O Spotify está mexendo numa das partes mais sensíveis do serviço: o algoritmo que decide o que você ouve. Em vez de só empurrar recomendações, a empresa começou a testar e lançar funções que dão ao usuário bem mais poder para “treinar”, e, quando necessário, colocar limites, na personalização da plataforma.
Spotify quer que você mande mais no algoritmo
Em outubro, o Spotify liberou globalmente a opção de excluir músicas individuais do seu perfil musical, o resumo algorítmico do que a plataforma entende como seu gosto. Até então, dava para tirar playlists inteiras dessa conta ou bloquear artistas, mas não faixas específicas que acabavam distorcendo recomendações e o famoso Spotify Wrapped.
Na prática, a mudança é simples: o usuário encontra a música em um álbum ou playlist, toca no menu de três pontos e escolhe a opção “Excluir do seu perfil musical”. A faixa continua disponível para ser ouvida normalmente, mas deixa de influenciar playlists personalizadas como Discover Weekly, Blend e métricas de engajamento que o app usa para “entender” o assinante ao longo do ano.
Botão “Soneca” para músicas que saturaram
Antes disso, o serviço já vinha ensaiando mais controle fino com um botão de “Snooze”, ou soneca, que temporariamente tira uma música da lista de recomendações. Em testes com usuários Premium, a função permite pedir ao Spotify que pare de sugerir uma faixa em qualquer playlist personalizada por 30 dias, algo útil quando um hit que você até gosta começa a aparecer em todo lugar.
A opção aparece integrada ao recurso de esconder músicas em playlists: o mesmo menu que permite “esconder” a faixa ganha a alternativa de colocá-la em descanso de 30 dias, válida em todas as recomendações algorítmicas. Segundo análises da imprensa especializada, é um reconhecimento explícito de que o algoritmo acerta bastante, mas cansa, e que o ouvinte precisa de uma “válvula de escape” sem ter que bloquear um artista para sempre.
Playlists por comando de texto com IA
Em dezembro, a empresa deu mais um passo ao anunciar testes de “Prompted Playlists”, playlists geradas por IA a partir de comandos de texto mais longos e detalhados. Diferente de experiências anteriores de playlists com IA, essa versão promete considerar todo o histórico de escuta do usuário “desde o dia um”, combinado com conhecimento de mundo para entender pedidos como “músicas dos meus artistas favoritos dos últimos cinco anos, só faixas lado B que eu ainda não ouvi”
Essas playlists podem ser configuradas para atualizar diariamente ou semanalmente, e o usuário pode ajustar o prompt a qualquer momento, refinando o clima, período, artistas e nível de descobertas que quer receber. O resultado é um tipo de “modo avançado” do algoritmo: você não só reage ao que o sistema sugere, mas guia ativamente a curadoria, algo que interessa tanto a ouvintes pesados quanto a quem já se perdeu em meio a tantas playlists automáticas.
