecnologia desde que usou um computador pela primeira vez, em um hoje jurássico Windows 95. Além de tech, também curto filmes, séries e jogos.
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