O Google está sob investigação da União Europeia após denúncias de editoras de notícias reclamarem de uma queda abrupta na visibilidade online causada por políticas recentes da empresa. A Comissão Europeia, amparada pelo Digital Markets Act (DMA) — legislação que regula grandes plataformas digitais — está apurando se o Google está prejudicando injustamente o tráfego de sites jornalísticos ao rebaixar suas posições nos resultados de busca e nos serviços Google News e Discover
A controvérsia da política de reputação do site
A controvérsia gira em torno da política de “site reputation abuse” implantada em 2024, que tem sido acusada de penalizar sites que hospedam conteúdo de parceiros comerciais, prática comum para monetização do jornalismo digital. A UE questiona se essa política cria discriminação e limita o acesso justo e competitivo dos editores à audiência, impactando a sustentabilidade financeira e a pluralidade de vozes na mídia. Uma investigação semelhante está tramitando na Itália, onde editores exigem maior transparência sobre os efeitos dos resumos gerados por IA do Google, que também podem ter causado queda no tráfego
Impactos para editoras e o mercado da mídia
O Google justifica essas ações como parte do combate a spam e desinformação, alegando que a prioridade é proteger a experiência do usuário. Porém, editores acusam a empresa de agir unilateralmente, sem diálogo prévio, e de usar tais medidas como ferramenta de peso nas negociações de remuneração previstas pela Diretiva Europeia de Direitos Autorais, amplificando a dependência dos meios de comunicação em relação ao ecossistema da Big Tech
A resposta e os riscos para o futuro
A investigação pode levar a multas de até 10% do faturamento global da Alphabet, empresa-mãe do Google, caso sejam confirmadas violações do DMA. O desfecho deste caso será crucial para definir o futuro equilíbrio entre plataformas de tecnologia e produtores de conteúdo jornalístico na Europa. Até lá, a relação entre Google e veículos de imprensa permanece tensa e estratégica, com potencial impacto prático para leitores, jornalistas e o mercado da informação no continente
